Primeiro os médicos e os infermeiros levaram toda a culpa!! Depois foram os professores apanhando em sala de aula e submetendo-se a todo o tipo de humilhação inclusive aquela cometida pelo Estado Juiz que puniu um professor em Viamão por corrigir um aluno que vandalizara a pintura do colégio!!! Agora é a Brigada Militar através de um oficial, que usando de uma metáfora, disse, em outras palavras que o Estado Nacional e o Estado do Rio Grande do Sul estão falidos, patrimonialmente e moralmente não tendo recursos sendo que os seus funcionários é que levam toda a culpa!!! Sim é o trinômio…Falta saúde, educação e segurança!!! Sim chamem o Batman pois o estamento superior segue comendo brioches e dançando a última valsa do Baile da Ilha Fiscal!! Maria Antonieta terminou guilhotinada e o Império do Brasil não viu raiar o dia tragado pela revolução republicana militar!!! Chamem o Batman pois restam ainda alguns jornalistas que num solipsismo desgrenhado fazem ouvidos moucos como se não tivessem ouvido o atroar do clamor das ruas!!! Chamem o Batman pois os lugares públicos da velha mídia, que deveriam representar a ética, são aqueles mesmos lugares dos que furtaram sinos nas faculdades; daqueles que à socapa e por baixo do poncho na Constituinte contrabandearam emendas inexistentes; daqueles que pedem vistas de processos e com suas bundas gordas assentam-se sobre o trono das prescrições e da retenção indevida….como diz o Gordo…os processos não amadureceram…suas folhas tem de amarelecerem….o tempo esquece e traga a justiça, a honra e esta velha república podre que é descarregada pela latrina!!! Chamem o Batman pois a turma de cima não tem mais senso e os que deviam ter senso também perderam o senso mas não cobram de quem deviam cobrar!!! Passa passará o detrás ficará a porteira está aberta para quem quiser passar!!! Chamem o Batman pois o pessoal que dissimula continua na sua arte perene da dissimulação!!! Vai mensalão vem petrolão e não tem leão que compense este talião!!! Chamem o Batman pois o OTIMISMO VELHO espertalhão das conveniências mesquinhas…o OTIMISMO que dizia que tudo estava bem…HOJE vai se encontrar diretamente como o ABISMO DAS RUAS….VAI RUMAR PARA ACERTAR SUAS CONTAS COM O POVO FURIOSO DAS RUAS….Vão enforcar os engravatados mentirosos no nó corredio de suas próprias gravatas!!! Chamem o Batman pois a desfaçatez terminou seu percurso de hipocrisia e mentira e a fórmula mágica deste grande encerramento é a CORAGEM SUPREMA DE DIZER QUE A FESTA ACABOU E QUE A DISSIMULAÇÃO E O ENGODO ACABARAM!!! CHAMEM O BATMAN POR QUE VOCÊS NÃO PODEM MAIS MENTIR PARA O POVO E DISSIMULAR QUE SUA INCOMPETÊNCIA DESTRUIU O ESTADO QUE ESTÁ A DESABAR SOBRE A SOCIEDADE CIVIL!!! CHAMEM O BATMAN MENTIROSOS DE ARAQUE POIS O SEU TEATRO MENTIROSO TERMINOU!! CHAMEM O BATMAN E O ROBIN POIS A LEI RENASCERÁ NAS RUAS COM O NOME DO POVO RESTAURANDO A CONSTITUIÇÃO RASGADA E AS TRAPAÇAS ILEGAIS QUE o vitimaram!!! CHAMEM O BATMAN QUE JULGARÁ já aniquilando TODOS OS MENTIROSOS e CONIVENTES….CHAMEM O BATMAN POIS O ESTADO DA PARTIDOCRACIA CLEPTOCRÁTICA E INÉPTA CHEGOU AO SEU ENCONTRO FATAL!!! ENFIM….GRAÇAS A DEUS…GRAÇAS A NÓS….GRAÇAS AO ROUBO INFINITO DOS QUE DOMINAM O ESTADO, NÃO EM NOME DO POVO MAS EM NOME DE SEU EGOÍSMO E INTERESSES VENAIS!! CHAMEM O BATMAN…POIS TODOS NÓS DO POVO, NAS RUAS, SOMOS O BATMAN…ARQUÉTIPO SEMPTERNO DA JUSTIÇA, DA VERDADE, DA IGUALDADE, DA LIBERDADE…CHAMEM O BATMAN…CHAMEM O POVO…O FIM DE TODO PODER E DE ONDE EMANA TODA A ORDEM E O DIREITO!! ASSIM EU, CIDADÃO COM TODA A MINHA ALMA E ESSÊNCIA, REPITO COM MEU FRATERNO COLEGA FUNCIONÁRIO DE UM ESTADO FALIDO……CHAMEM O BATMAN E TERMINEM COM ESTE BAILE DE DECADENTES QUE SÓ FAZEM COMER BRIOCHES SEM SABER QUE O FIM ESTÁ PRÓXIMO…CHAMEM O BATMAN O HERÓI DAS CUIMEIRAS E RUAS…CHAMEM O BATMAN O MORCEGO VOADOR QUE É A ESPERANÇA VIVA DE TODOS OS LUTADORES!! MEUS SINCEROS PARABÉNS CORONEL LANNES VIEIRA POR TER NA HORA CERTA MANDADO CHAMAR O BATMAN POIS OS CARAS NÃO ENTENDEM OU SE FAZEM QUE NÃO ENTENDEM QUE O ESTADO FOI ASSASSINADO E ESQUARTEJADO POR UMA PARTIDOCRACIA CLEPTOCRATA E INEPTA QUE DISSIMULA SUA RESPONSABILIDADE PASSANDO SEMPRE PARA OS OUTROS SUA RESPONSABILIDADE ORIGINAL….PARABÉNS CORONEL POR DAR CABO DESTE IMBECIL JOGO INFANTIL QUE ELES NOS OBRIGAM A CANTAR TODOS OS DIAS: “passa passará o detrás ficará a porteira está aberta para quem quiser passar!!” Meus parabéns Coronel Lanes, pois com esta metáfora MAGISTRAL você disse inocente como uma criança QUE O REI ESTÁ NÚ e que só alguns jornalistas, grande parte dos políticos e alguns juízes não querem ver…O REI ESTÁ NÚ….CHAMEM O BATMAN …POIS CAIU A MÁSCARA E A CORTINA É FIM DO TERCEIRO ATO….CHAMEM O BATMAN…QUE VIRÁ….PELAS RUAS…CANTANDO COM O POVO…NOS BRAÇOS DO POVO….PARA RESTAURAR A ORDEM, SALVAR DO CAOS, TERMINAR COM O ROUBO, COM A CORRUPÇÃO, COM O REGIME DO MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM PRECISA, COM O APARELHAMENTO DO ESTADO no REGIME DO QUEM INDICA!!!, ENFIM….CHAMEM O BATMAN POIS A HORA CHEGOU….ENFIM….A HORA DAS RUAS E DO CANTO SERENO E ALTANEIRO DO POVO!!!
UNASUL: O PLÁGIO INVERTIDO DA OBRA “A LUTA PELA UNIÃO LATINO-AMERICANA” COM O USO DESREGRADO DA MASSA CRÍTICA DE “GUERRA DAS MOEDAS” TRABALHOS DE AUTORIA DO PROF. SÉRGIO BORJA
ACUSAÇÃO: TODA A POLÍTICA EXTERNA DE LULA, DILMA E CHAVEZ, UNASUL, É UM PLÁGIO IDEOLÓGICO PURO E SIMPLES QUE
ADULTEROU OS FUNDAMENTOS DO MERCOSUL ANULANDO-O E DESTRUINDO A CONSTRUÇÃO. SÃO UM PLÁGIO INVERTIDO E ADULTERADO – COMUNO\SOCIALISTA – DO PLANO DE UNIÃO DA PÁTRIA GRANDE PRECONIZADO PELO PROFESSOR SÉRGIO BORJA NA OBRA MERCOSUL EDITADA EM 2001 QUE FOI FEITA EM CIMA DAS CONFERÊNCIAS REALIZADAS PARA A INTEGRAÇÃO DAS AMÉRICAS NA PROVÍNCIA DE ENTRE-RIOS, EM ENCANTADO E EM CONECTICUT, HARTFORT! FORAM PLAGIADOS, E …INVERTIDOS OS FUNDAMENTOS, DA OBRA “A LUTA PELA UNIÃO LATINO-AMERICANA E AINDA O PLANO MONETÁRIO QUE SE FUNDAMENTAVA NA “GUERRA DAS MOEDAS”, TAMBÉM DE AUTORIA DO PROFESSOR SÉRGIO BORJA. O PLANO DE SÉRGIO BORJA É UMA ALTERNATIVA SOCIAL DEMOCRATA – DO MESMO TIPO DA VIGENTE NA EUROPA – E CONTRARIAVA, COMO MEIO-TERMO OU MESOTES, AS ALTERNATIVAS EXTREMISTAS DO LIBERALISMO CAPITALISTA ASSIM COMO DO COMUNISMO E DO SOCIALISMO ESTATIZANTES!! SE VOCÊ FOR REALMENTE UM LEITOR E UM INTELECTUAL DE VALOR – LEIA OS ARGUMENTOS DO PROF. SÉRGIO BORJA PUBLICADOS NA INTERNET SITE DE ONDE AS IDÉIAS FORAM PLAGIADAS ASSIM COMO DA “GUERRA DAS MOEDAS”. AQUI ESTÁ O SITE E AS IDÉIAS PARA A UNIÃO SOCIAL DEMOCRATA DAS TRÊS AMÉRICAS: http://www.sergioborja.com.br/SITE_ANTIGO_UFR…/colombeia.pdf
The Union of the Three \ Américas (versão em inglês, espanhol e português da conferência)
A Social Profile
PROF. SÉRGIO BORJA
- Conference at the AMIL – INTERNATIONAL MASONIC LITERARY ACADEMY – II INTERNACIONAL MEETING – SITE: MASONIC TEMPLE – Grande Lodge Of Free & Accepted Masons of Pennsylvania – One North Broad Street – Philadelphia – Pennsylvania – 19107 – at 31.10.2009The consolidation of the European Union in the 20th century is an inspiring example and, at the same time, an endeavour as far as the achievement of a union of the Americas in the 21st century is concerned. European leaders have been able to overcome difficulties, which, at first sight, appeared insurmountable, such as the diversity of cultures, socio-economic and ethnical backgrounds, languages and ideas. In contrast, there are fewer difficulties in the Americas. Rather than dozens of languages and dialects, the main languages are English, French, Spanish, Portuguese and indigenous languages. French, Spanish and Portuguese are derived from Neo-Latin. In turn, English stems back, in many respects, to Latin. These four languages have been deeply influenced by African culture, absorbing elements from other peoples’ cultures. All these played a role in the development of the Americas. Those who say that Latin America lies to the south of Rio Grande make a serious mistake. Rather, Latin America also encompasses the Canadian provinces with French background and the United States. To be sure, a third of the population of the United States has Latin American background, in particular, in California, Louisiana, Miami, New Mexico, New York and Texas. The numbers corresponding to a third of the United States’ population are certainly larger than the total population of various Latin American countries. The “melting pot” and the multiculturalism enhance Latin American influence in the Americas. That is so, leaving aside the influence by Italian, Portuguese, Romanian and Spanish immigrants, which have also made their contribution to the United States. Modern times are more promising with respect to cultural paradox. Today, for the first time in history, it is an African-descendant that governs the United States; that is not the case in the other Latin American states. The face of United States’ power, which is expressed in President Barak Obama’s, engenders the hope for freedom and tolerance among the Three \ roots from which the Three \ Americas stem, the indigenous peoples, whites and blacks. The triangular concept which links freedom, equality and fraternity is a symbol inherent in free masonry. This concept is all-encompassing with respect to ideologies and legal understandings. Norberto Bobbio refers to freedom as a state of “self”. “Ego” means “self” in Latin. In turn, “egoism” stems from “ego” and constitutes one of the foundations of liberalism. Ayn Rand conceived liberalism as a rational egoism. According to Bobbio, equality is the relationship between “self” and “the other self” (you, we, etc.). On the other hand, the “other self” is “alter ego” in Latin; “alter ego” serves as a radical for the term “altruism”. Altruism is the foundation of socialism and communism. The French realised that the two “lines” freedom and equality made no just and fair geometric shape: they added the “line” fraternity to make an equilateral triangle (pyramid). The “line” fraternity is brotherhood which instigates tolerance among peoples and ideas. Since the bourgeois revolution and the movement of liberal constitutionalism of the 18th century, that process has led to new types of constitutionalism in the 20th century. Russia in 1917 experiences the bolchevique revolution; the revolution was founded upon equality as an alternative to obtain human happiness. Mexico in 1910 and Germany in 1918 enact constitutions which appear as a third alternative. Such alternative constitutes a middle ground position between the opposing ideas of liberalism and communism. Eric Hobsbaum in The Age of Extremes appropriately calls this third alternative as social democracy. These three alternatives concern three constitutional systems:Anti-thesis – Socialist Constitutionalism or CommunismAustralia, Canada, the United Kingdom, the United States and others adopted the concept of capitalism, while China, Cuba, Eastern European countries and USSR adopted the concept of socialism. In turn, right after World War II, France, Germany, Italy, Portugal and Spain adopted the concept of social democracy. Although subject to military regimes, Brazil and Argentina under the government of Getúlio Vargas and Juan Domingo Perón, respectively, have also espoused the third alternative. Following the crash in 1919, the United States adopted the “New Deal” under Franklin Delano Roosevelt and thus aligned itself with social democrats and Keynesian ideas. Roosevelt was re-elected three times. The New Economic Policy of Vladimir Lenin gave a less radical approach to socialism, adding to it a touch of liberalism in order to encourage farm production, which was in decline due to the socialist radicalism.Hobsbaum classified the 20th century as the Era of Extremes. Following the Fall of the Berlin Wall, the cold war between the United States and USSR gave place to a polycentrism involving the Asian Tigers, the European Union and the United States. Recently, the credit crunch arising from the housing bubble in the United States affected Bretton Woods institutions (the IMF, the World Bank and the WTO, and the way they oversaw the world economy. The systemic reaction arising from the crunch gave rise to state intervention in the economy; countries had to inject billions of dollars in their economies in order to avoid massive unemployment, crisis and hunger. Scholars have then realised the need for state regulatory action in the economy. The invisible hand of the market (“laissez faire laissez passer”) may lead mankind to dead ends. Obama has reproduced the New Deal of Rooselvelt, having thus triggered a new debate about the need for minimum state intervention, which again goes back to the Masonic equilateral triangle of freedom, equality and fraternity. Jürgen Habermas notes that the state looks as though it were a ship having its cargo badly arranged, without containers, going from side to side as the waves go, thereby threatening the ship (the state). In his view, the “cargoes”, which are the principle of freedom (liberalism) and the principle of equality (socialism), should lie in an equidistant position in order to feed the economic, legal and political world in equal proportion. That fosters social harmony. Absolute free market is detrimental and ends up in crisis such as those of 1929 and 2007.The Latin American states await from their big brother more to the north, the United States, for a sign pointing at social understanding and at the stepping stones for a hemispherical Union built upon the concept of “mesotis” between liberalism and socialism: a social democrat Union founded upon the principles of freedom, equality and, most of all, FRATERNITY.
LA UNIÓN DE LAS TRES AMÉRICAS – UN PERFIL SOCIAL (Version español: de Manoel Bogado)Escritor, profesor de Derecho Constitucional de la Universidad Federal del Estado de Rio Grande del Sur (UFRGS) y de la Pontifícia Universidad Católica del Estado de Rio Grande del Sur – Brasil (Conferencia realizada perante la AMIL – ACADEMIA MASÓNICA INTERNACIONAL DE LETRAS – Local: Templo Masónico de la Gran Logia de Masones Libres y Aceptos de Pensilvania – Calle One North Broad Street – Filadélfia – Pensilvania – USA – Dia 31.10.2009)I – Una perspectiva histórica: II – Una perspectiva ideológica y jurídica:TESIS – CONSTITUCIONALISMO LIBERAL O CAPITALISMOSÍNTESIS – CONSTITUCIONALISMO SOCIAL O SOCIAL DEMOCRACIA Asi es que el planeta vivenció a través del siglo XX la era de los extremos, haciendo poco caso de la sabiduria masónica de divisar en la toleráncia el camino para la paz y para la construcción del progreso de los pueblos. Es de recordar que el ser humano, imerso en un cosmos lúdico donde las fuerzas extremadas luchan desde el início de las eras, manifiestando en su psiqué la misma forma lúdica de la lucha de los opuestos, sea del maniqueísmo. Este maniqueísmo se proyecta de la misma forma ideologica, menospreciando la sabiduría de los pueblos antiguos, que divisaban el equilíbrio en el medio termo entre los opuestos. Los chinos, a través del Tao, milenarmente conocido, buscaban filosoficamente equilibrar los extremos manifiestados en las fuerzas Yin e Yang. Los griegos, con Aristóteles, en Ética a Nicómaco, igualmente criaron la MESOTES, que es un medio termo entre los opuestos. Aristóteles divisaba en el medio termo el equilíbrio y la sabiduría para la vida, para la sociedad y para todos los problemas del hombre. Los romanos transformaron esta verdad en un brocardo que iluminó los más de dos mil años de sus impérios, que decia: “In medio stat virtus” (“En el medio está la virtud”). Asi es que, para la construcción de la UNIÓN DE LAS TRES AMÉRICAS, se debe establecer conversaciones partiendo de premisas que pasen por la TESIS Liberal, visiten la ANTÍTESIS Socialista, pero que, inevitablemente, desabrochen en una visión equidistante de la SÍNTESIS DEMOCRATA SOCIAL, yá materializada en el equilíbrio de Europa.Toda política internacional americana que no se oriente en dirección a ese porvenir y no se ajuste a la preparación de esa armonía, será una política vana y descarriada.”[2][1] UM PERFIL SOCIAL*Conferência realizada perante a AMIL – ACADEMIA MAÇÔNICA INTERNACIONAL DE LETRAS – Local: TEMPLO MAÇÔNICO da Grande Loja de Maçons Livres e Aceitos da Pensilvânia – Rua One North Broad Street – Filadélfia – Pensilvânia – USA- Dia 31.10.2009 A consolidação da União Européia no século XX, ao mesmo tempo, que é um exemplo a ser seguido, também é um desafio para a consolidação da União das Américas no século XXI. As lideranças européias souberam vencer óbices que pareceriam insuperáveis tais como suas diversas culturas, etnias, línguas, convicções ideológicas e diversidades econômico-sociais. Nas Américas, os problemas se comparados, parecem bem menores pois ao invés de dezenas de línguas e dialetos, elas possuem algumas línguas majoritárias como o espanhol, o inglês, o francês e o português, somadas as línguas dos povos autóctones. Em suma, se aglutinado no entorno das línguas neolatinas, teríamos a chamada América Latina sendo que com relação à fala inglesa, teríamos a cultura anglo-saxônica, ambas perpassadas pela ascendência africana e demais povos que contribuíram para a formação americana. Quando se diz que a América Latina está ao sul do Rio Grande incide-se num erro crasso. A América Latina começa realmente no Canadá, nas províncias de origem francesa, estendendo-se pelos Estados Unidos onde 1\3 da população americana, na Califórnia, Novo México, Nova York, Texas, Miami, Luisiana, por exemplo, têm fortes contingentes de latinos. Em suma, os Estados Unidos da América, hoje tem populações de latinos (1\3 do total), bem maiores que alguns países latinos. Esta influência é disseminada tanto através do melting pot como através do multiculturalismo. Não falamos aqui dos ítalo-americanos, portugueses, espanhóis e romenos que também trazem seu aporte cultural para a formação da grande nação Norte-Americana. Vários outros aspectos paradoxais de convergência histórica exemplificam a cooperação para o estabelecimento nas Américas da Liberdade. Ela foi forjada na Inglaterra, através da influência maçônica de Francisco de Miranda, Simon Bolívar e San Martin, todos freqüentadores das Lojas em Londres, que disseminaram a independência nas províncias espanholas. Foi também da Inglaterra e sob a proteção de uma esquadra inglesa, comandada por Sir Sidney Smith que se deslocou a família real portuguesa, de D. João VI, levando o futuro Imperador do Brasil, D. Pedro I. Hipólito da Costa, irmão maçom, fundador do Correio Braziliense, também esteve por lá. Francisco de Miranda inclusive esteve na Filadélfia junto a Jefferson e outros buscando ajuda para seus projetos de emancipação da Grã-Colômbia (Panamá, Venezuela, Colômbia, Equador). Os Estados Unidos, por seu lado, tiveram a cooperação militar francesa, na sua guerra de independência contra a Inglaterra. Foram os generais maçons irmãos Marquês de La Fayette e o Conde de Rochambeau, que unidos ao General Washington, derrotaram o Gen. Cornwallis em Yorktow. Colaboraram na guerra também os espanhóis através da atuação do Conde de Galvez. A pós-modernidade ou a era da globalização é mais promissora com relação ao paroxismo cultural. Hoje, é nos Estados Unidos da América, e não em nenhum outro dos estados latino-americanos, que governa o primeiro presidente de ascendência africana. O rosto do poder americano, através do Presidente Barak Obama, encarna a esperança da liberdade e muito mais na tolerância e harmonia entre as três\ raízes que plasmaram as três\ Américas, os índios, os brancos e os negros. II – Uma perspectiva ideológica e jurídica:TESE – CONSTITUCIONALISMO LIBERAL OU CAPITALISMOSÍNTESE – CONSTITUCIONALISMO SOCIAL OU SOCIAL-DEMOCRACIA Assim é que o planeta vivenciou através do século XX a era dos extremos fazendo pouco caso da sabedoria maçônica de divisar na tolerância a estrada para a paz e a construção do progresso dos povos. É de lembrar que o ser humano imerso num cosmos lúdico onde as forças extremadas lutam desde o início das eras, manifestando em sua psiquê e mesma forma lúdica da luta dos opostos, seja do maniqueísmo. Este maniqueísmo projeta-se da mesma forma ideologicamente desdenhando da sapiência dos povos antigos que divisavam o equilíbrio no meio termo entre os opostos. Os chineses, através do Tao, milenarmente conhecido, procuravam filosoficamente, equilibrar os extremos manifestos nas forças Yin e Yang. Os gregos, através de Aristóteles, na Ética a Nicômaco, da mesma forma criaram a chamada MESOTES, que é um meio termo entre os opostos. Aristóteles divisava no meio termo o equilíbrio e a sapiência para a vida, para a sociedade e para todos os problemas do homem. Os romanos tornaram esta verdade num brocardo que iluminou os mais de dois mil anos de seus impérios na máxima que rezava: “In médio stat virtus” (No meio está a virtude). Assim é que para a construção da UNIÃO DAS TRÊS AMÉRICAS deve-se entabular conversações partindo de premissas que passem pela TESE Liberal, visitem a ANTíTESE Socialista, mas inevitavelmente desabrochem numa visão eqüidistante da SÍNTESE DEMOCRATA SOCIAL já materializada no equilíbrio da Europa.Toda política internacional americana que no se oriente en dirección a esse porvenir y no se ajuste a la preparación de esa armonía, será una política vana y descarriada.”[2][1] - Os Estados da América Latina aguardam do seu grande irmão do norte, os Estados Unidos da América, uma sinalização para esta consciência social e para a construção, sob o signo da MESOTES entre o princípio LIBERAL E o SOCIALISTA, o umbral que levará a facilitar a construção da união hemisférica sob o signo da LIBERDADE, DA IGUALDADE mas sobretudo da FRATERNIDADE, sob o pálio de uma Social Democracia. A Organização dos Estados Americanos poderá, reativada sob todos os aspectos, juntamente com a união dos entes-regionais através de um fórum regional ser o lócus para o início desta discussão inadiável no hemisfério. O Presidente Barak Obama, que já faz movimentos na área previdenciária americana, sofrendo oposição de setores radicais liberais, já mostra uma visão que divisa o caminho para o futuro e a estrada que levará a UNIÃO DAS TRÊS AMÉRICAS. Uma distensão, lenta, gradual e moderada levará a um acomodamento com as manifestações extremadas de estados como Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador, que pressionados pela força irrefutável desta verdade, retificando seus caminhos na medida da aproximação norte-americana sob uma nova luz, como dado de ciência e sapiência, poderão conhecer, ainda neste primeiro lustro do século XXI, o que a Europa construiu em 50 anos, no pós-guerra. Aí então cantaríamos como José Enrique Rodó, uruguaio, o filósofo e poeta da união americana: “Yo creí siempre que en la América nuestra no era posible hablar de muchas patrias, sino de una patria grande y única; yo creí siempre que si es alta la idea de la patria, expresión de todo lo que hay de más hondo en la sensibilidad del hombre: amor de la tierra, poesía del recuerdo, arrobamientos de gloria, esperanzas de inmortalidad, en América, más que en ninguna outra parte, cabe, sin desnaturalizar esa idea, magnificarla, dilatarla; depurarla de lo que tiene de estrecho y negativo y sublimarla por la propia virtud de lo que encierra de afirmativo y fecundo: cabe levantar sobre la patria nacional, la Patria americana, y acelerar el día en que los niños de hoy, los hombres del futuro, preguntados cuál es el nombre de su patria, no contesten com el nombre del Brasil, ni com el nombre de Chile, ni com el nombre de Méjico, porque contesten com el nombre de América.
- Eric Hobsbaum ao descrever o século XX qualificou-o como a Era dos Extremos. Com a queda do muro de Berlim, a guerra fria entre os EUA e a URSS, foi substituída pelo policentrismo tripolar, com o surgimento dos Tigres Asiáticos e da União Européia. Recentemente, o perfil da Globalização, comandada pelos entes de Bretton Woods, o FMI, o GATT, a OMC e o Word Bank, secundados pelos entes regionais, tiveram sua sinergia abalada pelo estouro da bolha sub prime imobiliária nos Estados Unidos. Uma reação sistêmica fez com que as nações, através do estado nacional e suas agências, tivessem de injetar bilhões de dólares para salvar ativos e não condenar milhões de pessoas e nações ao desemprego, a crise e à fome. Assim é que os estudiosos tomaram consciência da necessidade de intervenção estatal na economia para regular seus efeitos deletérios. A mão invisível do mercado, laissez faire laissez passer se deixada ao sabor do vento produz crises que podem levar a humanidade a becos sem saída. O Presidente Barak Obama, à frente da grande nação americana, reproduzindo a consciência da política do new deal, de Franklin Delano Roosenvelt, ateia fogo a um novo debate mundial, a necessidade de uma intervenção mínima do estado nas coisas da economia construindo uma equação que se projeta como um triângulo eqüilátero ombreado no tríduo Trabalho, Capital e Estado que se projetam na verdade onividente do triângulo eqüilátero ombreado pela Liberdade, Igualdade, Fraternidade. É a consciência dada pelo filósofo alemão Jurgem Habermas, quando retrata a verdade “que o estado nacional está como uma nave com a carga mal presa, que sem containers, oscila ao sabor das ondas de uma lado para outro ameaçando a estabilidade do barco estatal” Para ele a “carga”, que na realidade são os princípios da Liberdade e da Igualdade, seja, do Liberalismo e do Socialismo, deverão quedar eqüidistantes para, alimentando cada um na sua proporção de realidade o mundo econômico, político e jurídico, propiciarem uma melhor harmonia social. É a visão da Social Democracia necessária para atenuar os desequilíbrios porventura existentes em um mercado totalmente livre e que se faz deletério quando causa crises como a de 1929 em Nova York ou como a de 2007 da sub prime imobiliária.
- Sob o domínio do princípio Liberal alinharam-se os Estados Unidos da América, a Inglaterra, Canadá, Austrália e outros, sendo que sob o princípio Socialista ou Comunista alinharam-se a URSS, a China, Cuba e o Leste Europeu; sob a influência Social Democrata estavam, logo após a segunda guerra, a França, Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, hoje na União Européia como um todo, sob o regime da Social-Democracia. Brasil e Argentina, sob regimes de força, com Vargas e Perón e depois sob os governos militares repetiram a mesma fórmula. Os Estados Unidos da América, logo após o crash da Bolsa de Nova York, em 1929, a partir de 1930, com Franklin Delano Roosenvelt, através da política do “New Deal” fez um ensaio Social-Democrata keynesianista, por um longo período de quatro mandatos em sequência. Lênin, com a sua Nova Política Econômica, em uma passagem do socialismo russo amainou o extremado igualitarismo para com uma pitada de liberalismo ativar a produção agrícola do país sucateada pelo extremismo.
- ANTÍTESE – SOCIALISMO CONSTITUCIONAL OU COMUNISMO
- O tríduo Liberdade, Igualdade, Fraternidade é um legítimo tótem semiótico. Dentro deste símbolo maçônico jaz toda a massa crítica referente às ideologias e as concepções jurídicas. Norberto Bobbio, referindo-se à Liberdade diz que ela é um estar do Eu. Eu em latim tem como significante Ego. Raiz léxica de egoísmo que é o fundamento do Liberalismo através de sua papisa a escritora Ayn Rand (O Egoísmo Racional); Para Norberto Bobbio a Igualdade é uma relação entre o Eu e o outro Eu (nós, tu, etc…); o outro eu leia-se em latim alter-ego que é a raiz semântica de altruísmo. Esta última é a matriz da base coletiva do pensamento socialista ou comunista. Os franceses, entre liberdade e igualdade constataram que não era possível construir uma figura justa e perfeita então colocaram na base da pirâmide eqüilátera a palavra fraternidade, que como irmandade predispõe a necessária tolerância no convívio das gentes e das idéias. Assim é que o mundo desde a época das revoluções burguesas, ou do constitucionalismo político-liberal do século XVIII, evoluiu para novas formas de constitucionalismos engendrando-se no século XX novas possibilidades. No ano de 1917, na Rússia, vence a revolução bolchevique, que vai construir sob o signo da Igualdade e somente dela, uma alternativa para reger a felicidade humana. Em 1910, no México, com a revolução mexicana que se consolida através da constituição de 1917 e também na Alemanha de Weimar, através da constituição de 1918, teremos a terceira alternativa que se consolida numa terceira posição tornando concreta a possibilidade de um meio termo entre os opostos Liberalismo e Comunismo, tão bem descrito por Eric Hobsbaum, em sua Era dos Extremos, que é a Social-Democracia, um meio termo entre àqueles opostos. Assim é que teremos três sistemas constitucionais, vigentes no globo, que podem ser enquadrados da seguinte forma:
- I – Uma perspectiva histórica:
- PROF. SÉRGIO BORJA
- A UNIÃO DAS TRÊS\ AMÉRICAS (versão para o espanhol por Manuel Bogado)
- [1][1] JE RODÓ, Enciclopédia Barsa (Rio de Janeiro, Editora Barsa 1990), vol. 1, p. 480 (translation by the author): “(1872-1917) Philosopher, educator and Uruguayan essayist, one of the most important individuals concerning Latin American thoughts, he has written “Los Motivos de Proteu” – 1909, among other works…”
- Los Estados de América Latina aguardan de su gran hermano del Norte, los Estados Unidos de América, un aceno para esta conciencia social y para la construcción, bajo el signo de la MESOTES entre el princípio LIBERAL y el SOCIALISTA, el umbral que llevará a facilitar la construcción de la unión hemisférica bajo el signo de la LIBERTAD, de la IGUALDAD, pero por sobre todo, de la FRATERNIDAD, bajo el pálio de una Social Democracia. La Organización de los Estados Americanos podrá, reactivada en todos los aspectos, juntamente con la unión de los entes regionales, a través de un fórun regional, ser el lócus para el inicio de esta discusión inadiable en el hemisfério. El Presidente Barak Obama, que hace movimentos en el área previdenciária americana, sufriendo oposición de sectores radicales y liberales, yá muestra una visión que divisa el camino para el futuro y la ruta que llevará a la UNIÓN DE LAS TRES AMÉRICAS. Una distensión, lenta, gradual y moderada llevará a una acomodación con las manifestaciones extremadas de estados como Cuba, Venezuela, Bolívia y Ecuador, que presionados por la fuerza irrefutable de esta verdad, rectificando sus caminos a la medida de la aproximación norte americana bajo una nueva luz, como dado de ciencia e sapiencia, y podrán conocer, todavia en este primer lustro del siglo XXI, lo que Europa construyó en 50 años, en el pós guerra. Ahí entonces, cantaríamos como José Enrique Rodó, uruguayo, el filósofo y poeta de la unión americana: “Yo creí siempre que en la América nuestra no era posible hablar de muchas patrias, sino de una patria grande y única; yo creí siempre que si es alta la idea de la patria, expresión de todo lo que hay de más hondo en la sensibilidad del hombre: amor de la tierra, poesía del recuerdo, arrobamientos de gloria, esperanzas de inmortalidad, en América, más que en ninguna otra parte, cabe, sin desnaturalizar esa idea, magnificarla, dilatarla; depurarla de lo que tiene de estrecho y negativo y sublimarla por la propia virtud de lo que encierra de afirmativo y fecundo: cabe levantar sobre la patria nacional, la Patria americana, y acelerar el día en que los niños de hoy, los hombres del futuro, preguntados cuál es el nombre de su patria, no contesten con el nombre del Brasil, ni con el nombre de Chile, ni con el nombre de Méjico, porque contesten con el nombre de América.
- Eric Hobsbaum, al describir el siglo XX lo calificó como la Era de los Extremos. Con la caída del Muro de Berlin, la Guerra Fria entre los EUA y la URSS fué sustituída por el policentrismo tripolar, con el surgimiento de los Tigres Asiáticos y de la Unión Europea. Recientemente, el perfil de la Globalización, comandada por los entes de Bretton Woods, el FMI, el GATT, la OMC y el Word Bank, secundados por los entes regionales, tuvieram su sinergia estremecida por la explosión de la bolla sub prime inmobiliária en los Estados Unidos. Una reacción sistémica hizo con que las naciones, a través del estado nacional y sus agéncias, tuviesen que inyectar billones de dólares para salvar activos y para no condenar millones de personas y naciones al desempleo, a la crisis y al hambre. Así fué que los estudiosos tomaron conciencia de la necesidad de intervención estatal en la economia para regular sus efectos deletérios. La mano invisíble del mercado, laissez faire laissez passer, si dejada al sabor del viento produce crisis que pueden llevar la humanidad a calles sin salida. El Presidente Barak Obama, al frente de la gran nación americana, reproduciendo la conciencia de la política del new deal, de Franklin Delano Roosenvelt, encende una nueva discusión mundial: la necesidad de una intervención mínima del estado en las cosas de la economia, construyendo una ecuación que se proyecta como un triángulo equilátero respaldado por el tríduo Trabajo, Capital y Estado, bajo el amparo de la verdad onividente de la Libertad, de la Igualdad y de la Fraternidad. Es la conciencia mencionada por el filósofo alemán Jurgem Habermas, cuando retrata la verdad “el estado nacional está como una nave con la carga mal atada, que sin containers, oscila al sabor de las olas de un lado para otro, amenazando la estabilidad del barco estatal”. Para el, la “carga” serian los princípios de la Libertad y de la Igualdad, o sea, del Liberalismo y del Socialismo, que deberían situarse equidistantes para, alimentando cada uno en su proporción de realidad del mundo económico, político y jurídico, pudieran favorecer a una mejor armonía social. Es la visión de la Social Democracia, necesária para atenuar los desequilíbrios acaso existentes en un mercado totalmente libre y que se hace deletério cuando ocasiona crisis como la de 1929, en Nueva York, o como la de 2007, de la sub prime inmobiliária.
- Bajo el domínio del princípio Liberal alinearonse los Estados Unidos de América, Inglaterra, Canadá, Austrália y otros, y del princípio Socialista, o Comunista, alinearonse la URSS, China, Cuba y el Leste Europeo. Concordes con la influéncia Social Democrata estaban, luego después de la segunda guerra, Francia, Itália, España, Portugal, Alemania, hoy en la Unión Europea como un todo. Brasil y Argentina, con los régimenes de fuerza de Vargas y Perón y después consonantes con los gobiernos militares, repitieron la misma fórmula. Los Estados Unidos de América, luego después del crash de la Bolsa de Nueva York, en 1929, a partir de 1930, con Franklin Delano Roosenvelt, a través de la política del “New Deal” hizo un ensayo Social Demócrata keynesianista, por un largo periodo de cuatro mandatos en secuencia. Lenin, con su Nueva Política Económica, en un pasage del socialismo ruso suavizó el extremado igualitarismo para, con una pitada de liberalismo, activar la producción agrícola del país, deteriorada por el extremismo…
- ANTÍTESIS – SOCIALISMO CONSTITUCIONAL O COMUNISMO
- El tríduo Libertad, Igualdad y Fraternidad es un legítimo tótem semiótico. Dentro de este símbolo masónico yace toda la masa crítica referente a las ideologias y a las concepciones jurídicas. Norberto Bobbio, refiriéndose a la Libertad, dice que ella es un estar del Yo. Yo, en latin, tiene como significante el Ego, raiz léxica del egoísmo, que es el fundamento del Liberalismo a través de su papisa, la escritora Ayn Rand (El Egoísmo Racional). Para Bobbio, la Igualdad es una relación entre el Yo y el otro Yo (nosotros, tu, etc…). El otro yo, lease en latin alter-ego, es la raiz semántica del altruísmo. Esta última es la matriz de la base colectiva del pensamiento socialista o comunista. Los franceses, entre libertad e igualdad, constataron que no era posible construir una figura justa y perfecta, entonces agregaron en la base de la pirámide equilátera la palabra fraternidad que, como hermandad, predispone la necesária tolerancia al convívio de las gentes y de las ideas. Asi, el mundo, desde la época de las revoluciones burguesas, o del constitucionalismo político liberal del siglo XVIII, evolucionó para nuevas formas de constitucionalismos, engendrando en el siglo XX nuevas posibilidades. En el año 1917, en Rúsia, triunfa la revolución bolchevique, que va a construir bajo el signo de la Igualdad, y solamente de ella, una alternativa para regir la felicidad humana. En 1910, en Méjico, con la revolución mejicana que se consolida a través de la constitución de 1917 y también en Alemania de Weimar, a través de la constitución de 1918, tendremos la tercera alternativa, que se consolida en una tercera posición, tornando concreta la posibilidad de un medio termo entre los opuestos Liberalismo y Comunismo, muy bien descrito por Eric Hobsbaum, en su Era de los Extremos, que es la Social Democracia, un medio termo entre aquellos opuestos, legandonos tres sistemas constitucionales vigentes en el globo, que pueden ser enfocados de la siguiente forma:
- La consolidación de la Unión Europea en el siglo XX, al mismo tiempo que es un ejemplo a ser seguido, también es un desafio para la consolidación de la Unión de las Américas en el siglo XXI. Los líderes europeos supieron vencer óbices que parecieran insuperables, tales como sus diversas culturas, etnias, lenguas, convicciones ideológicas y diversidades económicas y sociales. En las Américas, los problemas, si comparados, parecen bien menores, pues al invés de decenas de lenguas y dialectos, poseen algunas lenguas mayoritárias como el español, el inglés, el francés y el portugués, sumadas las lenguas de los pueblos autóctones. En suma, si se las aglutina en el entorno de las lenguas neolatinas, tendríamos la llamada América Latina, siendo que con relación al habla inglesa tendríamos la cultura anglo saxônica, ambas perpasadas por la ascendéncia africana y demás pueblos que contribuyeron para la formación americana. Cuando se dice que la América Latina está al sur de Rio Grande, se incide en un error craso. América Latina comienza realmente en Canadá, en las provincias de origen francesa, estendiéndose por los Estados Unidos, donde 1/3 de la población americana, en Califórnia, Nuevo Mejico, Nueva York, Texas, Miami, Luisiana, por ejemplo, tienen fuertes contingentes de latinos. En resumen, los Estados Unidos de América hoy tienen poblaciones de latinos (1/3 del total), bien más grandes que algunos países latinos. Esta influencia es diseminada tanto a través del melting pot como a través del multiculturalismo. No hablamos aqui de los ítalo americanos, portugueses, españoles y romenos que también contribueyn con su aporte cultural para la formación de la nación Norte Americana. Vários otros aspectos paradoxales de convergencia histórica ejemplifican la cooperación para el establecimiento en las Américas, de la Libertad. Esta Libertad fué forjada en Inglaterra, a través de la influencia masónica de Francisco de Miranda, Simón Bolívar y San Martin, todos frecuentadores de las Logias de Londres, que propagaron la independencia en las provincias españolas. Fué también de Inglaterra y con la protección de una escuadra inglesa, comandada por Sir Sidney Smith, que se dislocó la família real portuguesa, de D. João VI, llevando el futuro emperador de Brasil, D. Pedro I. Hipólito da Costa, hermano mason, fundador del periódico Correio Braziliense, también estuvo por allá. Francisco de Miranda, inclusive, estuvo en Filadélfia junto a Jefferson y otros, buscando ayuda para sus proyectos de emancipación de la Gran Colómbia (Panamá, Venezuela, Colómbia, Ecuador). Los Estados Unidos, por su lado, tuvieron la cooperación militar francesa en su guerra de independencia contra Inglaterra. Fueron los generales masones Marqués de La Fayette y el Conde de Rochambeau, unidos al General Washington y con la colaboración de los españoles, a través de la actuación del Conde de Galvez, que derrotaron al General Cornwallis, en Yorktow. La pós modernidad, o era de la globalización, es mas promisora con relación al paroxismo cultural. Hoy, es en Estados Unidos de América, y no en ningún otro de los estados latino americanos, que gobierna el primer presidente de ascendéncia africana. El rostro del poder americano, a través del Presidente Barak Obama, encarna no solo esperanza de libertad, pero mucho mas tolerancia y armonia entre las tres raíces que plasmaron las tres Américas: los índios, los blancos y los negros.
- Prof. SÉRGIO BORJA
- The Organization of American States (OAS) shall serve as a regional forum for the debate about that social democrat Union. Despite the opposition by conservative republicans, Obama has proposed to reform the social security system in place in the United States. His initiative suggests his belief in the same idea which can lead to the Union of the Three Americas. Extremist governments such as those in Bolivia, Cuba, Ecuador and Venezuela will gradually change in light of the undisputed truth of social democracy. May all peoples of the Three Americas still experience in the 21st century what the European Union has built in the last 50 years. May all then sing as once did the Uruguayan José Enrique Rodó, philosopher and poet of the Union of the Americas: “I have always believed that in our Americas it was not possible to speak of many fatherlands, except for a large and sole fatherland; I have always thought very high of the notion of fatherland, which is the most profound expression of emotivity of men: love for the land, poem of memories, fierce glory, hopes of immortality, in the Americas, more than anywhere, the idea shall be denaturalised, magnified, amplified, distilled in what it is narrow or negative and sublimated by its own virtue, which is positive and fertile: the Fatherland Americas shall raise upon national fatherlands and anticipate the day when today’s children, future’s men, when asked about the name of their fatherland, shall not answer Brazil, Chile, or Mexico, because they all shall have answered the Americas. Any international policy in the Americas which does not aim at this future and does not prepare itself for this harmony shall be vain and lost.”[1][1]
- In order to build the Union of the Three Americas there shall be debate covering the liberal Thesis and the socialist Anti-Thesis, resulting in the social democrat Synthesis. The European Union reached equilibrium by the adoption of such equidistant and social democrat Synthesis.
- This planet has experienced the era of extremes during the 20th century, paying little regard to Masonic wisdom. Such wisdom encourages tolerance, peace and progress for all peoples. It is worth mentioning that this ludicrous and manichaeist fight between opposed values is inherent in human nature. The ancient civilisations designed equilibrium as a middle stance between extremes. The Chinese sought to balance the extremes “yin” and “yang” through the concept of “tao”. In Greece, Aristotle developed the concept of “mesotis” as a middle ground between extremes in Nicomachean Ethics. Aristotle conceived “mesotis” as equilibrium, wisdom for life, society and all problems of mankind. The Romans turned this truth into the saying “in medio stat virtus” (virtue is in the middle), which has enlightened more than two thousand years of empire. All these examples illustrate the manichaeism inherent in human beings.
- Synthesis – Social Constitutionalism or Social Democracy
- Thesis – Liberal constitutionalism or Capitalism
- II – Ideological and legal perspective:
- There are other elements which suggest a cooperative and paradoxical effort for the achievement of freedom in the Americas. The concept of freedom has been developed in England, under the influence of free masons such as Francisco de Miranda, Simon Bolívar and San Martin, who attended gatherings in the Lodges in London. Their ideas inspired independence of Spanish colonies in the Americas. England has also played a role in the transfer of the Portuguese Royal Family to Brazil. Sir Sidney Smith escorted the Portuguese fleet carrying the Portuguese Royal Family, including King Dom João VI and Dom Pedro I (future Brazilian emperor) to Brazil, at the time a Portuguese colony. Hipólito da Costa, the founder of Correio Braziliense and also a free mason, had also been to England. Brazilians have also been in close connection with movements of freedom from the United States. Francisco de Miranda had been with Thomas Jefferson and others in Philadelphia, looking for assistance for the independence of Grand-Colombia (Colombia, Ecuador, Panama and Venezuela). In turn, the United States acted in cooperation with the French fleet in the war of independence against England. The generals Marquis de Lafayette and Count of Rochambeau (both free masons), together with general George Washington, defeated General Charles Cornwallis in Yorktown. In the war of independence, the Spanish Count of Gálvez also cooperated with George Washington.
- I – Historical perspective:
[1][1] JE RODÓ, Enciclopédia Barsa (Rio de Janeiro Editora Barsa 1990), vol. 1, p. 480 (translation by the author): “(1872-1917) Philosopher, educator and Uruguayan essayist, one of the most important individuals concerning Latin American thoughts, he has written “Los Motivos de Proteu” – 1909, among other works…”
O ERRO DO MINISTRO LEVY, A GUERRA DAS MOEDAS E O “EMBOLSAMENTO”(BOLHA MONETÁRIA) MONETÁRIO E INFLACIONÁRIO DO BRASIL!!
BOMBA!! GUERRA DAS MOEDAS E O “EMBOLSAMENTO” MONETÁRIO BRASILEIRO CAUSADO PELA DISTORÇÃO ELEITORAL DOS PARTIDOS QUE NÃO FAZEM POLÍTICAS DE ESTADO MAS DE GOVERNOS E A POLÍTICA EQUIVOCADA DO MINISTRO LEVI!!!
Quando estudamos o período constitucional gestado pela Constituição de 1988 notamos uma mudança de paradigma frente às demais Constituições existentes no passado. A Constituição de 1988, colocando os direitos fundamentais como basilares do estado democrático de direito com o deslocamento topográfico destes direitos, colocando a parte Dogmática da Constituição de 1988 antes da parte Orgânica, inovando no constitucionalismo mundial e no bloco de constitucionalidade nacional, o legislador constitucional afirmou, em outras palavras que o HOMEM É FIM E O ESTADO MEIO DE SATISFAÇÃO DESTES FINS PRIMACIAIS. Ora, o conjunto de cidadãos constitui a Sociedade Civil que deveria, nesta concepção, ser a zona de exclusão ou franquias intransponíveis para o Estado! No entanto, se a teoria preleciona, assinando um balizamento dos direitos fundamentais que isolam e criam uma raia intransponível entre o Estado e Sociedade Civil, colocando esta como escopo principal, no entanto, a prática dos governos e dos partidos fazem a aluição da teoria que destrói e inverte o axioma constitucional, pois como os regimes fortes nazista, comunista e mesmo as distorções liberais, eivados de ideologias partidárias invertem o eixo dos valores constitucionais construindo, nestes anos todos, um modelo antagônico em que o Estado é fim e a Sociedade Civil meio para obtenção dos fins dos partidos enquistados e aparelhados no Estado Nacional. O Dr. Carlos Alberto Vargas Rossi, Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Administração da Escola de Administração da UFRGS, em artigo magistral publicado na página de opinião de ZH, intitulado “No Fundo, Problema de Gestão” faz uma análise perfunctória identificando num diagnóstico objetivo, o problema dos governos brasileiros. São suas as palavras: ”Os anos passam, partidos políticos se alternam no poder, e as crises financeiras nas contas públicas são cada vez mais incontroláveis e paralisantes….A cada troca de comando federal ou estadual, repete-se o compadrio político-partidário: posições de conselhos e diretorias de órgãos públicos e estatais são divididas entre os quadros de partidos vencedores. Essas levas de intrusos caem de paraquedas nos níveis decisórios dessas organizações. Os quadros técnicos, muitas vezes qualificados, assistem nos anos seguintes a uma pantomina burlesca em que os intrusos fazem de conta que administram e as organizações perdem dinheiro e não se justificam perante a sociedade.” A situação é muito mais grave pois os partidos baseados na doutrina do direito administrativo em que há atos discricionários e atos vinculados valorizam mais os primeiros, ultra dimensionando-os, em detrimento dos atos vinculados que são inclusive ludibriados e driblados através de práticas que temos escutado o atroar dos escândalos a que estamos imersos nestes governos corruptos. A fim de apreciar a política do Ministro da Fazenda Levy, saudado pela imprensa e pelos empresários liberais, como uma pretensa política boa para sanear a crise gerada pelo primeiro período do governo Dilma, passei a analisar a expansão do meio circulante ou a chamada Base Restrita Monetária e sua expansão ou não nos três governos em sequência, o período tucano de Fernando Henrique Cardoso, o período de Lula e depois os quatro anos de Dilma. Analisando, com as informações constantes através dos relatórios monetários produzidos pelo Banco Central e que estão à disposição do público, constata-se sempre, antes de cada período eleitoral destes três presidentes, não se restringindo o processo só ao período de Dilma, que cognominei de “doping eleitoral”, que é prática comezinha, nestes três governos e períodos, sempre antes das eleições, a fim de criar um ambiente maquiado, camuflado, enfim uma atmosfera econômica “otimista” passando esta sensação para o mercado e para a Sociedade Civil, o governo do momento, de posse das leis e mecanismos colocados à sua disposição, induz através de políticas oriundas do Ministério da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central, políticas financeiras que criam este estado artificial de euforia econômica na sociedade vislumbrando, não uma política responsável e a longo prazo de tomada de decisões e atos que propiciem soluções para a Sociedade Civil e o Estado Nacional de forma definitiva. Não a contrário sensu, a prática dos governos, e outros me dirão que isto é um comportamento atávico e histórico, assenhorados do Estado Nacional adulteram a política econômica simplesmente de forma eleitoreira para ganharem certames eleitorais destruindo a economia tanto da Sociedade Civil, que pela Constituição seria fim, como destruindo também e desorganizando com endividamentos o próprio Estado Nacional. Vou reproduzir abaixo os apontamentos que fiz da extração de números concernentes aos relatórios monetários do Banco Central que tratam da política monetária do governo e o leitor poderá notar que, sempre antes das eleições e depois das eleições já ganhas há um processo de alargamento ou expansão da base monetária ou do meio circulante, seja, uma emissão não resgatada criando um “embolsamento” ou uma legítima bolha monetária INFLACIONÁRIA dentro da Sociedade Civil que já ultrapassa 995%. Esta expansão monetária da base restrita, através da emissão monetária pura e simples sem resgate posterior, cria um processo de “embolsamento” monetário do real pois nossa moeda não tem quase que nenhuma capilaridade internacional sendo sua conversibilidade muito reduzida. Já tratei desta temática explicando estes conceitos no artigo O dólar a moeda da liberdade ancorada neste site: http://www.sergioborja.com.br/?p=607 Assim é que o real não é entesourado por ninguém pois só um louco o manteria pois a tendência sua é a franca desvalorização; da mesma forma turistas e estrangeiros não o entesouram ou juntam para viajar, pois em razão de sua baixa capilaridade e conversibilidade seria uma inutilidade levar reais para países que não conhecem e não fazem o câmbio desta moeda totalmente desconhecida. Assim é que o real emitido e não resgatado pelo banco central vai alargando a base restrita monetária criando um bolsão de reais que o desvalorizam mesmo que este processo seja amenizado pela queda internacional de todas as moedas nacionais, que seguindo o dólar e o yuan, o primeiro tentando a longuíssimo prazo uma paridade com o segundo, criando o que convencionei chamar de busca de um sistema de “currency em baixa” contra a primeira alternativa que foi a manutenção de uma placa de dolarização de um currency em alta que coincidiu com a política dos meados dos anos 90 que, através do regionalismo e do multilateralismo coordenado com a perspectiva do prêmio Nobel de Economia, Robert Mundell, com seu sistema de simetrias e assimetrias visando a concatenação e o acoplamento das placas tectônicas monetárias e econômicas da globalização daquela época. Com a falha do sistema identificado pela contestação através da teoria Guerra das Moedas partiu-se em razão dos resultados empíricos obtidos, desastrosos para os países que fizeram a dolarização como o Brasil de FHC, a Argentina de Menen, que sofreram o efeito “samba” e o efeito “tango” com o desabamento da sua alternativa, a partir da crise de 1998, partiu-se então, depois do Acordo Plaza, para uma desvalorização do dólar e assim, buscando um fundo de poço do yuan chinês, chegar ao estabelecimento de um currency em baixa. O Brasil de Lula foi feliz pois pegou o hiato ou o vácuo da imigração de sistema sendo que o governo Dilma passou a sentir mais o efeito da chamada “Guerra das Moedas” conceito criado por mim, no ano de 1998 antecipando um chinês que lançou um livro com este nome em 2007 e antecipando ainda um inglês que lançou seu livro em 2010. Já a partir de 1997 eu, como integrador, trabalhando no Mercosul e sentindo a política do real passei a fazer contestação ao sistema alvitrado por FHC e Menem dizendo que iam levar seus países à falência. Foi uma questão de poucos anos para acontecer o previsto e para, depois de alguns anos, a política americana do dólar tomar outro rumo para obter um outro efeito usando os mesmos parâmetros aventados por Robert Mundel em sua teorética econômica ganhadora do Nobel. Constata-se que Fernando Henrique Cardoso fez uma expansão do meio circulante na época, no seu período de 8 anos de 59.6%. Lula, que lhe segue, nos seus oito anos procede a uma expansão monetária de 61% sendo que Dilma em seu primeiro período de quatro anos possibilita através de seu Banco Central uma expansão monetária na ordem de 23,6%, espantosamente ou surpreendentemente, para mim, uma expansão menor que a metade de qualquer um dos períodos que lhe antecedeu. Quando de seu período fiquei monitorando a expansão monetária de seu período sem cotejá-la diretamente com os períodos dos que lhe antecederam não possuindo assim uma visão holística e concludente sobre todos os períodos somados e suas recíprocas influências notadamente o último que é uma consequência dos primeiros períodos e uma caixa de ressonância das medidas tomadas nos períodos que o antecederam. Assim é que fora o endividamento do Estado Nacional Brasileiro, interno, que na era Fernando Henrique Cardoso foi orçado em 760 bilhões, chegando a atingir, no governo Lula, o patamar de 1,2 trilhões, sendo que no governo Dilma já anda em 2,2 trilhões de reais!! A Diretora de Comunicação do Instituto Liberdade, Joanna Maldonado Renner, afirma em seu artigo publicado em 2.06.2015 um dado já conhecido e repudiado pela Sociedade Civil, isto é, que “os impostos representam 41% do PIB” e que…”segundo estudo do IBPT, divulgado em maio, o brasileiro trabalha durante 5 meses inteiros para pagar tributos..” (ZH – Opinião – fls. 21 – 02.06.2015). Ora, estes dados nefastos causados pelo Estado que é um legítimo “chupa cabra” ou carrapato da Sociedade Civil, agrava-se muito mais, sem que as pessoas e os economistas e contabilistas percebam, pois a carga de impostos diretos e indiretos é muito maior e daninha. Sim, não foi somado a este problema o chamado imposto indireto causado pela emissão do governo, que sem trabalho algum suga de quem trabalha, pela emissão pura e simples, causando a desvalorização monetária ou a perda do DIREITO À MOEDA que tratei no conceito de Guerra das Moedas. Assim é que o governo Dilma está sendo atacado violentamente como causador único do processo inflacionário que estamos vivendo mas na realidade ele é a ponta de lança de um processo de inflação monetária interna que começou no governo de Fernando Henrique Cardoso, passou por Lula que usou e abusou da mesma prática chegando a Dilma que exacerbou da mesma forma, não ultrapassando seus dois antecessores, como já se viu. Ora, somada toda a expansão do REAL COMO MOEDA nós temos, para contrastar que no governo FHC o meio circulante orçava 22,9 bilhões sendo que este mesmo meio circulante ou base monetária, inflada pelos três governos que se somaram, fizeram com que a bolha monetária interna estufasse numa alíquota estratosférica de 241 bilhões conforme estimativas do Banco Central para 2015!!!!!!!! O PARADOXO MAIOR QUE CONSTATAMOS NISTO TUDO É A POLÍTCA DO MINISTRO LEVY que está tratando só das feridas do Estado Nacional que, como dizia no começo deste artigo, deveria ser MEIO E NÃO FIM ASSINADO CONSTITUCIONALMENTE. Assim é que o Ministro Levy, sem se importar com a SOCIEDADE CIVIL E A CIDADANIA OBJETOS E ESCOPOS MAIOR DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 INVERTENDO OS AXIOMAS CONSTITUCIONAIS SALVA O ESTADO DEIXANDO A SOCIEDADE CIVIL AO DEUS DARÁ. Sim, por que a politica econômico financeira do Ministro saneia exclusivamente as contas estatais racionalizando seus gastos e baixando o nível de seu comprometimento, retirando da mesma forma a atividade SOCIAL do Estado e suas ações POSITIVAS pois corta direito dos trabalhadores, QUE SERIAM TAMBÉM FINS DO ESTADO DEMOCRATA SOCIAL COLOCADOS NA PARTE PREAMBULAR DA CONSTITUIÇÃO DE 88 QUE SERIA O COROAMENTO DEMOCRÁTICO DOS PERÍDOS DITATORIAIS DO TENENTISMO DO CEDO VARGUISTA E DO TENENTISMO DO TARDE DAS DITADURAS MILITARES, QUE NÃO ALTERARAM UMA VÍRGULA DO REGIME VARGUISTA. Assim é que os juros usurários da taxa SELIC que estimula os juros bancários de forma a saquear a cidadania endividada previamente pelos estímulos monetários e medidas ditas “macro-prudenciais” que antecederam as eleições mas que causaram, através do crédito fácil, da diminuição dos depósitos compulsórios bancários, da política salarial com ganhos acima da inflação, bolsa isto bolsa aquilo, hoje estancados, que colocam a cidadania e a Sociedade Civil em plena crise. Ora, a crise ainda é exacerbada na Sociedade Civil pois o meio circulante expandido e que vem sofrendo este processo de expansão desde Fernando Henrique Cardoso, com relação a nova moeda ali criada e que ainda hoje está em vigor, O REAL, digo e repito, esta política não vê sua inflexão ou seu retorno através do enxugamento da bolha monetária mas a CONTÍNUA EXPANSÃO E QUE NO PERÍDO DE 2014 PARA 2015, CONFORME DADOS DO BANCO CENTRAL PASSA O MEIO CIRCULANTE DE 231 BILHÕES para a quantia de 241 BILHÕES. Ora, certamente aqui alguns dirão que me logram flagrar em CONTRADIÇÃO pois eu dizia que a política de “estímulos” americana, seja a expansão do dólar e do yuan, deveria ser seguidas por uma expansão monetária dos demais países, como o Japão, que no ano retrasado e neste ano passado, expandiu o yen em 50% e depois mais 50%. No entanto é de analisar que por isto e por outros dados, o Japão é um dos países com o maior grau de endividamento do setor público ou melhor do Estado Nacional que se agrava frente a esta expansão monetária. Falei também em outros artigos do problema das moedas que não têm as mesmas propriedades da moeda americana ou das moedas mais internacionais, como também é o euro, pois não possuindo capilaridade nem conversibilidade a moeda Real fica enquistada no espaço soberano territorial brasileiro criando uma bolha monetária que inflaciona os preços e que não é abaixo de juros e as medidas, que respeitam tão somente ao Estado Nacional Brasileiro, que a economia da SOCIEDADE CIVIL, que nos termos constitucionais deveria ser O FIM DO ESTADO, se recuperará, pelo contrário, as medidas referentes ao Estado Nacional e abonadas pelo Ministro da Fazenda atual, LEVI vem favorecer os segmentos RENTISTAS, FINANCEIROS E DOS BANCOS; VEM BENEFICIAR OS CAPITAIS OLIGOPOLIZADOS E O MESMO CAPITAL RENTISTA QUE DOMINA OS ESTADOS NACIONAIS INVERTENDO O EIXO DE SUA SOBERANIA CONSTITUCIONAL COLOCANDO O ESTADO – QUE É MEIO PARA A FELICIDADE DAS SOCIEDADES CIVIS, NÃO A SERVIÇO DELAS, MAS A SERVIÇO E PARA SEGURANÇA DO CAPITAL RENTISTA QUE INDICA MINISTROS E DOMINA AS ESTRUTURAS DO ESTADO NACIONAL TENDO-O COMO UM REFÉM SOB A ESPADA DE DÁMOCLES DE ATAQUES ESPECULATIVOS E OTRAS COCITAS MÁS.!!!! A política do Ministro Levy é facultada por um estado e uma constituição que se diz democrática mas que, PARADOXALMENTE, a lei e leis que regem as finanças e o sistema financeiro serem HERANÇAS OU O VERDADEIRO ENTULHO AUTORITÁRIO DA REVOLUÇÃO DE 64 QUE ATRAVÉS DA LEI 4595 CRIA O SISTEMA FINANCEIRO DOMINADO PELOS BANCOS PÚBLICOS – QUE SUJEITAM O ESTADO NACIONAL AS POLÍTICAS DE GOVERNOS E NÃO DE ESTADO – COMO TRATADO NO ÍNÍCIO DESTE ARTIGO – PERVERTENDO AS RAZÕES CONSTITUCIONAIS EM QUE A SOCIEDADE CIVIL E A CIDADANIA DEVE SER FIM E O ESTADO MEIO DE SATISFAÇÃO DESTES FINS. Não, pelo contrário, o que vivemos sob a ótica desta deturpação ou legítima deformação constitucional, financeira e política é que o ESTADO NACIONAL em xeque, pelas políticas temerárias destes governos que não trabalham para a SOCIEDADE CIVIL mas trabalham para assenhorar-se do ESTADO NACIONAL E COM ELE E SEU DISPOSITIVO COLOCAREM A SOCIEDADE CIVIL A SERVIÇO DE SUA CONCEPÇÃO DE ESTADO. O QUE CONSEGUIRAM NÃO FOI O QUE PRETENDERAM MAS CONSEGUIRAM ENFRAQUECENDO O ESTADO FAZER COM QUE O ESTAMENTO RENTISTA FINANCEIRO ATRAVÉS DESTES MIRACULOSOS ADMINISTRADORES – COMO O MINISTRO LEVY – PASSE A REPASSAR, ATRAVÉS DE JUROS ESCORCHANTES PARA PAGAR O HETGE DO ESTADO FALIDO, PARA O CAPITAL RENTISTA MUNDIAL E NACIONAL OLIGOPÓLICO!!! Enxugar a moeda não foi feito, pelo contrário, aumentou-se ou manteve-se a expansão monetária no mesmo ritmo dos governos passados. Eu pergunto a menina idealista Joana Maldonado Renner: Não são somente 5 meses da nossa vida, nem 41% tão somente do PIB nacional mas muito mais na relação de IMPOSTO INDIRETO que é aquela que se deduz do inchamento do MEIO CIRCULANTE FEITO ATRAVÉS DA EMISSÃO PURA E SIMPLES DE MOEDA ENQUISTADA COMO UM OCEANO DENTRO DA BOLHA DE SOBERANIA NACIONAL!!!! Os erros sociais democratas de FHC somam-se os erros comunistas ou pretensamente socialistas de Lula e Dilma que nos colocaram reféns do estamento financeiro que manda e não pede neste pobre Brasil e deste pobre Povo tão explorado e oprimido pelo CAPITAL RENTISTA QUE SUGA A SEIVA DO MUNDO COM SUA BOTA SOBRE O PESCOÇO E A JUGULAR DE UM ESTADO NACIONAL SUBJUGADO PELA USURA FINANCEIRA MUNDIAL!!!! QUOSQUE TANDEN CATILINA ABUTERE PATIENTIA NOSTRA!!!!
VOU PUBLICAR ABAIXO OS DADOS FORNECIDOS PELOS RELATÓRIOS MONETÁRIOS DO BANCO CENTRAL PRODUZIDOS E PUBLICADOS ANO A ANO DESDE 1995 – CONFORME SITE DO BANCO CENTRAL – PARA CHEGAR AS CONCLUSÕES QUE CHEGUEI ESTUDEI ESTES DADOS. O cálculo matemático e a razão daqueles que trabalham com este instrumental poderão tirar mais ilações e conclusões do que eu tirei pois tenho raciocínio matemático mas não me dou bem com a matemática usual e por isto minha formação jurídica e social!!!
PERÍODO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
ANO MEIO CIRCULANTE OU BASE MONETÁRIA
1995
1996 22,9 bilhões
1997 28,0 bilhões
1998 32,8 bilhões
1999 41,2 bilhões
2000 48,5 bilhões
2001 52,3 bilhões
2002 57,3 bilhões
PERÍODO LULA 2003 – 2010
2003 66,3 bilhões
2004 69 bilhões
2005 73 bilhões
2006 82,7 bilhões
2007 123,5 bilhões
2008 146 bilhões
2009 145 bilhões
2010 173 bilhões
PERÍODO DILMA
2011 184 bilhões
2012 205 bilhões
2013 215 bilhões
2014 231 bilhões
2015 241 bilhões
ASSIM É QUE O BANCO CENTRAL CONTINUA A EXPANDIR UM MEIO CIRCULANTE OU A BASE MONETÁRIA EXPANDINDO-A E ISTO É QUE REDUNDA EM INFLAÇÃO QUE É UM IMPOSTO INDIRETO SOBRE A SOCIEDADE CIVIL QUE SOMA-SE AOS DEMAIS IMPOSTOS DIRETOS E LEGAIS. O SR. MINISTRO DA FAZENDA PELO QUE É DEMONSTRADO PELOS DADOS DO BANCO CENTRAL, AO CONTRÁRIO , NÃO PAROU DE EMITIR MOEDA…EMITE MOEDA E AINDA QUER AUMENTAR IMPOSTOS…SUA POLÍTICA É CONTRA A SOCIEDADE CIVIL E CONTRA TODA A CIDADANIA…OS EMPRESÁRIOS NACIONAIS TEM DE TER CONSCIÊNCIA SOBRE ESTE FATO POIS ESTÃO SENDO LEVADOS A FALÊNCIA POR ESTA POLÍTICA DE LEVI QUE LEVARÁ A SOCIEDADE CIVIL E O PAÍS A UM PROCESSO QUE FOI CHAMADO PELOS ECONOMISTAS DE ESTAGFLAÇÃO! ESTAGNAÇÃO…PIB O OU NEGATIVO COM INFLAÇÃO POIS A QUEDA DO DÓLAR PERANTE UM CESTO DE MOEDAS INTERNACIONAL NÃO COMPENSA A EMISSÃO…E PELA DEFORMAÇÃO, DA FALTA DE CAPILARIDADE E DE CONVERSIBILIDADE A MOEDA ESTANCA EMPOÇADA NO TERRITÓRIO NACIONAL CAUSANDO ESTA DEFORMAÇÃO. NÃO É O CASO DO DÓLAR QUE É ENTESOURADO E QUE ESCAPA DO TERRITÓRIO AMERICANO POIS COMO EU DISSE É A MOEDA DA LIBERDADE!! O REAL DO JEITO QUE ESTÁ É A MOEDA DA NOSSA ESCRAVIDÃO MINISTRADA PELO MINISTRO FEITOR LEVY!!!!!
PAULO BROSSARD DE SOUZA PINTO – DISCURSO PANEGÍRICO
DISCURSO PANEGÍRICO PARA PAULO BROSSARD DE SOUZA PINTO
FALA INTRODUTÓRIA AO PANEGÍRICO EM HONRA AO DR. PAULO BROSSARD DE SOUZA PINTO EM SESSÃO SOLENE DA ACADEMIA RIO=GRANDENSE DE LETRAS – 28.05.2015 NO AUDITÓRIO DO FORTE APACHE – MEMORIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO.
“El hombre no mate el hombre
Ni pelee por fantasia
Al hombre, mas que el sable y
Qui la lança
Suele servir la confiança
Que el hombre tiene in si mismo!!”
Versos de José Hernandez em Martin Fierro.
Abro dizendo: O Homem que ora homenageamos, o Ministro Paulo Brossard de Souza Pinto foi um homem que teve confiança em si mesmo!!!
Assim é caros Senhores ! – Por esta razão antes de começar minha fala, à guisa de preleção, coloco, depois de fazer uma imersão de mais de 70 anos na obra e na vida do homenageado, Dr Paulo Brossard de Souza Pinto, tenho a dizer que inevitavelmente quem perpassa os acontecimentos da história defronta-se com as teorias que abordam a mesma num eterno ciclo de repetições de processos semelhantes que emergem entre o esquecimento histórico do ser humano, dos valores e um movimento alternado em busca do resgate destes mesmos valores eternos para o homem e para a sociedade onde vive pois que defluem de sua própria natureza e condição humana. O surgimento da civilização deu-se através de uma seleção de procedimentos que se projetaram primeiramente no “FAS” (O DIVINO) na forma divina para depois, num segundo momento, num lento processo de decantação, separar-se o que era teológico do que era laico ou puramente civil. Estas oscilações entre ganho de referências e suas perdas era descrita pelo meu velho professor de Direito Constitucional, o desembargador Ruy Rubem Ruschel, como um sistema de sístoles e diástoles, fechamentos e aberturas tanto do sistema internacional, como dos sistemas nacionais constitucionais. Ele demonstrava a oscilação entre sístoles e diástoles no constitucionalismo brasileiro através da análise do bloco de constitucionalidade histórico oscilando o princípio federativo e o principio centralizador concomitantemente ao princípio democrático contraposto ao princípio ditatorial. Assim é que começamos em sístole, fechamento com a constituição de 1824 outorgada pelo Imperador D. Pedro I. Passamos num segundo momento, em 1891 para uma diástole pendente a democracia e ao regime federativo. A partir de 1930, 34 e 37, o apogeu do sistema de sístole que foi a contração do tenentismo do cedo sob a égide da Constituição de 37, a Polaca de Don Gêgê primeiro e último. Em 46 voltamos ao sistema de abertura ou diástole sendo que logo após, em 64, com o ressurgimento do Tenentismo do Tarde temos a recidiva do fechamento e de uma sístole que tem a sua exacerbação registrada no escalonamento de 1967 e seu ápice em 1969, com seus atos institucionais. O ano de 1988 é a cúspide do aperfeiçoamento do constitucionalismo social iniciado com o movimento de 1930 mas já sob um sistema democrático, isto é dizer de diástole e abertura. Nos anos vindouros teremos o que?? Estamos vivendo tempos de crise já vividos anteriormente e isto deflui das colocações e da consciência política, intelectual e filosófica de Paulo Brossar de Souza Pinto, que foi além de parlamentar, professor emérito de Ciência Política e Direito Constitucional nas Faculdades de Direito da PUCRS e da UFRGS. O Dr. Ruy Rubem Ruschel, com certeza abeberava seus voos doutrinários, contestando a futura mudança do regime ditatorial de 1964, pois lecionava por volta dos anos 70, certamente estribado nos intelectuais que lhe antecederam nestas considerações, como o célebre Carlos Cóssio com sua teoria sobre os fluxos e refluxos, que possuíam natureza análoga ao sistema prelecionado por Ruschel. Mas observando-se a evolução da teoria relativa às oscilações da natureza humana, com relação a corrupção e ao colapso estrutural de suas estruturas constata-se que já Nicolau Maquiavel, em 1531, em sua obra sobre a Primeira Década de Tito Lívio desenvolvia uma teoria que é a matriz inconteste e originária destas teorias todas destacando a resistência do nome de Maquiavel ante a história em face da dureza e da pureza da força de suas ideias que como um diamante imarcescível continuam a vencer o tempo por força da sua verdade intrínseca, qual seja, a realidade, usando uma imagem singela, de que tanto o uso da água, como o uso do fogo para purificar o Estado – o uso da ditadura\sístole alternado e substituído pela democracia\diástole – , como artefato ideal de segurança e harmonia de convivência jurídica entre a diversidade, repito, tanto uma técnica de depuração, como outra, ambas resultam sempre num processo de corrupção que tem de ser resgatado por um esforço e uma vigilância constante através de um verdadeiro sacerdócio de dedicação, como querem os positivistas ou através de uma postura espartana!! Só àqueles ascetas do espírito, lacedemônios por condição de unção da providência e da regra de sacrifício, serão os escolhidos, por esta providência, para serem os guardiões dos valores através do tempo lutando e ofertando a sua vida, em constante luta, contra a perversão dos valores do tempo e do homem!!! Tenho que o conhecimento não é um objeto hedônico, nem um adereço simplesmente de estamento social que diferencia as pessoas pela sua cultura discriminando-as. Creio firmemente que o conhecimento das ideias e das obras feitas por quem quer que seja, deve, como deflui da lógica inexorável do finalismo da razão, servirem para um aperfeiçoamento, tanto do indivíduo, como da Sociedade Civil onde está imerso. Assim é que a título de preleção, coloco este ganho de consciência, tecendo uma analogia dos tempos passados, vividos pelos lutadores Gaspar da Silveira Martins, Joaquim de Assis Brasil e do nosso homenageado, que lutando em várias épocas do Império e da República do nosso Brasil, souberam defender com arrojo e destemor a corrupção, a tirania, a sedição e a destruição das instituições públicas mediante a defesa da higidez das leis e da Constituição, em suma, do Estado Democrático de Direito, que hoje, da mesma forma está tão ameaçado como nos diversos passados que tivemos. Esta é a mensagem que deflui da obra e da vida de luta de Brossard!! Não quero esquecer que meu querido e inesquecível professor de Direito Constitucional, o desembargador Ruy Rubem Ruschel advertia que as formas e os sistemas políticos, se fossem exercidos em obediência aos seus vetores originais, seriam todos perfeitos e que, a imperfeição humana, é que os corroeria. Acrescento ainda, o ganho de experiência ouvido em uma entrevista que fiz com o grande poeta Vinicius de Morais, em meu tempo de acadêmico de direito, quando possuía um Jornal cognominado O DEBATE e que, entrevistando o poeta, ouvi de sua parte a seguinte assertiva, ali no mezanino do antigo hotel Rishon, onde se hospedava com Toquinho, Jece, sua esposa e sua troupe artística: “Nós não podemos é justificar o injustificável e o intolerável…como Hitler e o nazismo….”
Saúdo as autoridades nominadas e ao distinto público presente a esta sessão póstuma,
A Academia Rio-Grandense de Letras, fundada há 113 anos, em 1º de dezembro de 1901, nos moldes e parâmetros da Academia Francesa de Letras, inaugurada em 1645 pelo cardeal Richelieu com o formato original de 40 cadeiras tem, por consequência de imperativo estatutário insculpido em seu art.6 e § único, a fim de declarar vaga uma de suas cadeiras, homenagear, no prazo de 90 dias o seu titular desaparecido. Só assim, cumpridas estas formalidades estatutárias, poderá ser declarada a vacância da cadeira podendo, posteriormente ao discurso panegírico, ser preenchida a mesma. O nosso querido confrade, hoje homenageado, o Ministro, ex-Senador, Deputado e insigne orador e escritor, o Dr. Paulo Brossard de Souza Pinto, falecido em 12 de abril do corrente, que ocupava a cadeira nº4 que tem por patrono e fundador o insigne, também senador e deputado do império e da república Gaspar Silveira Martins, prócer liberal, da revolução de 1893. Para dar a tessitura da obra e da figura humana deste grande estadista que foi Paulo Brossard de Souza Pinto, eu, como Presidente da Academia, convidei ao ilustre seu ex-colega de senado, o Presidente Sarney, ocupante da Cadeira nº38 da Academia Brasileira de Letras, que aqui esteve recentemente nos brindando com conferência sobre a história da literatura gaúcha. José Sarney, em correspondência endereçada à Academia lamenta profundamente não poder comparecer ao preito em honra ao amigo registrando, para a história, “… os cumprimentos aos acadêmicos, transmitindo a enorme admiração pelo homem público, pelo jurista e pelo orador parlamentar – nas palavras de José Sarney, ex-Presidente da República, foi Brossard um dos maiores da história do Brasil – ao mesmo tempo que grande figura humana…”(mail de 15.05.2015 – firmado pelo assessor Pedro Costa). Ora, no afã de cumprir fielmente com o desiderato de fazer uma retrospectiva da obra e do autor, como criador e como ser humano, no dizer de José Sarney, me desvelei em buscar pessoas que privaram com o Ministro Paulo Brossard. Primeiramente contatei seu neto amado, meu ex-aluno na Faculdade de Direito da Universidade Federal, o Dr. Marcos Brossard Iolovicht, nosso convidado que já fez sua preleção. Conhecedor de um texto do professor assistente de suas aulas, na Faculdade de Direito da UFRGS, Dr. Jacy Mendonça, da mesma forma o contatamos através de outro amigo do Dr. Brossard, o escritor e grande causídico, o Dr. Amadeu de Almeida Weinmann. Em sessão da Academia também foi indicado para prestar seu testemunho de vida, pois serviu como assessor de Brossard junto ao Ministério da Justiça, o Dr. Sérgio José Porto, lente da Faculdade de Direito da UFRGS e ex-Diretor, da mesma, apontado que foi por nosso confrade o desembargador Jayme Pitermann. Contatadas todas estas pessoas disseram-se impossibilitadas em razão de afazeres e compromissos previamente assumidos, com exceção do neto amado que aqui compareceu para prestar seu testemunho de vida ao estimado avô. Nosso estimado confrade, Luiz Coronel, amigo e vizinho de Brossard, depois de minha fala fará, em sequência também sua homenagem. Ao Presidente da Academia coube por desinência em sessão da mesma, fazer o discurso panegírico do imortal Paulo Brossard de Souza Pinto. Acuso a ironia do tempo e o vento, pois estamos prestando as loas ao nosso homenageado, um libertador caudatário do federalismo de Gaspar Martins, no prédio do Palácio de onde se exercia o governo de seus adversários, os chimangos. Sim, aqui neste palácio cognominado historicamente de Forte Apache, o Memorial do Ministério Público, foi o palácio de onde Júlio Prates de Castilhos e, posteriormente, seu sucessor, Borges de Medeiros, chefes chimangos – lenços brancos – ou também chamados pica-paus, eternizados que foram em Antônio Chimango no famoso Poemeto Campestre de Ramiro Barcelos! Diz a lenda, inclusive, que aqui, depois do infausto de 10 de agosto em Carovi exumado pelo major Ramiro Oliveira, da Brigada, da Divisão Norte do Gal. Fermino de Paula em 1894, foram exibidos os despojos de Gumercindo Saraiva. A história desmente esta lenda pois Júlio de Castilhos, horrorizado com esta barbárie, ordenou que não se aproximassem do Palácio e ficassem longe de suas vistas. Sim, é aqui neste cenário, paradoxalmente, como se fosse uma vitória tardia dos maragatos, que a partir da fundação do Partido Libertador, em 1928, formado por remanescentes do antigo partido Federalista, tais quais como Raul Pilla e Joaquim Francisco de Assis Brasil que homenageamos, a bem dizer, o último elo desta corrente gloriosa do pensamento rio-grandense! Assim é que a corrente Federalista que veio do Império – liderada por Gaspar da Silveira Martins fundador da cadeira 4º – coincidentemente ocupada por seu correligionário de ideias parlamentaristas, o nosso homenageado Paulo Brossard!! Paulo Brossard não conheceu pessoalmente ao Conselheiro Gaspar da Silveira Martins mas conheceu seu companheiro de lutas, o Embaixador e Diplomata Joaquim de Assis Brasil. Lembro-me quando como Presidente da Academia, dirigimo-nos, eu, o Dr Avelino Collet e o Poeta e Publicitário emérito Luiz Coronel, para tratarmos de assunto referente a Academia Rio-Grandense de Letras, ao solar Brossard, ali na velha casa adquirida dos Axelrud, na rua Dario Pederneiras sendo ali recebidos pelo anfitrião Dr. Paulo Brossard, este confidencio-nos algumas de suas memórias e, entre tantas pérolas, aquela que revelava sua infância em Bagé quando um senhor de porte nobre adentra o armazém de seu pai e inicia uma conversa séria com o mesmo que pede, a Paulo Brossard, ainda menino, que vá pegar um copo d´água junto a sua mãe para servir a visita naquela manhã de canícula. Que entrando em casa, sua mãe perguntou se a visita era importante ao que o nosso confrade homenageado disse que pelas roupas e pelo porte senhoril era uma pessoa muito importante, sendo que sua mãe pegou dos cristais mais finos servindo uma água fresca que foi conduzida pelo menino até aquele ilustre visitante. Depois que seu pai mostrou várias mudas de cepas de uvas no pátio que possuíam para o visitante que, pelo seu vivo interesse manifesto, via-se que gostava do assunto de enxertos e plantações. Tendo o visitante indo embora, seu pai relatou-lhe que aquele era o famoso Embaixador Joaquim de Assis Brasil, grande chefe político federalista, libertador e, portanto, magarato, que lhes fazia a grande honra daquela visita. Estes laços de formação que povoaram seu imaginário infantil na casa paterna foram afluir no parlamentar Paulo Brossard de Souza Pinto servindo de vigas mestras no traçado de seus caminhos. A luta pelo parlamentarismo, a luta pelo estado democrático de direito, pela higidez eleitoral, pelo respeito às instituições democráticas, pela voz do parlamento e a constituição que são os acervos de luta do federalismo brasileiro e depois de seu herdeiro, o Partido Libertador que tinha como símbolo um barrete frígio da revolução francesa, mesmo símbolo que honrou os soldados da revolução farroupilha também em 1835! Falando em tempo e vento é de rememorar nosso grande escritor Érico Veríssimo, que na contra-capa da obra escrita por Paulo Brossard, cognominada OPOSIÇÃO, editada pela LPM, 1975\76, teve sua carta de próprio punho, em fac-símile, reproduzida dando seu voto à Paulo Brossard, com estas palavras: “Porto Alegre, 05 de novembro de 1974. …Prezado Amigo: Quero deixar público que vou dar-lhe o meu voto para senador da República nas próximas eleições. Ali Érico Veríssimo alinhavando uma série de argumentos em prol da candidatura de Brossard termina dizendo que: “quero ouvir sua voz no Senado para atacar a Censura e essa vergonhosa lei 477, bem como para lembrar o governo de que o Brasil é signatário da Carta de Direitos Humanos da ONU. Estou também certo de que com sua inteligência lúcida, a sua coragem pessoal e seu espirito combativo V. procurará refutar essa semântica oficial, que está subvertendo a nossa sintaxe política, social e econômica, tornando realismo sinônimo de pessimismo e equiparando qualquer critica desfavorável ao atual regime, a um ato de terrorismo. É por tudo isso, meu caro Dr. Brossard, que eu e mais três pessoas desta casa vamos dar-lhe o nosso voto no dia 15 de novembro. Um cordial abraço de Érico Veríssimo.” Mais forte ainda, é o testemunho de Mário de Almeida Lima, em seu prefácio cognominado de Duas Palavras, no mesmo livro supra citado, que lembrando a linha política federalista e libertadora defendida por Paulo Brossard, à fls 9, lembra o causo histórico relatado em que, quando da celebração do Pacto de Pedras Altas – lá no Castelo de Assis Brasil – hoje município de Pinheiro Machado, o Marechal Setembrino de Carvalho, cansado com as discussões que ali se davam, deu um murro em cima da mesa, perdendo o controle, exclamando a peito aberto: – Mas afinal, o que é que os senhores querem? Sendo que o velho Honório Lemes, revolucionário de primeira hora em 1893 – era um menino ainda – e general em 1923, batendo na mesa com mais vigor ainda, retorquiu-lhe de pronto: “Nós queremos leis que governem os homens e não homens que governem as leis!” Esta frase pronunciada por Honório Lemes, homem humilde do povo, ignorante e semi-analfabeto, é uma verdadeira aula de direito constitucional da qual Paulo Brossard foi professor na PUC|RS e na UFRGS. Esta frase antecipa em anos o parâmetro dado pelo célebre constitucionalista José Gomes Canotilho, em sua obra máxima, que afirma como pilar do Estado Democrático de Direito que a Constituição é o Estatuto Jurídico do Político. Isto é, em outras palavras, que é essencial a existência do exercício do político dentro das instituições do Estado de Direito e do Estado Nacional mas, que este exercício tem de se pautar dentro das limitações estatuídas pela Constituição e pelas Leis, obedecendo a supremacia hierárquica daquela sobre a legislatura ordinária. Paulo Brossard de Souza Pinto, como parlamentar, como articulista, como político, como causídico, como professor de direito constitucional e inclusive de direito civil não abandonou a senda das ideias e fez de sua vida a máxima esgrimida pelo seu ancestral mestre Conselheiro Gaspar da Silveira Martins, que afirmava: “Ideias não são metais que se fundem!!” Repito, fez desta máxima a bússola de sua vida sempre orientada para o cerne, o fulcro, o núcleo duro, do problema concernente a liberdade e a igualdade tratado pela doutrina constitucionalista. As lutas de Paulo Brossard seguiram sendo as mesmas análogas àquelas da revolução de 1893 contra o governo imperial e discricionário do Marechal Floriano Peixoto, no âmbito federal e, no âmbito estadual, da ditadura positivista de Júlio Prates de Castilho e, em sequência de Antônio Borges de Medeiros. Brossard, nascido em 23 de outubro de 1924, em Bagé, não participou de nenhuma destas revoluções que marcaram a luta de seus ancestrais correligionários de ideias mas, herdeiro destas pensamentos, veio a partir da segunda metade do século XX, assumir como lidador fiel destas mesmas ideias generosas do grande partido Libertador que desprezava, por doutrina essencial, a concentração de poder dos Executivos, assim é que Brossard, frente a ameaça a ordem constitucional manteve-se sempre ao lado da Bussola Constitucional, do Regime Constitucional do Estado Democrático de Direito. É ele e é seu testemunho colhido na Obra EVOCANDO PONCHE VERDE, impresso pela Gráfica da Livraria do Globo, Porto Alegre, 1970, que diz :”Tudo quanto poderia ser dito contra a situação deposta em 64, posso dizer sem jactância, eu disse. Quando muitos colaboravam abertamente com aquele estado de coisas, quando muitos com ele se acumpliciavam sob o pretexto de evitar males maiores, quando muitos reduziam a sua discordância a um silêncio prudente, quando muitos levavam as suas reservas ao cochicho furtivo, eu estive na linha de frente, lutando ao meu feitio, de peito descoberto. Líder da bancada libertadora na Assembleia gaúcha, quando o chão tremia e no ar se sentia o cheiro da tormenta, quando tudo era perigo, na desordem dos elementos, eu combatia dia a dia, sabendo o que enfrentava e os riscos que me aguardavam. Lembro isto para declarar que me sinto exonerado de atacar agora, que é fácil fazê-lo, aquele período que foi um pesadelo terrível. Já disse inclusive desta tribuna, e ainda não mudei de opinião, que a insurreição de 64 foi um ato de legítima defesa da nação contra um governo que a mal servia de forma progressiva. Se o sistema presidencial não fosse o que é uma expressão primária de organização democrática, se o mecanismo em que ele se baseia fosse apto a funcionar nos tempos modernos, o então Presidente da República (JANGO GOULART) teria de ser afastado do poder, desligado do cargo, nos termos da Constituição. Era caso de impeachment. Ocorre que o processo de responsabilidade consagrado no sistema presidencial não funciona, é inepto, é absolutamente imprestável. Esmein chamou-o de “precaução inútil”. “Ameaça pouco mais do que vã,”foi como conceituou Wilson. “É letra morta nas Constituições que o consagram”, observa Llama Barrios. Para Carrasco “ele é a consagração da irresponsabilidade”, e, mais do que instrumento de responsabilização, é “uma armadura de ferro que estabelece a impunidade”. Na frase de Ruy Barbosa é “um tigre de palha. Não é sequer um canhão de museu, que se pudesse recolher, entre as antigalhas históricas, à secção arqueológica de uma armaria. É apenas um monstro de pagode, um grifo oriental, medonho na carranca e nas garras imóveis”. É um instituto retardatário, já recolhido ao museu das antiguidades constitucionais em países onde a democracia evoluiu, onde as instituições não se ossificaram em modelos de século XVIII, pois o impeachment é “a arma das democracias em sua infância”, na exata observação de Aliomar Baleeiro. Dada a imprestabilidade do processo legal de apuração de responsabilidade presidencial, a solução, de 64 foi extra-legal, como sempre ocorre quando a temperatura da crise chega a incandescência.” Palavras de Paulo Brossard de Souza Pinto em sua obra EVOCANDO PONCHE VERDE, 1970, Livraria do Globo, fls. 3 e 4. Assim é que Paulo Brossard de Souza Pinto lutou sempre a boa luta ao lado das instituições, do governo das leis sobre os homens e não o lado daqueles homens que lutam contra as leis!!! Sua atividade como parecerista já aparece em publicação de 1956 quando a Assembleia edita seu trabalho DA OBRIGAÇÃO DE DEPOR PERANTE AS COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUERITO CRIADAS PELAS ASSEMBLEIAS LEGISLATIVAS – no affair que envolveu Raul Silva Gudolle; é de 1969 seu discurso proferido como Deputado, em 25 de outubro, Sobre a Eleição do Presidente Médici; Candente são as expressões e palavras que perfilam a eloquência do grande tribuno que em seu discurso OS DESCAMINHOS DA REVOLUÇÃO – 1975 – Senado Federal – em que Brossard destacando a declaração formal feita pelo Presidente Humberto de Alencar Castello Branco, em seu discurso de posse, perante o Congresso Nacional, que dizia que visava a: “restaurar a democracia e liberta-la de quantas distorções a tornavam irreconhecível……vimos assim a Nação, de pé, a reivindicar a sua liberdade e a sua vontade que, afinal, e nos termos da Constituição, se afirmou através do Congresso, legítimo representante dos ideias e aspirações do nosso povo” – Palavras de Castelo Branco citadas por Brossard e contrastadas pelo mesmo pelo paradoxo que ele constata:
“Passados onze anos, no entanto, e a despeito dos proclamados propósitos de normalização institucional, o País se encontra na dramática situação de, num mundo de incertezas e riscos, viver divorciado da regularidade jurídica, suporte insubstituível da ordem e da liberdade, da segurança e do bem-estar. Durante esse período, mais longo que o da Regência, mais duradouro que o do “Estado Novo”, é penoso registrar, operou-se contínua degeneração institucional, e a prometida restauração democrática tem sofrido sucessivos eclipses e adiamentos, até estacionar na constrangedora e humilhante situação atual. Para sair dela se anuncia agora novo esforço. No início da sessão legislativa, por força de dispositivo regimental, foi prestado o compromisso de “guardar a Constituição Federal”. Ora, como registraram deputados e senadores do MDB, a presença de “atos”, ditos “institucionais”, “anula a própria carta outorgada.” O Brasil não tem Constituição. Tem leis, não tem lei. Nesse fato aberrante reside a causa das causas da continuada insegurança em que vive o País. A segurança é filha da lei: a quebra da legalidade é mãe da insegurança. Mas a lei não consiste num papel impresso no Diário Oficial. A força da lei deriva da legitimidade de sua fonte geradora e da certeza, transmitida de geração em geração, de que ela obriga a todos, governados e governantes. Quando a lei é editada por quem legalmente, não tem competência para fazê-lo, quando a lei, como enfeite que se muda de lugar conforme o gosto, ou capricho, é mudada aqui e ali, consoante a conveniência do dia ou o embaraço da ocasião, está rompida a teia invisível da segurança jurídica, sem a qual não segurança alguma. E quando os governados não têm seguros os seus direitos, os governantes não têm seguro o seu poder. A segurança não é fruto da repressão, muito menos, da opressão; a quebra da legalidade é o germe da insegurança. O grave é que, uma vez rasgada a teia, fina, invisível, resistente, a teia inconsútil, muito tempo há de passar até que outra se venha a tecer e a impor-se como o segredo do seu cimento. A quebra da legalidade se opera num instante; a sua restauração exige continuados esforços. As constituições não se fazem necessárias, propriamente, em tempos calmos; elas se fazem imprescindíveis exatamente em tempos tumultuosos. Se a cada embaraço, se a cada dificuldade, se a cada tropeço, se a cada susto, se a cada crise, se suprimir ou derrogar ou suspender a ordem constitucional, será o caso de perguntar – para que Constituição? Mas é preciso ser lógico e coerente; os destinos do País ficam entregues aos azares do imprevisto, à sorte das armas, aos acidentes da força e aos aleatórios decretos da fortuna. Desaparecido o culto da legalidade, tudo pode ocorrer, de um instante para outro, num ou noutro sentido, imprevisto e imprevisível…Falou-se muito, em tempos idos, em “abertura”. A palavra se gastou de tanto uso e nada foi aberto.” Este é o discurso de Paulo Brossard, exímio constitucionalista, que com o instrumento da razão e da lógica irretorquível constitucional lutava em defesa da restauração da legalidade!; resgato aqui a citação de Reinhart Koselleck, em sua obra Crítica e Crise (Editora Universidade do Rio de Janeiro – 1999 – pág.128) sempre citada e corroborada pelo professor, nosso querido amigo, Angel Ricardo Oquendo, da School of Law of Conecticut, quando em suas aulas na Universidade de Berlim, como professor visitante relembrava, corroborando, o texto de Koselleck, de suma importância na Ciência Política, Teoria Geral do Estado e no Direito Constitucional, que analogamente a ideia esposada por Paulo Brossard a reproduz à semelhança: “Ao invocar a consciência humana e postular a subordinação da política à moral, Turgot inverte o fundamento do Estado absolutista, pois sua posição explicita o segredo da polarização entre o direito moral e o direito da violência. Mas, aparentemente, ele não questiona a estrutura de poder externa do Estado. As “leis” devem valer por si mesmas. A legitimidade moral é, por assim dizer, o esqueleto político invisível sobre o qual a sociedade se ergueu. Como não pode, por si mesma, atualizar uma influência política a legitimidade moral é imposta ao Estado absolutista como fonte de sua verdadeira legitimação. O poder do príncipe é destituido de seu caráter representativo e soberano, mas isso se faz sem que o poder, enquanto função, seja atingido, pois deve tornar-se uma função da sociedade. Diretamente apolítica, a sociedade quer reinar indiretamente, pela moralização da política.”; outra peça de oratória inesquecível e eterna é a “Desgarantia de Juízes e insegurança de Cidadãos” – de 1975 – em discurso proferido na sessão de 30 de setembro de 1975..apontando as fraquezas do Judiciário brasileiro, quando, reproduzindo matéria publicada pelo jornal Estado de São Paulo retrata o seguinte episódio: STF – Censura Prévia não pode Ser Julgada – O Supremo Tribunal Federal decidiu, ontem, acompanhando voto do Ministro Thompson Flores, que “é insuscetível de apreciação judicial a censura prévia de qualquer publicação literária ou artística, quando a medida, a cargo da Polícia Federal, decorrer de aplicação de Ato Institucional”. A decisão foi proferida no mandado de segurança impetrado pela Editora Paz e Terra”, responsável pela publicação do semanário “Argumento”, que não circulou além do terceiro número. Contendo colaboração de intelectuais brasileiros, entre os quais o pensador católico Alceu Amoroso Lima e o ex-candidato do MDB à Vice-Presidência da República, escritor Barbosa Lima Sobrinho, a edição de 18 de janeiro de 1974 já estava com a empresa distribuidora quando foi apreendida pelas autoridades policiais…discurso proferido em sessão de 03 de outubro de 1975 quando denuncia no Congresso a edição de notícia que retrata o fato de que “menino de dezessete anos, torturado na polícia, pode ficar sem braço aleijado.” Diz ele, Sr Presidente, esses excessos esses abusos tendem a generalizar-se na medida em que as autoridades, que recebem do povo brasileiro o poder, e também por ele são pagas para cumprir suas leis, praticam atos desta natureza sem serem responsabilizadas…” Pag. 29 – opus citae; Eu poderia ficar horas e horas enumerando falas e atitudes do nosso confrade, o Ministro e Senador Paulo Brossard de Souza Pinto…vou inclusive a voo de pássaro folhar o livro O Ballet Proibido, que trata do affair da proibição pela ditadura da exibição do Balé Bolshoi….vou utilizar a mesma técnica de oratória que o nosso confrade usava que era compilar anotações vivas de jornais, de publicações, de livros e fazendo suas observações vivazes e percucientes COMENTAR às fls.41 deste livro sob o título AS MORDOMIAS como se fosse no Brasil de hoje ele criticava o Brasil de ontem, de sua época e eis as distorções antigas semelhantes as mesmas distorções atuais que perduram a destruir e a macular as instituições e a república com sua corrupção, são estas as palavras do homenageado naquela época…”Os vícios contraídos pelo estamento superior da burocracia estatal deitam raízes fundas que se estendem aos funcionários do segundo e até do terceiro escalão da administração pública. E não se trata mais da ocupação indevida de moradias suntuosas junto ao Lago do Paranoá por Secretários Gerais e Assessores de menor qualificação. Segundo uma pesquisa realizada in situ pela reportagem desse jornal, os privilégios auferidos por essa aristocracia incluem aviões executivos, cartões de crédito, contas abertas em supermercados, passagens, diárias, participação nos lucros de empresas estatais, com balanço positivo ou negativo, sem esquecer regalias menores como franquia, paga pelo Governo, de serviços de buffet para as recepções mundanas, que se tornaram hábito quase diário da sede dessa República em via de desenvolvimento…” e eu juntado o que foi dito pelo homenageado mostro as semelhanças do passado ditatorial, com o nosso presente em pleno regime do que se diz democracia!!! É irônico e configura o que destaquei de início, a necessidade de legítimos ascetas com hididez hercúlea de formação e caráter para que, num ou noutro regime que tiveram justificativas de matar a corrupção e no entanto se corromperam, manter e iniciar novamente, como um Sísifo, a tarefa de lutar novamente e novamente contra a corrupção!!! Nas folhas 59 desta sua mesma obra sob o título POLITICA DA GASOLINA combate com pujança a idêntica e análoga política usada pela ditatura militar e atualmente utilizada pela nossa dita democracia, que congelou os preços dos combustíveis, antes das eleições, para assim ganha-las, para num momento posterior, descongelar os preços da energia elétrica fuel oil e gasolina sem se importar com o povo pois mantido o poder, seja ele ditatorial ou dito democrático!!! Da mesma forma é sua voz e seu testemunho registrada sob o título 31 de Março Promessas e Realidades, quando critica dizendo…”Sob o ponto de vista jurídico, o AI-5 é um ato ilícito. Ele foi expedido por quem não tinha competência para expedi-lo; era totalmente estranho às atribuições constitucionais do Poder Executivo, que o expediu. A Constituição de 1967, então vigente, e cujo cumprimento foi jurado exatamente pelos que expediram o chamado AI-5, a Constituição de 1967, a despeito de fortemente autoritária, não autorizava a quem quer que fosse fazer o que foi feito.”….esta sua atividade de fiscalização do poder público de cunho altamente democrático com relação a delegação do Povo Soberano foi exercida na juventude de nosso confrade, pois foi eleito muito jovem para seu primeiro mandato parlamentar, na sua maturidade e já quando, como árvore frondosa, exibia os cabelos encanecidos pelo tempo!!! Sim é recente, do ano de 2013 sua denuncia cujo título parodiando Shakespeare em Hamlet escreveu numa segunda feira, 11 de março de 2013 o artigo intitulado: “Algo de podre no reino do petróleo”. Sim, ali ele descrevia pela primeira vez aos olhos do público o grande escândalo de Pasadena quando a atual Presidente do Brasil, Dilma Rousseff cumulava a chefia da Casa Civil, do governo Lula da Silva concomitante ao exercício de Presidente do Conselho Administrativo da Petrobrás! Fato este, que de alguma forma, deflagrou a grande operação Lava Jato que tanta honra tem dado a nossa gloriosa Polícia Federal, ao Ministério Público e ao incansável juiz Moro, juiz de uma Magistratura Republicana que honra com seu destemor frente aos poderosos os princípios republicanos. Magistral é sua sempre constante ironia fina e graciosa pois ao fim deste artigo anota a efeméride mordaz, cortante como aço: Post Scriptum: “Estava a escrever este artigo quando fui lembrado da passagem dos 60 anos da morte de Stalin, ocorrida em 5 de março, fato que mereceria uma reflexão.” Sim, a República foi proclamada em 1891 em nosso país mas ainda está sendo gradativamente implantada numa luta que os Federalistas, que antecederam os Libertadores, heranças intelectuais cultivadas por este grande lidador democrata, republicano que foi o grande homem cuja história e integridade tenho a honra de hoje, como presidente deste silogeu, saudar de forma póstuma sua arte de oratória, suas ideias, e sua luta constante em prol do regime das leis que governem os homens e não dos homens que governem as leis!!!
Paulo Brossard de Souza Pinto deixou uma herança onde àqueles que lutam em prol dos direitos devem se espelhar; deixou a lembrança de seus gestos e suas palavras em discursos, em atos e em muitos livros e obras;
Destaco aqui, sua obra O IMPEACHMENT feita no ano de 1965 para o concurso de cátedra a que se submeteria perante a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Certamente a melhor e mais completa obra até hoje, sobre a temática do Impeachment. Esta sua obra foi reescrita e reeditada no ano de 1992, ano em que Brossard era Ministro do Supremo Tribunal Federal e ano em que Collor de Melo sofreu o processo de Impeachment iniciado em 14 de julho de 1992 por este que, ironicamente perante a história, profere hoje o discurso panegírico em honra ao Ministro Paulo Brossard. Em setembro daquele ano depois de vascilações do Congresso e pressionado pelas ruas e os caras pintadas e as bandeiras negras alçadas em todas as janelas do Brasil, a OAB e a ABI, a partir de setembro ajuizaram perante a Câmara dos Deputados o processo que deu início a demanda do Povo Soberano!! Paulo Brossard, mais uma vez, na sua atuação vai, como Juiz e Ministro da Corte mais alta da República, o STF, fazer valer sua inteligência pois seu voto foi no sentido de que a Lei 1079 de 1950, que regulamenta o processo de Impeachment, teria sofrido uma revogação parcial através da edição da Constituição de 1988, que, da forma alvitrada em seu voto e no seu novo livro, reescrito em consonância com a nova interpretação e o novo texto constitucional, suprimiam as fases alvitradas pela Lei 1079 que previa o funcionamento de uma primeira Comissão na Câmara dos Deputados, funcionando a modo de um Inquérito Policial, inquisitória e sem contraditório, para, num segundo momento, sem indicada uma segunda Comissão, a modo de um juízo de pronúncia e tendo já seu funcionamento pautado e obedecendo o princípio do contraditório, onde o Presidente acusado poderia apresentar e fazer sua defesa frente às acusações coligidas na primeira fase e apresentadas pela primeira Comissão aos trabalhos desta Segunda Comissão. Toda esta alternativa legal alvitrada pela Lei 1079 de 1950, na leitura da Constituição de 1946, foi suprimida pela edição, na visão de Paulo Brossard publicada em seu livro modificado, substituindo assim, por aceitação deste pensamento interpretativo, sob a égide e a orientação da nova constituição de 1988. Paulo Brossard, de certa forma, sob sua influência parlamentarizou ainda mais o regime de 1988 que a modo da constituição de 1946, irmã xifópaga da constituição de 1988 pois ambas egressas de Regimes de Arbítrio e Ditatoriais que, de forma idêntica, alvitraram transferir para o Congresso a governabilidade dada e oferecida ao Executivo que, por estes artifícios, transformou-se simplesmente no órgão executor do que seria decidido, em última análise, pelo Congresso Nacional. O Presidencialismo Brasileiro Parlamentarizou-se sob o regime instituído em 1946 e exacerbado ainda mais em 1988 pelo voto de ballotage, duplo turno francês que instituiu o regime das coligações que, através da rifa das secretarias e dos ministérios, possibilitava o cimento da chamada governabilidade – se esta governabilidade não era alcançada de forma através do diálogo político, muitas vezes, na ditadura os deputados e senadores eram cassados e, na atualidade, comprados através do processo espúrio do chamado mensalão que se espraiou corrompendo a Nova República!! Brossard não quis nem uma das alternativas, manteve-se sempre, sob o fogo ou sob a água, na ditadura ou no que se pretendia como democracia, sempre crítico, sempre lúcido, sempre fiscalizando para que as instituições não se corrompessem. Ele sabia que o escopo da legislatura não é só fazer leis mas também fiscalizar o exercício do poder coisas que muito poucos, raros homens o fazem, como Paulo Brossard sempre o fez!!!
Se por um lado temos a história de seu pensamento e de seus atos, atitudes e lutas, por outro lado temos também uma visão, pode-se dizer geográfica ou, melhor dizendo, topográfica de sua vida, como é aquele resumo que enumera o seu histórico e foi registrado pelo Supremo Tribunal Federal:
“PAULO BROSSARD DE SOUZA PINTO nasceu em 23 de outubro de 1924, em Bagé, no Rio Grande do Sul, filho de Francisco de Souza Pinto e D. Alila Brossard de Souza Pinto.”
“ Realizou os estudos primários no Colégio Espírito Santo, das Irmãs Franciscanas, e o curso ginasial no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, dos Padres Salesianos, ambos em Bagé.”
“Transferiu-se, posteriormente, para Porto Alegre onde cursou o Pré-Jurídico (1941-1942) e ingressou na Faculdade de Direito de Porto Alegre, hoje integrante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, colando grau em 1947.”
“Foi solicitador nos dois últimos anos do curso de Direito (1946-1947), passando a advogar a partir de 1948. Essa atividade foi exercida cumulativamente com o magistério e a ação político-partidária sem que abandonasse sua atração pela agricultura e pecuária.”
“Na área do magistério foi professor de Direito Civil (1952) e de Direito Constitucional (1966) da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Regente-Substituto da cadeira de Teoria Geral do Estado na mesma faculdade (1961) e professor de Direito Constitucional na Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul (1965), concorrendo para essa vaga com a dissertação O Impeachment – Aspectos da Responsabilidade Política do Presidente da República, obra que se tornou referência obrigatória sobre o assunto. Em 1972, o Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul determinou ao Diretor da Faculdade de Direito fizesse cessar o magistério que, “segundo consta” (sic), Paulo Brossard de Souza Pinto vinha exercendo, pela manhã e à noite, por designação do Conselho Técnico-Administrativo da Faculdade, na condição de candidato à cátedra regularmente inscrito em concurso. Desde então jamais voltou a lecionar naquela Faculdade.”
“A política atraiu-o desde muito cedo, tanto que, em seu discurso de posse na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, a 4 de junho de 1992, declarou: “Desde estudante, até o dia em que me vi coberto pela toga, exerci a atividade política”.
“Foi eleito Deputado à Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, pelo Partido Libertador, em 3 de outubro de 1954 com 30 anos incompletos e reeleito para as duas legislaturas seguintes, mantendo-se Deputado Estadual até 1967.”
“ Foi Líder do PL na Assembléia Legislativa e Membro da Comissão de Constituição e Justiça, onde elaborou pareceres de elevado valor científico, dos quais são exemplos: “Reexame de uma velha questão constitucional (prazo para apreciação do veto)”, Revista Jurídica, vol. 47; “Deputado Estadual. Vencimento de Cargo Público e subsídio parlamentar” (1956), Revista Forense, vol. 172; “Brasileiro naturalizado pode ser eleito Deputado Estadual. A Assembléia não responde pelos subsídios durante o retardamento de diplomação de Deputado Estadual pela Justiça Eleitoral” (1956), Revista Forense, vol. 170; “Imunidade Parlamentar. Licença para processar Deputado Estadual. Crime Comum. Licença”, Revista Forense, vol. 169, p. 79 e “Da obrigação de depor perante as Comissões Parlamentares de Inquérito criadas pelas Assembléias Legislativas” (1956 – informações em habeas corpus).”
“ Exerceu o cargo de Secretário do Interior e Justiça de seu Estado natal em 1964, a convite do então governador Ildo Meneghetti.”
“Em novembro de 1966, foi eleito em sublegenda Deputado Federal pelo MDB – Movimento Democrático Brasileiro, mantendo, contudo, uma postura de independência na ação parlamentar (1967-1971).”
“ Findo o mandato, retornou a Porto Alegre, reiniciando as atividades de advogado e professor de Direito a que sempre se dedicara, mas, quatro anos depois, candidatou-se ao Senado, em memorável pleito.”
“Eleito Senador pelo mesmo MDB, depois Partido do Movimento Democrático Brasileiro, para a legislatura de 1975-1983, foi escolhido líder da Oposição, Presidente da Comissão de Finanças e Vice-Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal. Nesse período, envolveu-se na luta pela reforma constitucional, abolição do AI-5 e redemocratização do país. Em 1978, quando das eleições presidenciais, foi candidato pelo MDB a Vice-Presidente da República na chapa de Euler Bentes.”
“ São dessa época, dentre muitos outros, os seguintes discursos: “Os descaminhos da Revolução” (19-3-1975); “Isto não Pode Continuar” (30-9-1975); “O Balé Proibido” (29-3-1976); “31 de março – Promessas e Realidades” (31-3-1976); “É hora de Mudar” (6-9 e 10-5-1977); “A Ferrovia do Aço – Sonho dos Mil Dias” (13 e 14-6-1977); “Concentração bancária, triunfo da usura, endividamento da empresa” (27 e 29-6-1977); “O erro em que tive parte” (23-8-1977); “Ainda é tempo” (4,11,18 e 25-4-1978); “Final melancólico, futuro incerto” (7-3-1979); “Os náufragos da Arca de Noé” (29-3-1979); “Fazer, Desfazer, Refazer” (29-5-1979) e “Mensagem Inútil” (26-3-1980); “ICM – Desigualdade antinacional” (16-4-1980); “O Senado e as relações argentino-brasileiras” (24-4-1980); “Terrorismo Impune I” (27-8-1980); “Terrorismo Impune II” (10-9-1980); “Raiva de Política” e “Motivos Políticos” (10-11-1980); “O Rio Grande do Sul empobrecido e empobrecendo” (17-11-1980); “Recolhendo as velas” (5-12-1980); “Anistia e Torturas” (17-3-1981); “O Brasil, o mar e a exploração do solo submarino” (11-8-1981); “A crise da Previdência Social” (20-8-1981); “A Crise da suinocultura” (1º-9-1981); “Pacote protervo” (18-12-1981); “Para ganhar vale tudo” (7-1-1982); “A Corrupção e o caos na Previdência Social” (14-1-1982); “As mãos do general” (29-4-1982); “Questão fechada: cabimento e limites” (21-6-1982); “Habeas corpus para Seregni” (25-8-1982); “Onipotência das estatais” (16-9-1982); “O discurso do Presidente na ONU” (29-9-1982) e “Raiva de Política e Politicagem” (30-10-1982). Merecem realce, ainda, os discursos feitos por ocasião do centenário de João Mangabeira (23-6-1980) e em homenagem a Pontes de Miranda (17-4-1980).”
“ Em 1985, integrou a Comissão Afonso Arinos, incumbida de elaborar o anteprojeto constitucional, a ser oferecido como subsídio à Assembléia Nacional Constituinte.”
“Nesse mesmo ano, a convite do Presidente José Sarney, foi nomeado para o cargo de Consultor-Geral da República, que exerceu de 28 de agosto de 1985 a 14 de fevereiro de 1986. A seguir, foi nomeado Ministro de Estado da Justiça, sendo empossado no dia 15 de fevereiro de 1986 e permanecendo até 18 de janeiro de 1989.”
“ Foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal pelo Presidente José Sarney, por decreto de 13 de março de 1989, na vaga decorrente da aposentadoria do Ministro Djaci Falcão. Tomou posse a 5 de abril seguinte.”
“Em 17 de outubro de 1989, foi eleito Juiz Substituto do Tribunal Superior Eleitoral, passando a Efetivo a partir de 9 de abril de 1991, sendo empossado como Vice-Presidente em 21 de maio de 1991 e assumindo a Presidência em 4 de junho de 1992, nela permanecendo até 11 de maio do ano seguinte.”
“No Supremo Tribunal Federal, tomou posse no cargo de Vice-Presidente em 13 de maio de 1993, eleito por seus pares na sessão de 14 de abril anterior.”
“Proferiu discursos na sessão comemorativa do Centenário da Proclamação da República, em 9 de novembro de 1989; na sessão de homenagem póstuma ao Ministro Soarez Muñoz, em 20 de maio de 1992, e por ocasião da visita do Presidente da República Argentina, Carlos Saul Menem, em sessão solene realizada a 23 de agosto de 1989.”
“ Foi aposentado, por implemento de idade, aos 24 de outubro de 1994, depois de mais de cinco anos e meio de atuação, deixando significativa e brilhante contribuição para a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. A carta de despedida foi lida pelo Presidente, Ministro Octavio Gallotti, em sessão de 26 de outubro de 1994.”
“O Tribunal homenageou-o em sessão realizada a 9 de maio de 1996, quando falou, pela Corte, o Ministro Néri da Silveira; pelo Ministério Público Federal, o Dr. Geraldo Brindeiro, Procurador-Geral da República, e, pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, o Dr. Luiz Carlos Madeira.”
“ Foi das seguintes entidades culturais e profissionais: Ordem dos Advogados do Brasil, Secção do Rio Grande do Sul, inscrição nº 1403; Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul, desde 1948; Instituto dos Advogados do Brasil, na qualidade de sócio correspondente; Sociedade Henri Capitant para o Desenvolvimento da Ciência Jurídica; Academia Riograndense de Letras; Academia Mineira de Letras, na qualidade de sócio correspondente e Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, também como sócio correspondente. Foi presidente de honra do Instituto Pimenta Bueno, da Associação Brasileira de Constitucionalistas, com sede em São Paulo.”
“ No exercício das suas várias atividades, desde quando terminou o curso de Direito, participou de inúmeros congressos nacionais e internacionais; “
“ Representou o Presidente da República na posse do Presidente Oscar Arias Sanchez, da Costa Rica, em 1986, e acompanhou-o em visitas oficiais à Argentina no mesmo ano e à Bolívia, em 1988.”
“Chefiou a delegação brasileira e presidiu a Conferência Interamericana sobre o Tráfico de Entorpecentes no Rio de Janeiro em abril de 1986, e manteve reuniões com os Ministros do Interior da Argentina e do Uruguai, em 1987, em Buenos Aires e Brasília, para tratar de problemas relacionados com o narcotráfico.”
“Chefiou as delegações brasileiras à VIII Reunião Plenária da Conferência de Ministros da Justiça dos Países Hispano-luso-americanos, em Acapulco, México, em outubro de 1988, e às conferências de 1987 e 1988 das Nações Unidas para a adoção de uma convenção contra o Tráfico Ilícito de Estupefacientes e de Substâncias Psicotrópicas, reunidas em Viena.”
“Como plenipotenciário do Brasil, na sessão de 20 de dezembro de 1988, em Viena, assinou a Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Estupefacientes e de Substâncias Psicotrópicas.”
“ Ministrou aulas e proferiu conferências: na Faculdade de Direito de Montevideo, sobre Mandado de Segurança, em 1952; na Universidade John Hopkins, em Washington, em abril de 1987, sobre a problemática constitucional brasileira; em São Luís do Maranhão, Teresina, Fortaleza, Recife, João Pessoa, Aracaju, Bahia, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, Alegrete, Bagé, Cruz Alta, Passo Fundo, Caxias do Sul, Belo Horizonte, Goiânia e Campo Grande.”
“ Em 1977, sendo Senador, foi escolhido Patrono da Turma do Sesquicentenário da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.”
“Advogado, Professor, Ruralista, Político, Jurista, Juiz, além de outras múltiplas facetas, o Ministro Paulo Brossard constituía num “espírito poliédrico” que sempre se destacava pelo saber jurídico, pela oratória brilhante e inflamada, pelo ardor com que defendeu as causas que abraçou.”
“Colaborou ativamente em várias revistas jurídicas especializadas: Revista Forense; Revista de Direito Administrativo; Revista Jurídica, de Porto Alegre; Justiça, de Porto Alegre; Revista de Informação Legislativa; Revista da Faculdade de Direito de Porto Alegre; Revista da Faculdade de Direito de Uberlândia; Ajuris.
“ Sua produção literária engloba artigos, pareceres, discursos, teses, votos e obras, dentre os quais: “Em torno da Emenda Parlamentarista” (1949), Revista Forense, vol. 128; “Presidencialismo e Parlamentarismo na Ideologia de Ruy Barbosa” (1949), Revista da Faculdade de Direito de Porto Alegre, vol. I; “Federação e Parlamentarismo” (1950), Revista Forense, vol. 138; “Resgate ou Encampação” (1950), que recebeu o Prêmio Alcides Cruz, Revista de Direito Administrativo, vol. 19; “Aspectos da Autonomia Municipal” (1954); “Imposto de Indústria e Profissões” (1957), Revista Forense, vol. 177; “Ação de investigação de paternidade ilegítima. Prescrição.” (1957), Revista Forense, vol. 169; “Servidão por destinação do proprietário” (1969); “O Tribunal de Justiça e sua estrutura” (1972).”
“A Editora Globo dedicou a 4ª edição de “Os Thibault” a Paulo Brossard de Souza Pinto e a toda uma geração que, nos idos de 1943, leu a primeira edição da obra de Roger Martin du Gard.”
“Ainda foram publicados, em opúsculos, 14 discursos proferidos na Câmara dos Deputados e 92 no Senado Federal. Os pronunciamentos que fez no Senado foram reunidos em dois volumes, bem assim os pareceres que emitiu como Consultor-Geral da República. Também procedeu à seleção de textos e introdução à obra Idéias Políticas de Assis Brasil, em 3 volumes, editada pelo Senado.”
Na área da Imprensa, foi correspondente do O Estado de São Paulo, redator do Estado do Rio Grande, colaborador da Folha de São Paulo e do Correio Braziliense, escrevendo semanalmente, desde 1983, no Zero Hora de Porto Alegre. E aqui, neste ato, manifesto o interesse da Academia Rio-Grandense de Letras de colocar seu selo na edição dos artigos publicados em Zero Hora, na Página de opinião, conforme manifestei de viva voz ao seu ilustre neto, o Dr. Marcos Brossard Iolovitch, que foi meu ex-aluno na Faculdade de Direito da Universidade Federal.
“Recebeu o título de cidadão de São João del Rey, em 1987, e de Porto Alegre, em 2000.”
“ Em 1999, a cidade de Bagé, em monumento erigido na Praça da Catedral, a mais antiga da cidade, inscreveu o nome de cem pessoas que teriam contribuído para o engrandecimento da sua terra, tendo incluído o de Paulo Brossard de Souza Pinto.”
“ Era casado, desde 1950, com a Dra. Lúcia Alves Brossard de Souza Pinto tendo três filhos: Magda Brossard Iolovitch, casada com Léo Iolovitch, ambos advogados; Rita Brossard de Souza Pinto, médica e Francisco Brossard de Souza Pinto, engenheiro agrônomo.”
“Tendo sido Juiz do Supremo Tribunal Federal, Juiz e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ao ser aposentado, decidiu não retornar à atividade política. Voltou à advocacia, emitindo pareceres e exercendo outros trabalhos forenses. Seus pareceres foram publicados na Revista Forense, Revista dos Tribunais, Revista Trimestral de Direito Público, Revista Dialética de Direito Tributário, Cadernos de Direito Constitucional e Ciências Política da Revista Jurídica e Revista Jurídica de Osasco.”
“ Faleceu dia 12 de abril de 2015 em Porto Alegre, aos 90 anos.” (Sinopse do STF)
Finalizando digo como no dito bíblico: Conhece-se da árvore por seus frutos! Paulo Brossard de Souza Pinto, uma árvore frondosa sob cuja copa abrigou-se a defesa constante do Estado Democrático de Direito!
Eis o homem e sua obra e sua vida!! Uma vida digna de ser imitada pois um exemplo para todos de caráter e retidão de ideais! Muito Obrigado!
A INVASÃO DO ACRE (Imigrantes do Haiti ou Sobre o racismo!!)
A INVASÃO DO ACRE (Oriundos do Haiti e sobre o racismo!)
Não se trata aqui da guerra de independência do Acre da Bolívia que foi declarado território brasileiro depois de muita luta do herói gaúcho Plácido de Castro. Assis Brasil e Rio Branco auxiliaram que pelo Tratado de Petrópolis, de 1903, o Acre tivesse incorporado seu território ao Brasil. Trata-se na realidade da grande corrente migratória oriunda do Haiti, onde as forças nacionais, por delegação da ONU, cumprem missão já bastante longeva e cara. Dizem as más línguas que um contingente de mais de 50.000 pessoas oriundas desta nação dilacerada do Caribe, vergastada por terremotos e profunda pobreza, buscam, devidamente tutelados por “coiotes”, imigrar para as terras do Brasil escolhendo o Acre como trampolim para o território nacional. De lá vem para o sudoeste e agora também para o Rio Grande do Sul. Esta situação gera um dos maiores paradoxos com relação ao centro da grande discussão que grassa no núcleo duro e crítico do que se convencionou tratar de racismo!!! Por que estas pessoas, todas elas descendentes de ex-escravos negros trazidos da África, não optaram por voltar à África?! Quando vejo milhares de imigrantes, todos eles de origem negra ou colorada, atravessarem em embarcações precárias o Mediterrâneo, me questiono da mesma forma: Por que lá e aqui, da mesma forma, com tantas denúncias de racismo cometidas pelos brancos sujos e dominantes, estes imigrantes, conscientes disto tudo largam tudo fugindo da guerra, da injustiça, da morte, dos estupros, da selvageria, do ódio racial entre suas próprias tribos de mesma cor, para viver entre os brancos sujos e racistas?! Eu sou um mestiço. Meus ascendentes se utilizaram de um adágio milenar que dita que se não podes contra teu inimigo une-te a ele. Meus ascendentes se utilizaram de uma regra imemoriável que é aquela invencível lei de atração entre os opostos e que nasce da provocação do belo ante o belo!! Sou fruto desta paixão tropical! Trago escondido em minha altura e minha pálida tez exógena dominante um oceano endógeno genético, com muito orgulho de brasileiro da gema, que me titulam a discutir esta questão hoje candente aqui e lá e acolá. Nos Estados Unidos, revoltas eclodem por todos os lados, contra a truculência dos policiais brancos, enquanto que, paradoxalmente, seu presidente, o querido Obama, é um mestiço, como eu, com a diferença que seu exógeno é afro-dominante!!! Na Europa a invasão colorada que cruza o Mediterrâneo em parcas embarcações e aqui, na América do Sul, os ex-descendentes negros de escravos, falando um dialeto francês, aos milhares buscam, agora com suas famílias, um lar onde seja possível trabalhar e criar uma família com ordem e em paz!!! Sou daqueles adeptos de que inexiste racismo!! Para mim o racismo não é outra coisa se não a deformação sociológica de um preconceito social de origem!!! A mútua atração sexual entre os opostos que rege a essência do amor e da paixão afiança minha afirmação, que tenho certeza, não é solitária!! Escandinavos, que nunca tiveram escravidão ou, onde nunca houve a institucionalização social deste tipo de degradação humana, com alta flexibilidade absorvem e propiciam a lei da mútua atração entre os sexos e etnias diversas!! É patente o gosto guloso das escandinavas pelos machos alfas afros e vice-versa!!! Eu, sou fruto desta atração invencível que desfaz conveniências e medos e pula o muro, derruba convenções e entre os gemidos e beijos, atolados entre os lençóis, nas praias, esfolando os joelhos contra a grama, deliciam-se na construção dos arrebóis mestiços do arco-íris libertário do futuro ali gestado na alcova natural do amor!! Todos estes sinais enterram vivos, contestam com candência, a voz daqueles racistas ao inverso, que criam o lema racista, para blasfemar contra a lei maior da harmonia social, da simpatia, do amor e da superação da diversidade pela soma da miscigenação do próprio eu nesta mistura com o outro que gera o nós no entre si!!! Tenho certeza, que a busca dos haitianos, que serão bem recebidos por nós e que daqui para frente na corrente do tempo seremos nós todos juntos e simplesmente humanos, encontrará no Brasil, a enzima catalizadora de nossa união racial!!! Olhando imerso e preso na ótica “racista” tenho receio é da reação dos próprios inversos “racistas” pois estas novas correntes migratórias não virão tirar os cargos e lugares dos brancos sujos e das zilitis, mas, imerso e preso, dentro da ótica de visão que força a visão racista vêm, os haitianos, concorrer exatamente disputando o trabalho dos seus semelhantes, que sociologicamente ocupam a base da pirâmide social. Ironicamente, identificáveis, pois não sujeitos ao melting pot ou ao liquidificador de miscigenação racial através dos anos, são mais crioulos do que nossos crioulos, que já desbotaram!!! Lembro-me da entrevista com célebre diplomata feita por Miriam Leitão que, convivendo com um americano no Rio, por algumas semanas, este ao cabo da viagem afirmou que no Brasil éramos todos negros! O embaixador não tinha esta percepção pois era mestiço latino e estava imerso nesta realidade sem notar! Lembro-me de um baile que fui nos grotões da serra do Caverá, na fronteira gaúcha, havia uma pessoa isolada que não podia entrar na sala de terra batida onde o pó levantava sob o sarandeio de pés e de voltas de saias no baile que atravessava a madrugada. Eu surpreso, perguntei: Por que ele não pode entrar no baile e tem de ficar na cozinha?! Eles me responderam silentes e convictos: Por que ele é negro!!! Eu fiquei além de aparvalhado chocadíssimo pois todos que estavam ali, éramos todos negros, uns menos ou mais! Nós todos éramos mulatos uns mais abrancados de susto como eu, mas éramos todos mestiços e negros, mas o que era mais negro e puro entre nós, era estigmatizado entre a comunidade como sendo negro, embora todos nós, a critério de brancos, o fôssemos!!! Paradoxo dos Paradoxos! Assim é que tenho plena convicção que o racismo na realidade é um preconceito sociológico de origem e não uma postura que deflua da cor da pele ou de uma repulsa por esta ou pela cultura ou etnia!!! Quem de vós, já de mim não posso falar por que sou um mestiço “dominante”, dos que pensam ser branco sujo dominante e na realidade não são! Mas quem de vós, brancos puros dominantes, deixaria de receber Pelé, Joaquim Barbosa, José do Patrocínio, Cruz e Souza, em sua casa, como comensais?! Tenho certeza de que quase ninguém!!! A não ser um pretenso sociológico e preconceituoso “racista” que não é mais do que um caso patológico de ideologia mal digerida ou fruto de uma profunda patologia psíquica que Freud explica!! Recalcado barbaridade tchê! Como se diz aqui no Rio Grande! Provando que tudo não passa de um longo equívoco de vício de origem que o tempo, irmão maior da humana condição, polirá com sua luva macia dando todo o brilho iridescente! Portanto, vinde a nós hermanos ou fréres haitianos!!! Ah, ia esquecendo de convidar meus amigos para o vinho da noite: “O Obama é hoje meu convidado!” (Eu não teria casa, nem local suficiente, para àqueles brancos sujos e racistas ideológicos, lutando preconceituosamente uns contra os outros – engalfinhando-se em vias de fato e disputando serem comensais à minha mesa!!! Tá podendo o véinho né?!)
LIBERDADE PARA LEOPOLDO LOPEZ PRESO E ARRESTADO HÁ MAIS DE ANO NA VENEZUELA!!! PELO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E PELO RESTABELECIMENTO DAS LIBERDADES PÚBLICAS
GUERRA DAS MOEDAS: AUTORIA, CRONOLOGIA E MEMÓRIA DE UM CONCEITO (Artigo publicado na obra Estudos de DIREITO EMPRESARIAL – ED. SARAIVA – ano 2012 –
GUERRA DAS MOEDAS: AUTORIA, CRONOLOGIA E MEMÓRIA DE UM CONCEITO.
Professor Sérgio Borja – Professor de Direito Constitucional e Ciência Política na PUCRS e Professor de Instituições de Direito da Faculdade de Direito da UFRGS
- Dos antecedentes e injunções justificativas
O tema Guerra das Moedas é um tema vital, para o estado nacional, na forma como o conhecemos e ainda para a sobrevivência das nações e povos e suas atividades produtivas. Estudar a temática é aprender a não ser dogmático ou ortodoxo. Em 09 de dezembro de 2005, a atual presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, quando, na condição de ministra-chefe da Casa Civil, esteve no Rio Grande do Sul, em reunião da FIERGS, pronunciou-se no seguinte sentido: “A ministra-chefe da Casa Civil, …garantiu ontem aos empresários gaúchos que a cotação do dólar não baixará de R$2,00 para não prejudicar as empresas exportadoras e colocar em risco o equilíbrio das contas externas do país. Em reunião…mostrou-se preocupada com a situação do setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul, que tem fechado unidades e demitido funcionários…”[1] Na época que a ex-ministra e atual presidente deu a entrevista o dólar estava cotado no dia 8 a 2,280 para compra e 2,282 para venda, sendo que no dia da publicação da reportagem, 9 de dezembro, já caia para 2,250 para compra e 2,252 para venda.[2] Ora, quando estou a escrever este artigo, 29.12.2010, o dólar está cotado conforme o serviço do Psiloc – World Traveler em meu Nokia N97, ligado a Internet, à R$1,68, sendo que a cotação constante de ZH e Correio, na data, são de 1,6900 para compra e 1,6920 para venda (prognóstico da véspera pois o jornal é impresso com antecipação), provando que o câmbio não obedece a manifestações de vontade, seja ela de ministro ou presidente, mas ao mercado ou também às ilações que passarei a fazer.
Em 1993 o meu saudoso diretor Dr. Carlos Alberto Allgayer, já falecido, da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica, solicitou a minha presença em seu gabinete. Atendendo seu pedido compareci ao seu encontro onde ele me passou o cometimento de representar a Faculdade de Direito da PUC, como um dos debatedores, em um Congresso da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que se realizaria num dos prédios do campus da PUCRS. Mesmo que eu contra argumentasse com relação à indicação com razões esteadas na minha condição de Professor de Direito Constitucional, Ciência Política e Direito Constitucional (exerço este magistério há 25 anos), desconhecendo, portanto qualquer matéria referente ao Regionalismo ou Entes-Multilaterais e mesmo referentes ao Direito Internacional; não obstante minha argumentação, meu querido diretor, para minha felicidade futura, foi convincente e recebi o encargo de atuar como debatedor num dos painéis relativo à temática do Mercosul. Comparecendo na data aprazada para realizar minha atuação foi-me comunicado que o conferencista, por uma questão de força maior, não se faria presente ao evento e que, nesta razão, eu fora designado para substituí-lo fazendo a conferência em epígrafe. Por um golpe de sorte ou da providência, a partir desta data, em razão dos resultados da experiência, fui reiterada e intensamente convocado para dar palestras e conferências sobre a temática, iniciando no Rio Grande do Sul e depois passando ao território de nossa irmã Argentina, nas províncias de Entre-Rios, Santa-Fé e logo a seguir Buenos Aires. Depois daí fui para a União Europeia e Estados Unidos já dando conferências mais complexas como a relativa ao Treaty Make Power (Direito Constitucional Internacional), ministrada em Hartford, Connecticut, a convite do Prof. Angel Ricardo Oquendo, em 1998 ou como a que dei no Fórum de Lisboa, na av. Roma, sobre integração latino-americana. O estudo do Regionalismo obrigou-me a fazer estudos complementares sobre o Multilateralismo advindo dos entes criados em Bretton Woods. A seguir houve uma sofisticação da temática pois constatei que tanto o regionalismo como o multilateralismo atuavam de forma complementar a fim de trazer uma harmonia no comércio mundial. No entanto esta circunstância me levou a um patamar mais alto que seria meus estudos sobre o processo de globalização. Eu como professor tradicional de Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado que ministra seus fundamentos sobre a soberania e sobre as funções matriciais e da própria gênese do estado nacional, quais sejam, a função legislativa, a função executiva, a função judicial, ou ainda as funções de segurança e emissão de moeda não esmoreci no caminho que se renovava sempre depois dos horizontes conquistados. Assim me surpreendi com o processo de relativização da soberania em face do condicionamento interativo entre os próprios estados nacionais e os entes internacionais em face das cartas de Direitos Humanos e dos Tratados em Geral. O estudo das fusões e a sinergia dos grandes oligopólios matérias tratadas por Rudolf Hilfirding, em 1909 em sua obra “O Capital Financeiro” cuja temática foi retomada por John Kenneth Galbraith, em sua obra “O Novo Estado Industrial” também tomaram minha atenção em razão do fenômeno hodierno de interpenetração e interação deles com os Estados Nacionais (advindo daí, a luta contra a corrupção). Outra temática paralela foi e ainda é a que diz respeito ao problema da moeda que ontologicamente causou o surgimento do estado nacional e, que meus estudos, levaram a conclusão de que todos os elementos que funcionalmente estavam presentes no surgimento do estado, da mesma forma, poderiam, por um processo, já não endógeno ao estado, mas de forma exógena ao mesmo, causar o esmaecimento de sua soberania e mesmo inclusive o seu deslocamento de uma área de soberania, para uma área de relativa autonomia federativa como àquela do fenômeno do surgimento de macro-estados pós nacionais, como a União Européia e os proto-esboços que se insinuam na Ásia, Américas ou África através do regionalismo tendente a partir do sistema confederativo para um sistema federativo. Keniche Ohmae seguindo as pegadas de Alvin Toffler, na “Terceira Onda”, é mais radical quando expressa inclusive a morte do estado no título de sua obra “O fim do Estado Nação”. Pierre Joseph Proudhon, em sua obra “Do Princípio Federativo” teve a premonição deste futuro que é o nosso presente. Minhas observações partem do processo de implantação das chamadas simetrias que devem conciliar as assimetrias econômicas e assim dar sinergia ao processo de vantagens comparativas[3] no espaço globalizado e ao processo de competitividade. A harmonia gerada faz nascer a Paz Internacional em detrimento da guerra conforme a doutrina que Immanuel Kant prelecionou em seu opúsculo “A Paz Perpétua” escrito em 1795[4]. Este conteúdo, simetrias, faz parte do pensamento esposado pelo economista Robert Mundell, da Columbia University e que obteve o prêmio Nobel de Economia em 1999[5]. A teoria de Mundell é a base para o movimento que passou a empolgar todas as nações no sentido do estabelecimento de um processo de sincronia monetária através do estabelecimento de uma moeda única ou, inexistindo esta, um processo de adoção da chamada dolarização ou sistema de currency board, pois os Estados Unidos da América, detendo uma moeda que é uma grife, em razão de seu poder militar e econômico, temendo a futura unificação europeia, antecipando o processo, induz na zona do dólar ou como a chamei depois, placa tectônica do dólar, um processo de simetria monetária. Aqui cabe observar uma crítica quando afirmo que: os Estados Unidos induz aos demais estados. Via de regra se chama esta atitude de eivada de uma paranoia ontológica porque baseada num anti-americanismo inato. Quero aqui discordar desta visão pois constatar a influência de potências sobre as demais não pressupõe necessariamente a aceitação de um repúdio a atitude dominante simplesmente. É necessário trabalhar com a teoria de sistemas e sub-sistemas e a doutrina da CEPAL, onde atuaram Raul Prebisch, Fernando Henrique Cardoso, Maria Conceição Tavares e Celso Furtado. Lá foi produzida a doutrina do centro-periferia[6] e o crescimento para dentro e para fora, que demonstra a verdadeira anatomia de estados nacionais cujo desenvolvimento ulterior, seja, sua planta de produção, é condicionada por conta da existência de potências que os antecederam no processo civilizatório, industrial, plasmando assim, em razão direta, seu desenvolvimento futuro, etc..[7]. Também, com relação ao processo de condicionamento das potências menores pelas maiores poderemos observar a história e logo nos deparamos com o fato de que em 1808, Napoleão Bonaparte, através do general Junot, invade a península ibérica, aprisionando o rei Fernando VII e atacando Portugal. D.João VI e sua esposa, Dna. Carlota, irmã de Fernando VII, retiraram-se do continente a bordo de nave pertencente a esquadra de Sir. Sidney Smith, almirante inglês. Já desde 1581, após a morte de D.Sebastião em Alcácer-Quibir, Felipe II, rei de Espanha, colocava Portugal e o Brasil e demais possessões sobre sua tutela. Portugal, pequeno país, para fazer frente a uma potência como a Espanha, tradicionalmente, a partir de 1640, aliou-se a Inglaterra colocando em vigor o antigo Tratado de Windsor, datado de 1386 e que reeditava o Tratado da Aliança de 1373, que estavam suspensos desde 1581. O império colonial espanhol foi induzido gradativamente à independência por conta da atuação da influência inglesa que se fazia através das lojas maçônicas: Francisco de Miranda, Simão Bolívar, San Martin, O’Higgins e outros, heróis da independência de seus países, foram em realidade agentes dos interesses ingleses no território americano. O Brasil, paradoxalmente, não se despedaçou em dezenas de pequenos estados graças ao efeito aglutinador da casa real de Bragança, aliada ao poder inglês. O Imperador D. Pedro II detestava o Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Souza, por percebê-lo na forma de um verdadeiro “laranja” ou manipulador dos interesses oligopolísticos ingleses da época. Com o hiato de poder da Inglaterra, no continente latino, os EUA passaram a preencher o vácuo. Na guerra contra o Eixo – Alemanha, Itália e Japão – Franklin Delano Roosenvelt, autor do New Deal, fez alianças com Vargas e influenciando, de alguma forma, a instalação da social democracia, que lá era feita de forma democrática, aqui na América Latina foi implantada na forma ditatorial, urdida por Vargas no Brasil e por Perón na Argentina e ainda o Gen. Ibanéz, no Chile. Com a vitória na 2ª Guerra, toda a América depõe seus ditadores e implanta a democracia. No auge da guerra fria, com a tomada da ilha de Cuba, em razão da queda de Fulgêncio Batista e ascensão de Fidel e Che Guevara, por indução de processos políticos de esquerda no seio destes países, em razão da rejeição de setores internos aliados aos externos há um processo de influência e indução para o estabelecimento de ditaduras. No Chile Pinochet, no Brasil os generais Castelo Branco e Cia, na Argentina Jorge R Videla, no Paraguai, sem interrupção o Gen. Stroessner, no Peru a ditadura dos apristas seguida da “dos tenentes”, e assim por diante. Com o fim do envolvimento americano na Coréia e subsequentemente no Vietnã, e a crise do petróleo, há um estrangulamento dos regimes militares nacionalistas no continente e uma restauração da democracia que de regime desenvolvimentista, ainda sob o impulso nacionalista dos governos antecedentes, paulatinamente, a partir de 1989, vão transformando-se, através de intervenções cirúrgicas em suas Constituições e demais leis, lentamente vão passando de um sistema social democrata para um sistema Liberal, de desestatização, flexibilização laboral, privatização, desregulação, etc…O Brasil privado está muito bem obrigado. O Brasil público, que é a criação do tenentismo do cedo, Getúlio Vargas, e do tenentismo da tarde, a Revolução de 1964, está cada vez mais mal e vem ruindo gradativamente. O Estado Nacional brasileiro está totalmente endividado e sem condições de investimentos. O Desenvolvimentismo morreu ou esta prestes a morrer. A queda do muro de Berlim é o início emblemático do fenômeno pois é o ápice de um processo que começou em 1986 em que a URSS se envolve na guerra do Afeganistão e tem aí seu calvário e seu Vietnã vindo a desintegrar-se sobre a Glasnost e a Perestroika de Gorbachev. Daí em diante é que começa o processo de globalização ou processo de transbordamento dos capitais, que antes restavam encerrados nas bolhas dos estados nacionais centrais e dominantes. Assim é que os grandes oligopólios, sem receio de serem desapossados por governos nacionalistas (v.g. Brizola no RS), passando por um processo de fusão jamais visto, alastram-se pelo mundo em busca das vantagens comparativas, localizadas nas reservas minerais, no clima e culturas agrícolas, nas infra-estruturas colocadas à disposição, como transporte, legislação social trabalhista e previdenciária, desregulação econômica, política tributária e aduaneira, etc, para assim potencializarem seus lucros. É a descrição do chamado “Consenso de Washington” tão bem retratado por Riordan Roett e Francisco E. González, no capítulo da obra coordenada por Francis Fukuyama, intitulada “Ficando para trás”, que dá uma sinopse nos seguintes termos: “Numa conferência no “Institute for International Economics” em 1989, um grupo de economistas identificou dez reformas essenciais à restauração do crescimento econômico. A hoje bem conhecida lista de itens apelidada de Consenso de Washington incluía disciplina fiscal, liberalização do comércio, reforma fiscal, um regime cambial competitivo, privatização, liberalização do fluxo de investimentos diretos estrangeiros, taxas de juros determinadas pelo mercado e desregulamentação. E havia duas prioridades adicionais: uma se concentrava na redução dos subsídios e o redirecionamento dos gastos do governo, para educação, saúde e desenvolvimento da infraestrutura; a segunda era o respeito aos direitos de propriedade. O argumento era simples: leis fracas e maus sistemas judiciários reduzem os incentivos à poupança e à acumulação de riqueza”.[8] A fim de reforçar esta sinergia dos grandes oligopólios produtivos e financeiros, estabelecendo escala econômica para os empreendimentos começam a atuar, além dos entes regionais, também os entes multilaterais. Sobre uma premissa pitoresca e cômica da existência real de um núcleo pensante que vou chamar de “Matrix” ou de melhor forma expressando a ideia, sob um conceito de “paranoia cientificamente comprovada” através da história retro explanada é que burilei a teoria. Em suma, há um processo histórico comprovado de reação em bloco ou em cadeia. Não se restringe a um único país da América Latina os fenômenos são emulativos e disseminados. As guerras de independência foram bem dizer concomitantes para todos. Quando vieram as ditaduras elas foram da mesma natureza, grau e ideologias semelhantes ou análogas. Quando entrou a democracia ela trouxe no seu bojo os mesmos vetores condicionantes a todas. Assim é que a premissa maior da Guerra das Moedas se esteia numa intenção deliberada do “Sistema” num certo sentido e que é constatada e aplicada de forma monolítica a todos os países dependentes sem exceção. Este aparelho tosco, com a suposição “paranoica primacial” já colocada no seu texto diretamente, é que vai possibilitar a leitura, através de mais de doze anos da evolução do sistema do câmbio do dólar (1998 até 2010) e sua atuação condicionante ao real e demais sistemas monetários, com extrema precisão de tendências, chegando, inclusive, a nomeação do fenômeno como uma verdadeira guerra das moedas, cambial ou de divisas, pois os termos em sequência, não passam de mera sinonímia do primeiro vocábulo. Certamente algum dos leitores poderá em reserva pensar – mas isto era tão evidente. A evidência vista é da colocação de sua razão num patamar privilegiado, o presente, com todos os dados gradativamente informados através do tempo. Mas se o leitor for tolerante, constatará, através de retrospectiva enfocada no passado que, se não todos, pelo menos a grande maioria não divisou o que enxerguei. É o verdadeiro “Ovo de Colombo”!!![9] Não há na literatura clássica menção ao nome Guerra das Moedas e também ao conceito em si como o esbocei. A literatura de economia moderna surge com um autor chinês em 2007 e um alemão no ano passado, 2010. Alguns poderão ainda se valer da crítica que diz: Ele atirou no que viu e acertou no que não viu. Respondo: Atirei no que vi e acertei no que vi em razão de que os artigos publicados ao longo do período de 12 anos atestam, cronologicamente, todas as previsões sobre os acontecimentos que se deram como se eu tivesse uma bola de cristal. Confesso que o sistema de previsão é tosco e não contém uma sintonia fina que encoraje a previsão do câmbio num curto período. Mas, no entanto, a médio e longo prazo ele funcionou perfeitamente e com precisão histórica. A bússola, inventada pelos chineses e trazida pelos árabes para o mundo ocidental não necessitava, para orientar, de um invólucro plenamente sofisticado. Bastava, tão somente, para realiza-la, um simples recipiente de água, uma pequena rolha e um pequeno fio de metal imanado. O norte sempre estava lá.
Assim é que quando chegou o ano 2000 eu já havia atingido uma massa crítica tão grande a respeito do assunto moeda, que em razão do volume, conteúdo e acerto das publicações em jornais fui convidado para participar do “Anti-Corruption Summit 2000”, organizado pelo “The International Consortium on Governmental Financial Management e Americas Accountability Anti-Corruption Project”, que tinha à frente como organizadores Grahan Joscelyne, Auditor Geral do World Bank, Everett Mosley, Inspetor Geral da USAID, William L. Taylor, Auditor Geral da Inter-American Development Bank (Banco Inter-Americano de Desenvolvimento), sendo que a realização do evento seria no Hotel Hilton Crystal, na cidade de Arlington, Virginia, localizado perto da cidade de Washington, cerca do Pentágono e do cemitério de Arlington. Embora aceitando o chamado para proferir palestra, que foi dirigido através de correspondências às instituições em que trabalho, Faculdade de Direito da UFRGS e Faculdade de Direito da PUCRS, formulada e devidamente assinada por James B. Durnil, Presidente do Consórcio Internacional sobre Gerência Financeira Governamental, sendo que a Faculdade de Direito da PUCRS, doou-me as passagens, no entanto, infelizmente, depois de proferir uma palestra na Universidade de Pelotas, UFPEL, pela OAB|RS, pelo dia 5 ou 6 de setembro, a respeito da mesma temática, quando do retorno passei a me sentir mal, já no carro da OAB que me conduzia a Porto Alegre, sendo que fui internado no dia 07 de setembro, dia da pátria, sofrendo no Hospital Mãe de Deus uma operação em razão do apêndice supurado. O que era para dois dias de restabelecimento foi protelando-se por 19 dias sendo que a Cumbre ou Summit que estava avençado entre os dias 21 e 23 de setembro, foi ultrapassado em razão de que fui ter alta só no dia 26 do mês de setembro. Se por motivo de doença do conferencista em 1993 fui promovido de debatedor ao cargo de orador, já agora, no ano 2000, por doença, perdi, talvez, a oportunidade de uma vida. A fortuna também rege os atos do homem. No entanto estou vivo. O ano 2000 para mim foi aziago pois, antes de seu término, foi dado o diagnóstico do câncer de mama que vitimou minha esposa Rita Gerdau de Borja em 2003, minha inesquecível companheira de luta. Em 2001 consegui, graças ao patrocínio e ao apoio imprescindível de meu querido e saudoso amigo Ricardo Lenz, meu editor, já falecido, fazer publicar duas obras O Projeto Democrático, que traz alguns dos artigos sobre moeda, não todos e nem os mais importantes, pois Lenz pretendia somente os artigos mais jurídicos, desprezando àqueles de viés econômico. Ali se possibilita a visão de um quadro retalhado, mas, no entanto, coerente das intervenções cirúrgicas praticadas no sistema constitucional e legal a fim de institucionalizar as reformas pretendidas. Também, no mesmo ano, foi publicado a obra Teoria Geral dos Tratados ou a Luta pela União Latino-Americana, que também refere a importância da moeda para o processo de acoplamento estatal induzido pela necessidade de implantação do sistema regional e também dos vetores advindos do sistema multilateral. Assim, com base no registro destes livros e de artigos que, embora não tivessem sido ali incluídos, mas que, no entanto, foram publicados em meu site na Faculdade de Direito da UFRGS e, ainda, publicados em colunas jornalísticas dos periódicos tais como, Gazeta Mercantil, Jornal do Comércio, Zero Hora, Folha de São Paulo ou no jornal O Farol é que passarei a fazer este relato ordenando-os cronologicamente e fazendo a extração conseguinte dos seus conceitos pretendendo assim, fazer uma releitura, já agora agregada, monolítica e não pontual, como o foram os artigos, do surgimento da temática Guerra das Moedas. A guisa de explicação diga-se que os trabalhos, artigos jornalísticos, são dirigidos ao grande público não especializado e que além de terem uma linguagem mais simples neles são utilizadas figuras linguísticas que visam estimular a curiosidade ou a atenção sobre a temática sendo que as teses ou pensamentos são expressos às vezes no espaço diminuto de 5 ou 10 linhas e não mais em razão do espaço jornalístico de opinião que exige concisão. Lembro a expressão de Eistein, que para ser justificada, necessita milhares de páginas e, no entanto resume, em menos de uma linha, um universo: E=MC²
- – Do cenário do surgimento do conceito, injunções circunstanciais e premissas básicas.
A obra prima de Raymond W. Goldsmith intitulada “Brasil – 1850 – 1984 – Desenvolvimento Financeiro sob um século de inflação”[10] traça um cenário retrospectivo de todo o processo evolutivo do sistema monetário brasileiro, desde os meados do século XIX até o último decênio do último lustro do século XX. Como explicita o próprio título da obra vemos a descrição de nosso “inferno astral econômico”, pois o processo inflacionário desestimula completamente os investimentos, destrói a possibilidade da poupança e da formação de mercado sendo deletério para a possibilidade de geração de progresso. Não há o que cognomino de “direito à moeda”, pois esta vai perdendo seu poder aquisitivo gradativamente espoliando violentamente o trabalho e a geração de riquezas. A leitura deste livro é semeada por detalhes significativos e daí se pode chegar a importantes conclusões sob o que não se deve fazer com relação a implementação de sistema monetário e seu funcionamento. Só para dar uma ideia da inflação quero reproduzir o seguinte texto a respeito do último período abordado pela obra: “Em fins de 1980, o crescimento no índice geral de preços havia alcançado 100% ao ano. A inflação acelerou-se, em parte como resultado da maxidesvalorização do cruzeiro em 30% em fevereiro de 1983, comparada ao crescimento habitual de cerca de 2% por semana, alcançando 200% em outubro de 1983, e 220% em 1984. As variações no deflator do produto interno foram semelhantes: muito próximas a 100% em 1981 e 1982, cerca de 150% em 1983 e 200% em 1984. Numa economia tão influenciada pela indexação de diferentes tipos, pelo controle estatal dos preços – mesmo em fins de 1984 cerca de 1\2 dos produtos eram sujeitos a eles[11] – e por subsídios, a dispersão brasileira na taxa de inflação tende a ser ampla.[12] Após o regime militar através das “diretas já”, instala-se no Brasil a chamada “Nova República” com todo o processo de redemocratização. Eduardo M. Modiano descreve que “A Nova República” brasileira se inicia em março de 1985, depois de vinte e um anos de regime militar e que ainda que a necessidade de um “pacto social” que conciliasse as reinvindicações de salários reais com o processo deflacionário, amplamente destacados durante a campanha eleitoral, no início do novo governo se anunciou uma política econômica ortodoxa. Além de facilitar as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a redução do gasto público e a desaceleração da expansão monetária apresentaram-se como uma contribuição inicial do governo para o estabelecimento de um “pacto social”, que no entanto, nunca se materializou.[13] Dado que as políticas fiscais e monetárias restritivas poderiam necessitar de algum tempo para produzir uma diminuição das taxas de inflação, que no momento chegavam a 12% mensais, se decidiu um por um congelamento dos preços para o mês de abril. De igual modo, a fim de frear a aceleração da inflação se modificaram as fórmulas empregadas para o cálculo da correção monetária e da desvalorização do tipo de câmbio, estendendo a “memória” da inflação passada de um ano a três meses. Introduziu-se um programa de minidesvalorizações diárias, prefixadas a cada mês. Imediatamente depois do anuncio da nova política econômica a inflação baixou consideravelmente, de 12.7% em março para 7,2% em abril. Inobstante, este resultado poderia explicar-se totalmente pela suspensão dos ajustes de preços para os dois grupos de produtos: o aço e os combustíveis. Os preços privados que não se encontravam sob um controle estrito não pareciam subordinar-se ao congelamento. De toda a maneira o governo decidiu alargar a duração do congelamento de preços. A medida que aumentavam os custos variáveis em termos reais durante estes meses, e em razão que a evasão nas fórmulas de correção dos salários, do valor do câmbio e dos movimentos monetários transladavam as maiores taxas de inflação do passado, o congelamento dos preços passou a ser fortemente pressionado. Em junho o governo anunciou os primeiros aumentos de alguns preços públicos e vários preços privados controlados. A fim de evitar uma reação inflacionada concederam-se pequenos ajustes na primeira etapa. [14] Um aumento na frequência dos ajustes posteriores haveria de compensar as perdas das margens de ganho ocorridas durante o congelamento. A inflação passou de 7,8% em junho a 8,9% em julho. Apenas se havia iniciado o ajuste dos preços quando a economia experimentou um forte choque de abastecimento agrícola: os preços do atacado dos alimentos aumentaram 19,0% em agosto. O índice geral de preços (IGP-DI) aumentou em 14% no mesmo mês, o que indicava o fracasso do pacote anti-inflacionário de março e do fim da primeira fase da política econômica da “Nova República”.[15] Affonso Celso Pastore, em seu trabalho sobre as Letras Financeiras do Tesouro e a eficácia da política monetária, faz apreciações importantes sobre o processo inflacionário e a moeda. Ele comenta que “o Brasil sempre esteve preso a regimes cambiais em que a taxa cambial era corrigida em uma regra de paridade de poder de compra, com as desvalorizações mensais sendo aproximadamente iguais à diferença entre as taxas de inflação no Brasil e no mundo, como ocorrido durante os anos de 1970 e em parte nos anos 1980, ou a taxa cambial tinha uma correção pré-fixada, como verificado no período entre a reforma monetária do Plano Real, em 1994, e o início da flutuação cambial, em 1999. Quando o câmbio é corrigido em regra de paridade de poder de compra, a oferta da moeda se ajusta passivamente às flutuações da inflação e desaparecem quaisquer âncoras que estabilizem o nível dos preços. Nesse caso, chegamos a um resultado conhecido em que as taxas de inflação passam a se comportar como um caminho aleatório (cf. Dornbusch 1982, Adams e Gros 1986, Bruno 1993).[16] Foi a aplicação contínua dessa regra cambial que, em larga medida, levou o Brasil a viver um longo período de “inflação inercial”. Para Affonso Celso Pastore esta equação no Brasil é estabilizada quando “o câmbio nominal é corrigido por uma taxa pré-fixada, sem qualquer ligação com as taxas de inflação passadas, como feito entre a reforma monetária do Plano Real em 1994, e a adesão brasileira ao regime de flutuação cambial e de metas de inflação, em 1999, ele funciona como uma âncora nominal (Adam e Gros 1986), mas, na presença da livre movimentação internacional de capitais, a taxa de juros e a oferta de moeda também se tornam endógenas. Da mesma forma que nos regimes puros de câmbio fixo, o país fica sujeito à “trindade impossível”, ou seja, não consegue obter, a um só tempo, os objetivos de: a) estabilizar os preços; b) manter a livre movimentação internacional de capitais; e c) controlar as taxas de juros.[17] Conforme Álvaro Antônio Zini Júnior, em seu trabalho “Política Cambial com Liberdade ao Câmbio” o Plano Real é uma tentativa engenhosa de romper com a inércia inflacionária sem o uso de controle de preços e salários… A ideia básica foi à introdução gradual de uma nova moeda com paridade fixa em relação ao dólar americano.[18] O plano reconheceu corretamente que qualquer estabilização imediata da taxa de câmbio do cruzeiro não conduziria, por si só, à estabilização dos preços, dado que um dos canais da inércia dos preços se fazia pela indexação retroativa dos salários (e não pela dolarização como nas hiperinflações da Argentina e da Bolívia, por exemplo). [19] Para superar esse obstáculo, o plano operou em três fases. Na primeira, durante janeiro-fevereiro de 1994, reforçou-se a disciplina fiscal com a aprovação por parte do Congresso de algumas medidas de emergência de contenção de despesas, permitindo projetar um déficit orçamentário próximo de zero para 1994. Na segunda fase, que começou em março, houve uma inovação interessante: os salários, preços e tributos foram redenominados em uma nova unidade de contas, a unidade real de valor (URV). Ao mesmo tempo, o uso da indexação nos contratos salariais em URV foi proibido pelos próximos 12 meses. No período de março a junho de 1994, a URV foi usada como um dólar contábil, posto que sua razão de troca foi mantida em aproximadamente um dólar no primeiro semestre daquele ano. A taxa de câmbio cruzeiro real\URV basicamente foi a taxa de câmbio do cruzeiro real\dólar. Todos os salários e os preços foram convertidos em URVs em março de 1994 (os preços em URVs não foram congelados, podendo mudar tanto antes como depois da fase 3 do plano), embora as transações efetivas continuassem a ser feitas em cruzeiros reais, baseadas na taxa de câmbio do mercado. A inflação em URV (i.e., em dólares) pôde então ser calculada e oscilou em torno de 2% ao mês entre março e maio. Na terceira fase, iniciada em julho, introduziu-se a nova moeda, o Real, também fixada ao dólar no seu início. Todos os preços em URVs foram convertidos em Real (Uma URV sendo igual a um Real). A expectativa era que a inflação iria cair da taxa de 50% ao mês (junho) para a taxa de 2% da inflação em URVs. No entanto, a inflação em URV em julho fi de 7%, um valor acima do esperado, que se deveu, em grande parte, à elevação dos preços na semana que antecedeu o Real. Em primeiro de julho de 1994, começou a terceira fase do plano com a substituição da moeda velha pelo Real. Embora a taxa de conversão entre o cruzeiro real e o Real tenha sido estabelecida em Cr$2.750,00 igual a R$1,00 (um Real sendo igual a uma URV), o que tornou um pouco complicada as comparações entre as duas moedas, a substituição do meio circulante transcorreu sem problemas. Houve uma queda substancial da inflação inercial e o plano conquistou um amplo apoio político entre a população. [20] Luiz Gonzaga Belluzo e Júlio Gomes de Almeida, em sua obra “Depois da Queda”[21] afirmam que em sua concepção essencial, o Plano Real seguiu o método básico utilizado para fim à maioria das “grandes inflações” do século XX: recuperação da confiança na moeda nacional, por meio da garantia de seu valor externo. A “âncora” foi, como é amplamente reconhecido, a estabilização da taxa de câmbio nominal, garantida por financiamento em moeda estrangeira e\ou por um montante de reservas capaz de desestimular a especulação contra a paridade escolhida. É preciso considerar três pré-requisitos para entender como a “desinflação” do Plano Real se processou de forma rápida.[22] O primeiro diz respeito à situação fiscal e de endividamento do setor público. É fato que a questão fiscal foi a primeira preocupação na formulação do plano anunciado em fins de 1993, correspondendo à primeira fase de sua execução, embora as medidas tomadas não configurassem um ajuste em profundidade do setor público. A principal delas foi a criação do Fundo Social de Emergência (depois Fundo de Estabilização Fiscal), que permitia que se desvinculassem das despesas 20% das receitas orçamentárias. O fato, porém, é que nessa matéria o plano não se apoiou nas medidas da sua primeira fase, mas sim na herança do período anterior. Como é sabido, alguns resultados do Plano Collor tiveram significado transitório, incluindo os que transformaram o volumoso déficit fiscal de 1989 em superávit no ano seguinte e os que permitiram o substancial rebaixamento da dívida do setor público. De fato, os números de 1990 foram superados nos anos seguintes, porque o acúmulo de reservas ocorrido desde então exigiu a emissão de dívida nova no setor público, além do atrativo da taxa de juros interna elevada ter incentivado a entrada de capitais externos, o que resultou em encargos de juros maiores. Conforme os autores citados em março de 1994, a equipe econômica promoveu a conversão dos salários pela média e a criação de uma nova unidade de conta, a URV (a unidade real de valor – ajustada diariamente de acordo com uma média de três índices de preços), para onde convergiram salários (de forma compulsória, os salários foram convertidos pela média dos últimos quatro meses), preços, contratos e também a taxa de câmbio. Tal expediente desempenhou um papel de coordenação das expectativas, garantiu informação para os formadores de preços e criou as condições de “conversão” dos contratos, eliminando-se, assim, as “causas” da indexação, já no momento em que foi executada a Reforma Monetária. Esta terceira fase do plano foi implantada em julho de 1994 com a conversão dos valores na moeda antiga e em URV para a nova unidade monetária, o real.[23]
- Da autoria, originalidade e ineditismo do conceito Guerra das Moedas com a relação cronológica dos artigos que o tornaram público.
Não há na literatura clássica, como já afirmei, uma expressão e um conceito específico Guerra das Moedas. Ele foi utilizado por mim pela primeira vez no artigo intitulado Guerra das Moedas e inserido na página de opinião do Jornal do Comércio em 15.07.1998. Todas as referências posteriores são mero plágio do nome e do conceito. O livro “The Currency War” editado na China, cuja autoria é de Song HongBing só foi publicado e editado em 2007 tendo uma publicação de mais de 200.000 exemplares sendo um verdadeiro best seller. Em 29 de março de 2008, John K Cooley, inglês, também escreveu e editou um livro chamado “Currency Wars”. O Professor Barry Eichengreen, uma das maiores autoridades em moeda do mundo, da Faculdade de Economia do Dartmouth College, de Berkeley, na Califórnia, também escreveu um artigo, publicado em seu site, em 2010, intitulado “How to prevent a Currency War”. No entanto a prioridade, com mais de 9, 10 e 12, anos, respectivamente, de antecipação é deste autor. O governo federal utilizou a expressão e o conceito para viabilizar a sua política de justificativa perante a opinião pública interna e externa, junto aos fóruns internacionais FMI e G20, e no entanto, até hoje, embora o este autor ajuizasse uma ação administrativa perante o Ministério da Fazenda, protocolada em 11.11.2010, reivindicando o reconhecimento de sua criação e autoria, sendo que, até hoje, dois meses passados, não houve nenhuma resposta ou pronunciamento a respeito. Certamente restará ao autor, em face da desídia administrativa, socorrer-se através do ajuizamento de ação visando o pronunciamento do Judiciário, a partir do mês de março, se eventualmente ainda não houver manifestação. O primeiro artigo deste autor que tratou da moeda foi aquele intitulado “Brasil: um perigo real”. Este artigo comentava um outro artigo, de lavra de Marcelo Bonelli, publicado no jornal Clarin de Buenos Aires, sob o perigo de uma maxidesvalorização do real.[24] Ora, como eu estava dedicado ao problema da integração latino-americana, notadamente ao Mercosul, um dos dados relevantes para o acoplamento dos vários países no cone sul era exatamente o instrumental propiciado pela simetria monetária sendo que qualquer alteração na paridade monetária entre as moedas levaria a um processo de fragmentação do processo e perda de todo o esforço objetivado nos anos anteriores. Para entender todo o processo monetário que envolvia a integração tive que compulsar livros específicos quando localizei o conceito do “beggar-thy-neighbor” ou chamada em português de “politica de empobrecimento do vizinho” vigente entre os anos de 1929 e 1932, quando as nações adotavam o câmbio livre sendo que posteriormente, após 1944, depois de Bretton Woods, passou a vigorar o sistema de taxa fixa, conforme a alternativa de Harry Dexter White, economista americano compartilhada por algumas sugestões que foram incorporadas por sugestão de John Maynard Keynes.[25] Em 19 de março de 1998 publico na página de opinião do Jornal do Comércio, sob o título “Porquê as Bolsas caem e continuarão a cair”, uma relação, incipiente ainda, da relação monetária com os ataques especulativos, sendo que a referência ainda é muito tênue e pode-se dizer insegura. Ali eu dizia “Aliado a todos estes problemas constatou-se, concomitantemente, um aprofundamento e um distanciamento entre a economia física, a monetária e a financeira. Nos EUA a partir de 1970, detectou-se uma gradativa queda de seu produto real líquido refletindo-se, da mesma forma, numa deteriorização de sua infra-estrutura básica. Tal decréscimo situa-se num percentual de 2% ao ano que vem sendo compensado com substitutivos identificados como aqueles de canibalização de seus investimentos domésticos anteriores em infra-estrutura, produção e força de trabalho e através da pilhagem de países estrangeiros, notadamente os latino-americanos, através de manipulações cambiais propiciadas pelo sistema monetário internacional (LaRouche – ll/1997 – Uma alternativa ao neoliberalismo). A persistência desses indicativos negativos ocasionaram paulatinamente o acaso do sistema americano e os EUA, de nação hegemônica e credora, passa a ocupar o lugar no mundo de maior nação devedora. Suplantado o dilema de Triffin,[26] os EUA abandonam gradativamente o sistema de conversibilidade total e lastro ouro passando a emitir dólar, que torna-se a moeda internacional e necessária, passando a ser não só monetariamente, mas financeira e contabilmente, a moeda que supria e supre o meio circulante mundial e que servia e serve de valor referencial para a abertura e fechamento de qualquer operação financeira mundial, fosse ela pública ou privada. Nesta razão, a constante emissão de dólares, uma das maiores causadoras do déficit público, concomitantemente ao déficit fiscal e da balança comercial, ocasiona, com a persistência dos déficits públicos internos, a necessidade de seu financiamento através da emissão de títulos públicos de alta liquidez e baixo risco que ocasionaram através de técnicas sofisticadas (v.g., derivativos, operações a termo e a futuro, swaps, etc…) o inchamento do que se convencionou chamar de economia financeira fictícia. A este mega-processo do estado americano, por um processo de indução e mimetismo pleno de analogia, as demais nações do mundo, notadamente as economias emergentes, utilizando-se de processos não idênticos mas similares, afundaram-se de mesma forma neste processo de endividamento através do crédito fácil, ocasionando, um processo de sinergia que inflaciona os ativos financeiros, distanciando-os da economia física e real e causando, por outro lado, um processo de rapinagem sobre a economia real ou ativos físicos, seja a produção.”[27] Em 08 de abril de 1998 escrevi e publiquei na Gazeta Mercantil, na página de Opinião, o artigo intitulado “A real ameaça do vírus financeiro” que mostra a relação monetária com o problema dos chamados “ataques especulativos”. Em 16 de junho de 1998 publiquei outro artigo na Gazeta Mercantil, intitulado “Efeito Triffin sobre as Bolsas de Valores”[28], que utilizando-se do conceito do economista belga Robert Triffin, relacionava sua ferramenta, com os distúrbios que afetavam as bolsas do mundo, em razão das oscilações monetárias. No entanto eu já me atrevia a explicitamente, embora de forma concisa a relacionar o tema moeda com a crise. “A crise que vivemos é uma crise com referência ao núcleo conceitual de crédito, aquele comércio jurídico que não se liquida instantaneamente mas ao longo do tempo, seja à condições e/ou a termo. Este crédito em crise atinge as duas áreas do universo do tráfico dos negócios, à pública e a privada. A pública com relação à moeda e aos seus títulos da dívida (grifei) e a privada com relação a todos os seus títulos de crédito e operações a futuro.”[29] Foi no entanto em 15.07.1998, uma quarta-feira, na coluna Opinião do Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul, um dia depois do aniversário da queda da Bastilha, que escrevi o artigo intitulado expressamente A GUERRA DAS MOEDAS. Lá está relatado, de forma concisa e tosca, todo o processo que estavam passando vários países do mundo, as potencias e, a reboque, seus satélites e dependentes. O texto do artigo é meu fiador;”
A GUERRA DAS MOEDAS
Prof. Sérgio Augusto Pereira de Borja
“Os guerreiros antigos foram substituidos pelos economistas, empresários e investidores. Alan Greenspan, George Soros, Lyndon LaRouche, François Chenais, John Kenneth Galbraith, Hikaru Matsunaga, são alguns dos nomes dos novos Alexandres, Césares e Napoleões. Alguns, mega-especuladores, são considerados até como modernos Átilas em face do estrago que podem causar com seu hot money ou smart money (grifei) sobre as economias dos estados. O cenário estratégico das lutas continua sendo a geografia mas deslocando-se o comando dos Estados-nação, antigos protagonistas, transformando-os em meros coadjuvantes. Uma mutação subverteu a ordem antiga e o que era causa, hoje sofre os efeitos. Aqueles, que no xadrez econômico ocupavam o lugar de reis, rainhas e bispos, hoje não passam de meros peões. Keinichi Ohmae, globalista japonês, na esteira de Alvin Tofler, prenuncia inclusive o fim do Estado-nação, que no seu entender será substituido pelas economias regionais, tudo isto sob a batuta das corporações transnacionais. Foi Hilfirding, em 1909 em sua obra O Capital Financeiro, que descreveu o crescimento agregativo dos monopólios que dariam origem ao chamado “Socialismo Antagônico”, seja, o domínio dos trusts e a extinção do livre mercado. John Kenneth Galbraith, retoma esta idéia, em sua obra O Novo Estado Industrial, esboçando o associativismo do estado emaranhado e absorvido por estes mega-interesses. Assim é, que o Estado-Nacional, surgido entre os séculos XIV e XVIII, baseado na Soberania que projetava-se nas funções de legislar, julgar e administrar cobrando tributos e cunhando moeda, hoje, vê suas funções esmaecidas pela interação internacional a que estão submetidos todos os países. Cada vez mais as antigas funções tradicionais vão sofrendo um processo gradativo de relativização em face da normatização advinda dos entes internacionais. A moeda cuja história é resgatada pela numismática, evoluindo de conchas, sal ou gado, para a forma metálica e posteriormente com o surgimento da imprensa, criada por Gutemberg, assumindo a forma de papel-moeda, hoje, na era de Bill Gates, ganhou uma textura eletrônica própria do simbolo que se desconectou virtualmente, através dos cartões, de sua antiga concreção. Assim é que, notadamente, a moeda simbolo de troca comercial e de prestígio da economia dos países começa a sofrer uma erosão no seu conceito nacional.(grifei) Seu conceito fundamental e internacional de valor de troca, mantém-se no entanto, incólume como commoditie que pode avaliar como referência, o valor do trabalho, serviços e bens. A primeira moeda nacional a ter um prestígio internacional foi a libra inglesa. É sabido que nas três primeiras décadas do século XX ela circulava, apesar das moedas nacionais, em vários países. Com a substituição do poder inglês pelo americano, após a segunda guerra mundial e com a criação dos entes de Bretton Woods, o dólar que tinha lastro ouro, paulatinamente, superando o dilema proposto por Robert Triffin, economista belga, passa a perdê-lo, tornando-se no entanto a nova grife monetária internacional. Esta posição, no entanto, como já fora prevista por Triffin nos anos 60, tem um custo inerente, qual seja, consolidou-se através dos constantes déficits no balanço de pagamentos americano, financiado com uma emissão de dólares e títulos do tesouro que alimentam ainda mais o processo deficitário do FED. Este processo inflacionário, supra descrito, alia-se ao processo inflacionário dos outros estados, que não sendo possuidores da máquina de imprimir dinheiro da grife americana, necessitam meio circulante com valor de troca internacional para financiar seu comércio e investimentos. Aliada a este processo de inflação dos papéis públicos une-se a inflação de papéis privados através dos mercados à termo e seus derivativos. Sob a guerra fria constatava-se um enfrentamento polarizado entre os EUAxURSS, no entanto a disputa econômica pelos mercados restringiu-se sempre a tripolaridade dos EUA, Japão e Europa. Com os estilhaçamento da antiga URSS o tripé econômico reforçou-se ainda mais, surgindo fissuras no bloco dos antigos aliados econômicos do pós-guerra. A Europa busca sua consolidação como potência econômica, não só através da união econômica sobre o pálio de Maastrich, mas busca isto sim consolidá-la através de uma moeda, o Euro que em breve estará em vigência. O Japão, por seu turno, não quer mais submeter-se ao seu “protetor” americano pagando o estouro da banca dos Ex-Tigres. Assim, desvaloriza gradativamente o yen e o valor do seu passivo assumido naquela moeda. Faz isto com segurança, porque assim como a Alemanha, está sentado sobre uma pilha de trilhões de dólares de títulos do Tesouro Americano. A queda gradativa e constante da valor monetário no oriente e a estabilização do ocidente, notadamente a Europa, faz com que o dólar americano e as economias que lhe são dependentes, como a América Latina, fiquem isolados com uma super valorização monetária que lhes agrava os processos, tanto o de Importação como de Exportação, perdendo a capacidade de concorrência frente aos dumpings sociais somados aos dumpings monetários destes países, fazendo com que ocorra a destruição de sua economia interna, ou pela extinção de seu capitalismo autóctone, como é o caso da América Latina, ou a perda de suas indústrias, através de greves, como é o caso dos EUA. A China, o novo aliado adulado por Clinton, sente o impacto do bloco controlado pelo Japão. Até quando seu imenso mercado será cativo ao mercado americano e ela não será forçada a desvalorizar da mesma forma o yuan ?!!(grifei) Quanto tempo resistirão a Rússia e o Chile que de round em round já estão quase atirando a toalha no ringue ? A questão concreta que fica no ar é a seguinte: Até que ponto os Estados Unidos e os sistemas econômicos que lhe são dependentes, notadamente a América Latina, aguentarão com suas moedas sobrevalorizadas em relação aos demais sem ter de fazer uma maxi-desvalorização em conjunto ?!!(grifei)
Outro problema que se agiganta é aquele que prenuncia o day-after da explosão da grande bolha: Constata-se que o nível de interação econômica do mundo não mais permite a possível visão da moeda como um valor nacional.(grifei) Assim, do ponto de vista da racional sobrevivência da humanidade, não só econômica mas como sociedade viável, deflui nesta razão direta, a construção de um conceito internacional de moeda, que mantenha a sua base como valor ou padrão estimativo de troca, superando no entanto sua origem e base nacional, para tornar-se um valor internacional propriedade da humanidade, assegurando a diversidade dos vários povos através da estabilidade e segurança econômica. Inscrever-se-ia assim, nas cartas dos direitos humanos dos povos, um direito essencial que a história está devendo para a humanidade: O Direito à Moeda.”(grifei)[30] Este artigo, traz no seu bojo, plenamente identificados, os seguintes conceitos, com todos os atributos de originalidade e ineditismo:
1 – O nome e a expressão nunca utilizados anteriormente em economia para definir o processo – no próprio título – A GUERRA DAS MOEDAS;
2 – Identifica a erosão do conceito e da função monetária nacional pelas afetações internacionais – notadamente o processo cambial interativo entre várias moedas e o processo de transmutação da moeda da forma gutemberguiana (Gutemberg inventor da impressão) – moeda física – para a acepção de moeda eletrônica, (era de Bill Gates) a cabo e através dos cartões de crédito;
- – Identifica o processo inflacionário da moeda americana e lhe atribui expressamente responsabilidade pelo induzimento da crise no sistema;
4 – Desvela também, não só o nome, que intitula o trabalho Guerra das Moedas, mas o conceito plenamente expresso de desvalorização recíproca para, através de dumping monetário, ganhar vantagens comparativas inadvindas de suas situações objetivas econômicas mas oriundas, isto sim, da impostura monetária (dumping monetário, social, etc);
- – Demonstra, plenamente os prejuízos advindos do processo, citando-os, como desindustrialização e processo de desequilíbrio do balanço de pagamentos, etc;
- – Mas o que é mais incrível é que em 1998 adianta a futura alternativa, que é o que o americano está realizando agora, de uma maxi-desvalorização do dólar, para poder fechar um currency board (dolarização) não em alta, mas já agora em baixa, com vantagens perante a Europa e demais potências não pertencentes a placa tectônica (zona) do dólar;
- – Por fim um conceito de moeda internacional para que não haja mais desapossamentos em função desta guerra suja;
- – E coroando tudo a emissão de um conceito ideal de DIREITO À MOEDA, também nunca dantes veiculado;
Certamente todos os conceitos extraídos são tão simples que todos os leitores, no recôndito de sua subjetividade, questionarão – o que realmente este sujeito pretende ter descoberto se utiliza fórmulas tão singelas. No entanto recordo-me de minhas aulas de história quando minha professora esboçou o artifício de como Cristóvão Colombo (Metáfora do “Ovo de Colombo”[31]convenceu a todos e aos reis de Espanha, que lhe financiassem uma expedição para a descoberta das Índias. Ele perguntou aos presentes – Como se coloca um ovo em pé? Vários tentaram e ninguém conseguiu. Ele simplesmente bateu o ovo com força sobre a mesa, esmigalhando a base o que, pela criação de uma superfície plana, ofereceu base para o equilíbrio do mesmo. As coisas são simples, depois de realizadas, mas antes de feitas ninguém atina com a realização do ato a ser feito. Depois de feito dizem simplesmente: Ah!! Assim eu também o faria…Pergunto… e porquê não fizeram…Porquê “descobriram” o conceito 10 anos depois que o provinciano professorzinho Sérgio Borja, expressou todo o conceito. Lembro-me de uma crônica de Luis Fernando Veríssimo supondo Sócrates, Aristóteles, Édison, Newton ou Eistein, ou qualquer outro que não me recordo, em Canoas. Santo de casa não faz milagre, diz o provérbio, com certeza milenar. Em 17 de agosto de 1998 foi escrito o artigo intitulado “O real, o dólar e o sudoeste asiático”, na página de Opinião da Gazeta Mercantil, e que foi publicado em meu site da Universidade Federal simplesmente sob o título de o Real e o Dólar, explicitando ali, plenamente, o equívoco dos americanos com relação a implantação da dolarização, ou mesmo, ao contrário, tentando implantar, para simplesmente conectar as vantagens comparativas e deletando totalmente as atividades incompetentes (seja aquelas que com a dolarização em alta morreriam por asfixia em razão da concorrência das similares com vantagens comparativas importadas). Ali digo expressamente comparando a planta produtiva americana com a brasileira e porque o que serve para um não serve para o outro: “Poderíamos ser levados a pensar que os efeitos, tanto para um país como para outro, seja EUA e Brasil, seriam, em termos comparativos, os mesmos. No entanto é bom analisar, antes de uma conclusão apressada, o perfil econômico cotejado entre as duas economias, para concluir que as características de produção com um alto poder agregado e altamente sofisticado do mercado produtivo americano, forçam, por uma ausência de concorrência com relação a este tipo de produção, que malgrado pequenas distorções que só agora começaram a afetar levemente a política econômica americana, este país ainda mantenha um perfil de vantagem sobre a concorrência, sendo que os produtos importados, com baixo poder agregado e necessários para suprimento do mercado norte-americano, são comprados por preço vil, em razão do alto poder aquisitivo da moeda, sendo que as exportações americanas, são adquiridas a preço de ouro, em razão da supervalorização do dólar no mercado mundial. Se isto acontece para os americanos, no entanto, para os brasileiros, idêntico fenômeno aplicado a uma realidade cujo perfil econômico é outro, passa a ter uma leitura completamente diferente, ocasionando prejuízos terríveis com relação, ao agravamento da dívida pública, a concorrência de produtos que são similares aos dos mercados concorrentes, pois temos o mesmo perfil subdesenvolvido dos concorrentes asiáticos, que levam vantagens nos preços de mercadorias semelhantes, em que vêm embutido, além do dumping monetário, o custo baixo do dumping social, concorrendo similarmente com produtos de uma idêntica planta produtiva.”[32]
Assim é que o Real, com sua taxa de câmbio sobrevalorizada, faz com que inexista também a inflação, apesar da expansão da base monetária, pois o preço alto da divisa propicia um alto poder aquisitivo nas importações fazendo com que sejamos bombardeados por mercadorias concorrentes, que comprimem os preços das mercadorias produzidas pelo capitalismo nacional completamente dizimado por esta concorrência desleal, redundando tudo isto em desemprego. Em suma, perda dupla: Para os empresários, acossados pela capacidade ociosa de seu parque produtivo e a acumulação de estoques e, os trabalhadores, pela perda das vagas e a necessária distorção que se faz através da “flexibilização” de seus direitos. A contínua queda do yen (iene), em perdurando e ultrapassando a marca da cotação de 150 por dólar, fatalmente levará a queda do yuan e, consequentemente, levará a um agravamento dos déficits americanos, fazendo com que ocorra uma desvalorização do dólar e consequentemente do real. Resta saber qual o prazo de maturação ou contaminação dos créditos podres dos bancos japoneses e seu reflexo sobre as moedas e os derivativos que não param de cair fazendo assim, com que exista a expectativa, tão combatida por Keynes, de um movimento abrupto para baixo, sem possível controle pelos agentes econômicos.[33] Em 24 de novembro de 1998, na mesma Gazeta Mercantil do Rio Grande do Sul, escrevi o artigo “Por que o Brasil está quebrado?” Esclarecendo todos os problemas que havia gerado o Plano.
- Dos efeitos do Conceito Guerra das Moedas e os artigos que os transmitiram.
Recentemente estive no programa Conversas Cruzadas, do meu querido amigo o jornalista Lazier Martins em determinado momento uma pessoa do público, lembrou que eu era conhecido como o Professor Catástrofe, citou inclusive o nome de um economista, Nouriel Roubini,[34] que previa catástrofes, ironizando que as que eu previra nunca haviam se realizado. Ora, não tive presença de espírito para responder, mas o ano de 1998 e seguintes foram o ano da Rússia, do México, da queda do Brasil e depois da Argentina, chamados efeitos Samba e Tango. Todos estes acontecimentos foram chamados de “Ataques Especulativos”. O Brasil, na ocasião teve um incremento da dívida interna de 60 bilhões para 750 bilhões e que hoje, por força deste começo, está em 1,6 trilhões de reais ou o equivalente a mais de 750 bilhões de dólares que coloca o Brasil como um Neo-Pig. Poderia afirmar aqui que é daqui deste valor referido, a dívida interna, que virá a próxima crise que atingirá o Brasil. E é com este título, “Um novo ataque especulativo” que eu desvelo na realidade, de forma subjacente e condicionante do mesmo, o problema advindo da guerra das moedas ou o problema monetário. O texto publicado em 04 de novembro de 1999, na Gazeta Mercantil, é minha testemunha: “Ataque Especulativo” é um eufemismo terminológico com que todos os oficialismos latino-americanos têm manipulado a opinião pública encobrindo suas péssimas estratégias de gestão macroeconômica.[35] O fracasso da tentativa de “currency board”, paridade entre moedas latinas com o dólar, vigente tanto na Argentina como no Brasil, respectivamente, com ampla conversibilidade ou de forma mitigada, abortou a manutenção de um “continuum” de base geopolítica. A quebra deste sistema destruiu, pelo menos temporariamente, a condição mínima para o estabelecimento de um processo de simetria monetária que por sua vez induziria, paulatinamente, num processo de reengenharia econômica coadjuvada por intervenções cirúrgicas jurídicas, a simetria da produção e do tráfico comercial do Cone Sul através do Mercosul. Eduardo Galeano, em Veñas abiertas de la América Latina, dizia que vivíamos com “las espaldas volvidas contra nosotros mismos” em virtude de que, como sub-sistemas (conforme a teoria esquecida de um Presidente) servíamos unicamente como corredores de exportação. Pela primeira vez a racionalização de mercado, com a implantação do regionalismo, permitiu um comércio intra-bloco que encostou na casa dos 22 bilhões de dólares. Com relação ao Brasil, uma radiografia das exportações, permitia ver, no entanto, que este comércio em 60% envolvia no máximo uma dezena de oligopólios internacionais ou a estes associados, sendo que os restantes 40% eram divididos entre médios, pequenos e micros nacionais. Expurgados os defeitos do sistema, que não são poucos, este comprovou no entanto, que propicia a tão necessária capilaridade para integrar as economias antes desconectadas. Robert Mundell, economista canadense e professor da Universidade de Columbia (htpp://columbia.edu/~ram15/oatoc.html) recentemente ganhou o prêmio Nobel de Economia manifestando, em seu largo acervo teórico, a necessidade da existência de “áreas monetárias favoráveis” como a do Mercosul, através da implantação do que se traduz no conceito de simetria que substituiria a assimetria macroeconômica, tanto monetária como da planta produtiva. A arquitetura do euro é inspirada em suas teorias. Ora, com a quebra da simetria econômica induzida monetariamente, falhou também a tentativa de implantação de um mercado americano de norte a sul através da ALCA. Fracassando a política norte-americana representada pelo dólar, de expandir suas fronteiras, impossibilitou-se o seu confronto competitivo, através de vantagens de escala, dentro da “tripolaridade tectônica monetária”, representada pelas outras duas “placas”, o yen e euro, que desequilibraria o sistema em seu favor. Esta é a visão de um cenário monetário internacional inteiramente volátil que sofre uma interação sistêmica alternante em que qualquer afetação em uma das três moedas influencia diretamente as cotações e os sistemas macroeconômicos dos dois sistemas restantes. Coadjuvando o sistema do dólar americano, está ainda, a moeda chinesa, cujas oscilações poderão debilitar ainda mais o sistema do dólar refletindo-se no aumento dos juros, na oscilação do Dow Jones, periclitando ainda mais a instabilidade da “bolha inflacionária americana” agravada pelo forte refluxo cumulativo de capitais fugidos dos terremotos dos Tigres, da Rússia e do Brasil e que amontoam-se sobrevalorizando os ativos financeiros americanos. Partindo de uma pretensa simetria mal administrada em que ao globalismo faltou fôlego, voltamos a um sistema de assimetria agravada. O processo de internacionalização e racionalização dos fluxos sofre uma debácle séria sendo que os seus empreendimentos ficam virtualmente “encerrados” sobre a restauração da “bolha de soberania” dos países, transformando-se a zona de continuum alfandegário, numa zona de batalha de retaliações comerciais. A “guerra confederativa externa” introjeta-se mesmo dentro da soberania tendo seus efeitos emulativos na “guerra entre os próprios entes federativos” dos estados componentes do sistema regional. O que resta, além da assimetria monetária resultante, causada pela máxi brasileira que desconectou o mercado, é um cenário profundamente debilitado e agravado por déficits, default´s públicos e privados, onde convivem os refluxos de capitais de investimento para financiar as contas correntes (hot and smart money), reversão de expectativas com relação às exportações em virtude das quedas nos preços das commodities, etc. O quadro pictórico atual é este: O Equador sofreu um default com relação a renegociação de suas bradies. O Peru, da mesma forma, sinalizava em vermelho. Bolívia, Paraguai e Venezuela vão daquele jeito. O Chile não tem conseguido controlar o seu câmbio sendo que o Brasil, em função dos sinais vermelhos que partem de sua vizinhança e em razão dos índices negativos de sua macroeconomia, sinaliza da mesma forma com desvalorização cambial. A Argentina, pelo que tudo indica, após as eleições será “a bola da vez” onde se acenderá o rastilho que contaminará o restante do sistema que está arfante. Recentemente um alto funcionário da Alfândega, Martinez Pardies, questionou as estatísticas argentinas no sentido de que estavam sendo maquiados os dados macroeconômicos(GM 15.10 pág.A-12). Sua dívida externa disparou e alcançou a cifra de 139,7 bilhões, com um rombo da balança comercial em torno de 5 bilhões(GM Latina 17.10 –pág.25). Nenhum país pode conviver por muito tempo num regime de estagnação econômica o que forçará uma maxi-desvalorização do currency argentino que irá, no mínimo, para dois por um. É sabido, que em períodos eleitorais os governos preferem queimar divisas, como se fez no caso brasileiro onde foram torradas divisas equivalentes a 70 bilhões de dólares para manter a “estabilidade” do real, até que o candidato oficial ganhasse o páreo. As populações condicionadas por um escudo de psico-condicionamento subliminar, engolfadas por um marketing massivo, acordam lentamente. Sabe-se, de antemão, que o México, para as eleições do ano que vem irá receber do FMI, um empréstimo ponte para poder passar pelo período eleitoral sem nenhum “ataque especulativo”. Os índices dos termômetros econômicos do mundo já estão sinalizando em vermelho: O petróleo subiu em menos de meio ano mais de 100%, os índices são piores do que 1973 quando da crise petrolífera; o ouro ultrapassou a barreira simbólica dos U$300; Alain Greenspan, do FED, a mais de ano e meio tem advertido sobre a sobrevalorização dos papéis e continua em seu périplo; o processo de fusão dos oligopólios, para diluir perdas, continua trilhonário; o mercado secundário de Bradies está sem fôlego e para agravar tudo isto, a América Latina inteira é um barril de pólvora frente aos rombos públicos e privados que emulam a força de um grande “black-hole”; sem se falar no “bug do milênio” que na realidade serviria de “justificativa”, como uma enzima catalizadora para dar o processo de “start” ao grande “crack” que se aproxima contaminando tudo como um rastilho sistêmico. Certamente o timoneiro que nos colocou em rota de colisão, exclamará como Luís XV: Aprés moi le déluge (Depois de mim, o dilúvio) e fechará a porta da história sobre os restos do país como Gorbachov o fez. Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra ?”[36] Ao economista que me interpelou no Programa da TVCOM, do Jornalista Lazier Martins eu deveria ter lembrado todos estes problemas e mais o fator que a partidocracia que governa o país, esconde a sete chaves, e mediante marketing massivo, se exibe como autora de ter quitado a dívida perante o FMI. Não falam da dívida pública que de 60 bilhões legada pelos militares para a democracia esta fez com que a mesma, a custa de juros da famingerada SELIC fosse potencializada para os hoje mais de 1 trilhão e 600 bilhões de reais – mais ou menos 750 bilhões de dólares – que crescem a razão de 5,8 ou mais ou menos 60% ao ano, tragando toda a capacidade de investimento do estado e candidatando o Brasil a ser um futuro Neo-Pig, como Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha. Já escrevi este assunto mandando o mesmo para o jornal Estado de São Paulo mas o mesmo não o publicou colocando-o, no entanto, como produção de carta de leitores, no seguinte endereço eletrônico, para testemunhar para futuro quando o evento acontecer: “A SELIC E A BOLHA PÚBLICA”.[37]
Entre tantos efeitos descrevi a afetação do problema com relação ao agronegócio e seus efeitos sobre o campo e a cidade no artigo intitulado “Economia de escala, custos e direito agrário” que foi apresentado no Congresso de Direito Agrário da Associação Mundial dos Agraristas, realizado em Porto Alegre no Centro de Eventos do Plaza São Rafael.[38] Neste trabalho, no capítulo 1.3. eu dizia: “a) O Custo Econômico e o Social. Assim, num cenário de desemprego causado por uma recessão artificial e macroeconômica, em que primeiro deprime-se os preços finais dos produtos, ante mecanismos artificiosos de manipulação de mercados de comodities e posteriormente, já endividado o setor e o sistema de financiamento estatal associado (Banco do Brasil e Bancos Estaduais com graves endividamentos), passam-se os anos 80, da década perdida, surgindo nos 90, o chamado Plano Real, que sob o argumento conceitual de direito à moeda, valor intrinsecamente justo, manipula artificialmente o cambio, sobrevalorizando a moeda e fazendo com que a economia do país seja sucateada totalmente. Em 1997, o Banco Central Alemão, teve uma expansão do meio circulante na ordem de 4,7% sendo que este dado causou fortes apreensões sobre a possibilidade de uma inflação. No Brasil, conhecido sobejamente o fenômeno e a inteiração da moeda com sua oferta, através de emissão, no entanto, em princípios de 1998, para pagar a aquisição da moeda que entrava no país atraída frente ao aumento remuneratório dos juros, para coibir a crise dos Tigres Asiáticos, houve uma expansão do meio circulante de 24%, num único mês, no entanto , paradoxalmente este fenômeno não causou nenhuma inflação. Economistas, analisando o fenômeno, constataram que na realidade o câmbio mantido artificialmente alto, propiciando o enriquecimento dos importadores e dos segmentos exteriores que conforme a origem, importam adredes as mercadorias, dumping social e dumping monetário, estes níveis cambiais altos , então, emprestam um alto poder aquisivivo a moeda nacional que importando produtos estrangeiros faz concorrência aos produtos similares nacionais deprimindo a produção nacional ou mesmo fazendo que ocorra a extinção e extirpação de setores inteiros da economia. Assim o setor de tecidos, de enlatados, de sapatos e notadamente o setor agropastoril. Deprimindo-se a produção através da concorrência desleal das importações, deprime-se a oferta de produtos, que estocados são mantidos deprimidos nos seus preços, repassando para a população, com um preço final artificialmente baixo em razão da compressão cambial, a descapitalização do setor primário que passa a ser o financiador por excelência do programa Real. Com relação ao sistema agropecuário, a baixa remuneração dos produtos finais, o aumento do valor dos insumos como sementes, máquinas e agrotóxicos, e a concorrência dos produtos estrangeiros fazem com que ocorra uma não inversão no setor que remunera mal o investimento ocasionando cada vez mais a descapitalização dos empresários. A depressão econômica do campo, aliada a da cidade causa forte desemprego em ambos os setores ocasionando pela mobilidade da mão de obra migratória, um amplo cinturão de fome nos pólos produtivos pressionados pela geração urgente de mais empregos que no entanto não são gerados. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o número de trabalhadores rurais passou de 18 milhões para 16,5 milhões. A crise no setor primário deve elevar os índices nacionais de desocupação. Um estudo do IBGE revelou que o setor e a agroindústria estão entre os oito maiores geradores de renda e emprego na economia nacional. O caldo de cultura leva a eclosão da violência urbana que faz com que no país 70.000 pessoas, em delitos penais, a bem dizer uma verdadeira guerra civil molecular, sejam assassinadas por ano. No Vietnã, para comparação, em cinco (5) anos de guerra foram mortos 50.000 soldados. Assim é, que a única possibilidade ou alternativa possível, na ótica do sistema, é a de recambiar o desemprego e alocá-lo, como mão de obra desespecializada que é, através da Reforma Rural.[39]–[40] Que o aumento das commodities no mercado internacional, que causam inflação exógena e endógena, já estavam previstos no artigo intitulado “O Grito de Buenos Aires”, mencionando expressamente no item VIII o problema e os efeitos para a produção no Rio Grande do Sul. Aí estão as advertências: “Dia 29 de agosto último, em Buenos Aires, o Grupo de Cairns, do qual o Brasil faz parte aliado a 14 outros países (Argentina, Austrália, Canadá, Colômbia, Chile, Fiji, Filipinas, Indonésia, Nova Zelândia, Malásia, Paraguai, Tailândia, África do Sul e Uruguai), reuniu-se para protestar contra as distorções do comércio mundial. Este grupo, em suma, pretende-se como competitivo com relação aos produtos agrícolas, commodities, e visa a extinção das barreiras alfandegárias que afetam este comércio específico, assim como, os subsídios agrícolas dados pelos EUA, UE (União Européia) e Japão aos seus produtores, para este tipo de produção. Consideramos a persistência desta política, por parte do Brasil, um tremendo equívoco estratégico. A contra argumentação a este raciocínio é aquela que legitima a permanência do Brasil, no grupo, em função de sua qualidade de grande produtor agrícola. No entanto, este argumento pode ser facilmente contestado em cima dos seguintes pontos:
I – O Brasil, como nação continente, tem uma variabilidade de climas e solos como nenhum outro entre os países do grupo e assim, sob estas premissas lógicas e empíricas, se tem produtividade e competitividade em alguns itens agrícolas, em outros, do seu largo espectro produtivo, não terá; não procedendo a contra argumentação no sentido de que Canadá e Austrália têm o mesmo espaço físico continental do Brasil, pois se assim são idênticos, diferem com relação ao clima, que neles é, em maior parte desértico ou árido, pelo frio ou pelo calor, não tendo a mesma variabilidade a riqueza e a diversidade dos micro-climas brasileiros e, nesta razão, de sua diversidade de produção primária não oligopólica, cuja tendência é ser definitivamente exterminada pela falta de proteção;
II – Que tanto no Brasil, onde três companhias dominam toda a comercialização dos grãos, como no mundo inteiro, onde somente cinco oligopólios dominam o comércio de comodities primárias, é impossível, sob este aspecto mudar uma política cujo domínio tem sede e nacionalidade nos países desenvolvidos, EUA e UE, especialmente na Inglaterra, através da vinculação e o controle destes oligopólios comerciais;
III – Que Austrália, Canadá, Nova Zelândia e África do Sul, antigos integrantes do império colonial inglês, agora fazem parte da Commonwelth, continuando fortemente vinculados ao poder inglês que controla comercialmente as grandes companhias citadas e desta forma também detém seu controle político; que muitas das demais nações ali agrupadas, no grupo de Cairns, são meras “bandeiras de aluguel” servindo de longa manus do maquiavélico poder anglo-saxônico, cujas implicações são contestadas, por incrível que pareça, até mesmo por várias entidades e pensadores nos EUA, que se vêem ameaçados da mesma forma por este poder internacional, que dizem, domina uma fatia de 40% da produção americana;
IV – Que comprova a assertiva feita acima a não integração total da Inglaterra no sistema da UE, em vista de seus interesses oligopolístas em todo o mundo;
V – Que apesar da longa existência do Grupo de Cairns, que já está na 19ª Reunião Ministerial, o comércio multilateral que envolve as commodities primárias, entre a América Latina e a UE (União Européia) aumentou de 1990 a 1996, somente 25%, enquanto o comércio bilateral, que interessa mais a Europa e que não tem proteções ou nenhuma forma de acordo como aquele, aumentou, em benefício da Europa, 274%;
VI – Que se os estados nacionais emergentes, que apressam-se em mitigar suas características nacionais, abrindo mão inclusive do seu poder estratégico militar, retornando, nesta ótica colaboracionista a um regime declarado de colonialismo enquanto os estados nacionais centrais, do G-8, cada vez mais, através da OTAM, fortificam-se e internacionalizam sua atuação, interessando-lhes, inclusive, a independência estratégica e o controle das últimas fronteiras agrícolas do planeta;
VII – Que vinculado a estas razões de estado, os países do primeiro mundo, com uma política de “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”, apregoam a globalização, no entanto continuam a subsidiar e a proteger o comércio de sua produção alimentícia, por ser este um item estratégico letal para a sobrevivência autônoma de suas populações nacionais, em caso de guerra ou qualquer corte da produção e fornecimento mundial;
VIII – Que, apesar da existência e da participação no Grupo de Cairns, o Rio Grande do Sul, inserido no Brasil, sofreu, como se fosse um bombardeio, que quase extinguiu totalmente sua produção primária, cuja situação, agora, está se modificando lentamente, não em função da permanência ou defesa dos parâmetros defendidos pelo grupo, que colocariam sob sua ótica a pique o Rio Grande, mas muito mais pela defesa contida no câmbio que, agora, tornou-se favorável para a produção nacional ali desenvolvida, como análogamente pode-se verificar com outras produções de outros micro-climas nacionais semelhantes ao Rio Grande, que agora, sob o escudo monetário podem melhor articular-se;
IX – Que se a competitividade é uma realidade para quem detenha uma melhor otimização de itens relativos aos custos e inclusive, via de regra, para quem detém escala de produção a nível internacional, como é o caso de alguns empresários gaúchos que já atuam em nível multinacional, ela no entanto esbarra na não uniformidade climática e do solo, que limitam assim a sua aplicabilidade total, como parâmetro de inevitável sucesso, à atividade primária como um todo, seja ela a agricultura ou a pecuária;
X – Que o Senador William Roth, dos EUA, charmain da Comissão de Finanças do Senado Americano, tem se manifestado a este respeito, várias vezes perante a União Européia, solicitando uma política global para o setor primário, tanto no que diz respeito aos subsídios como no que respeita as barreiras, sejam elas técnicas ou fito-sanitárias, referindo-se também aos produtos com alto valor agregado como sapatos, aço e aviões, em que o Brasil, particularmente, no Mercosul, tem competitividade, mas no entanto, tem sido uma voz solitária nestas articulações (seus discursos e trabalhos constam do site do Congresso Americano e estão disponíveis para download via Internet).
XI – Que o fator transgênico, relativo ao soja, se do ponto de vista do incremento da produção é altamente recomendável, por outro lado, do ponto de vista genético e estratégico, é péssimo em razão da dependência da produção da semente, que é um híbrido, e do fator de erosão do seu genoma, como consta em ampla bibliografia produzida pelo geneticista canadense Pat Money, que nos fins dos anos oitenta, esteve em Porto Alegre a convite do CREA/RS, fazendo várias palestras para as entidades que congregavam os engenheiros agrônomos, demonstrando o crime contra a biodiversidade ocasionado pela massificação de algumas condutas de pesquisa e aplicação genéticas. Referindo estes itens, queríamos colaborar com o novo titular do Ministério da Agricultura, o Dr. Pratini de Morais, que no recente affair relativo aos percentuais de ocupação do campo, teve uma imensa e benéfica participação que deveria, através da ótica colocada, em função dos altos interesses estratégicos, não só do estado nacional, mas também, muito mais, para proteção do povo brasileiro, como garantia do fornecimento de alimentação, sadia e barata, alterar a participação do Brasil, no citado Grupo de Cairns.
- Das subsequentes previsões e seu acerto utilizando-se do instrumental tosco do conceito de Guerra das Moedas
No Natal de 2004, escrevi outro artigo intitulado “Câmbio, Juros e Política Econômica” e que está publicado em meu site da Universidade Federal. O Jornalista Fernando Albrecht publicou o mesmo em seu site em duas partes. Este artigo com uma precisão incrível, como um augúrio proferido, inclusive ironizo isto no frontispício, prenuncia, com antecipação a realização do processo de looping da moeda americana ou sua maxi-desvalorização e a alternativa buscada pelos americanos de estabelecer na baixa, aquilo que tentaram na alta e não funcionou. O artigo prenuncia inclusive medidas que devem ser tomadas como a reforma tributária e a queda dos juros. Eis o texto, que é dos mais acessados na Internet: “Feliz Natal e Boas Festas ! Remeto um artigo de prospecção para o futuro inarredável que virá ! Os romanos consultavam os augúrios e as pitonisas. Atualmente analisamos as tendências…Um grande abraço Prof. Sérgio Borja – tel: 051 98083706 res/tel/fax: 051 33 37 00 28 mail: borja@pro.via-rs.com.br Portal: http://www.sergioborja.com.br A NECESSIDADE DE UM PLANO REAL III. O anúncio feito pelo Banco Central de que comprará US$2,998 bilhões até junho de 2005 demonstra mais uma vez a miopia da política econômica brasileira. Além de gerar uma flutuação “suja” do câmbio mostra a ausência de consciência que é coerente com a tomada de decisões referente à política de meta inflacionária como um todo. Esta política se faz sob a ótica de uma única concepção que é a da auto-suficiência dos controles macroeconômicos endógenos, sejam, aqueles estanques no sistema do estado nacional. Desconectada e não integrada, a uma visão macroeconômica exógena que supõe necessariamente a existência de condicionantes externos, alguns determinantes, poderá, a prazo médio, levar o país a um novo colapso. Todo o profissional ou mesmo o curioso em economia tem consciência da afetação direta de uma série de dados externos sob o sistema econômico nacional. Não foi por acaso que a partir de meados da década de noventa o sistema internacional passou a implantar gradativamente um modelo de “currency board” (dolarização) em toda a América Latina. Esta política, implementando o pensamento de Robert Mundel – prêmio Nobel de economia – pensava concatenar através da simetria monetária as assimetrias econômicas e, alavancar assim, as vantagens comparativas da região integrando-as numa escala econômica continental que favoreceria a sinergia integrada de um macro-mercado, que conforme o pensamento liberal, levaria a uma integração da população de um salto quantitativo a um salto qualitativo por excelência. Este macro instrumento de colimação econômica ruiu por inteiro trazendo o colapso das nações que foram, uma a uma, tragadas como “bola da vez”. A Argentina que persistiu heroicamente no equívoco não conseguiu até hoje sair da moratória perante o FMI. O Brasil, em face das advertências sobre à sobre-valorização cambial, mudou da política de câmbio fixo para a atual flexibilização cambial. De um modelo importador, no primeiro momento do Plano Real I, passamos para um modelo exportador, no Plano Real II. O real, desvalorizado perante o dólar permitia, neste segundo tempo, a política cognominada pelo economista belga Robert Triffin de “beggar thy neighbor” – em bom português: política de empobrecimento do vizinho que também, nas entrelinhas, pode ser traduzida como “dumping” monetário. O dado relevante que é suprimido do traçado da política econômica nacional é o fenômeno que cognominamos de placas tectônicas monetárias que reproduzem, analogamente o chamado policentrismo tripolar (EUA x UE x ASEAN), como foi chamado o cenário que substituiu a polarização entre EUA x URSSS, cognominada guerra fria. Assim é que a placa européia com o tratado de Maastrich e a adesão do leste europeu já está bem dizer consolidada. A ASEAN, caminha a passos largos para uma autonomia frente aos mecanismos ocidentais. No entanto a ALCA, zona onde estamos inseridos, entre marchas e contra-marchas, caminha a passos de formiga baldados os esforços hercúleos dos entes multilaterais para consolidação de um espaço similar nas Américas. Assim é que nesta macro-engenharia internacional de acoplamento político-econômico das nações americanas, por indução dos entes-multilaterais (OMC/GATT, FMI, World Bank) falhada a concatenação através da política de currency na alta, tenta-se a concatenação que é induzida através do rebaixamento do dólar frente ao euro e o yen. Após o efeito samba e o efeito tango fontes européias vaticinaram por volta do ano 2000, com acerto, a desvalorização do dólar frente à moeda européia em 30%. Isto facilitaria uma acoplagem na América Latina, porque uma moeda desvalorizada da Patagônia até o Alaska, propiciaria a implantação de um sistema de currency board na baixa, chegando a um meio termo sobre o processo de importação e exportação, frente à Europa e a Ásia, equilibrando da mesma forma os mercados internos dos países latinos e induzindo sobremaneira a concatenação do projeto da ALCA. Este modelo econômico traria benefícios duplos aos EUA, o primeiro, já descrito, colocaria os EUA como matriz inconteste do novo macro-estado pós-nacional que se delinearia nas Américas de norte a sul através do incipiente proto-esboço da ALCA ao mesmo tempo em que, da melhor maneira possível, propiciaria aos americanos a eliminação de seus déficits crônicos que ultrapassam já a casa dos US 40 bilhões de dólares mensais. Sendo certa esta hipótese de trabalho, observaremos num período de prazo médio uma convergência de índices – em virtude da colisão das tendências das políticas econômicas endógena com a exógena – que, por força deste mesmo paradoxo intrínseco, levarão a um asfixia da economia nacional, se não for alterada a política de juros, tributos e salários. No futuro, além duma diminuição no processo de exportação, com a tendência inevitável da queda do dólar, por conseqüência da argumentação expendida, necessitar-se-á do aumento do mercado interno para sustentar o processo produtivo sem desemprego e sem recessão assegurando assim a consolidação da Democracia através da implantação do Plano Real III, que seria a eqüidistância cambial entre os Planos Real I e Real II.(grifei)”[41]
Em 2007, através do artigo Dólar: O Portal para o Mercado, previ da mesma forma a catástrofe que foi acontecer com os chamados PIGs (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha). A expressão que inicia o texto que diz que “a fraqueza do dólar é sua força” expressa toda a complexidade deste universo: “DÓLAR: O PORTAL PARA O MERCADO. A aparente fraqueza do dólar é a sua real força. Vários artigos acadêmicos embasados nos vários déficits americanos e encorajados pelos índices comparativos entre várias moedas vaticinam vários cenários alternativos para a persistente queda do dólar. Estes cenários vão desde a visão catastrófica do crash total, passam por um esboço de looping, em que o dólar terá uma tendência descendente até 2014, quando a partir deste patamar começará novamente a se aprumar e, outros, que apesar dos sinais persistem em considerar que nada mudou e que o dólar ainda é, como sempre foi, um dos fundamentos da política internacional de comércio. Todos estes pensamentos não estão totalmente errados porque o dólar é como o caminhar de um ser humano. O andar do ser humano é um processo de sucessão de desequilíbrios que medeiam entre os vários equilíbrios que separam as margens da sucessão de pequenos saltos que buscam a estabilidade através de intermitentes desestabilizações. O pleonástico “cair um tombo” é uma possibilidade como também o é vencer a corrida de cem metros rasos, ou o agradável passeio até um Shopping-Center. Observando a dança das moedas neste verdadeiro jogo de xadrez internacional da oscilação dos vários currencys podemos concluir, sem sobra de dúvida, que a aparente fraqueza do dólar é a sua real força. O xeque mate ao rei não se dará através da rainha mais do verdadeiro cavalo de Troia que é o dólar pois ele traz no seu ventre os vetores intrínsecos do sistema liberal. Poderemos afirmar isto debruçando-nos sobre o balé do realinhamento das forças internacionais em torno das moedas. A União Europeia cada vez mais se consolida atraindo novos países do leste europeu e possivelmente da Escandinávia, para a formação de um macro estado “pós-nacional” sob a batuta do euro. O euro, por seus fundamentos é lastreado no Pib e sob um rígido controle inflacionário estabelece a circulação da riqueza numa verdadeira autarquia econômica: a auto-suficiente Europa. A maior parte do comércio internacional da União Européia é feita entre os próprios estados que a compõem. Assim, a União Européia, numa escala integrativa jamais vista, possui o pleno dom da simbiose perfeita. Integra países altamente desenvolvidos com outros minimamente desenvolvidos aglutinando, reciprocamente, as vantagens comparativas diversificadas deste variegado comércio. Ora, o mundo externo, além das muralhas pretensamente inexpugnáveis deste mega-global-trader está, praticamente alinhado ao dólar sendo que esta aliança se torna mais evidente através do fenômeno do estacionamento – parking – dos seus excedentes comerciais nos verdadeiros parceiros/reféns (China detém mais de um trilhão de dólares em reserva; o Brasil mais de 120 bilhões, a Rússia, o Japão, etc…). Assim é que este efeito parking enxuga o meio circulante em dólar, altamente inflacionado, não detendo, no entanto o efeito da constante desvalorização do dólar causado pelos fundamentos de todo o déficit americano (balanço de pagamento + déficit público + déficit imobiliário + déficit privado + déficit previdenciário + etc). O problema do dólar, mais do que um problema americano, passa a ser um problema das demais nações. Das que acompanham o dólar por estar com ele atreladas e da que não acompanha o dólar: a União Européia. Esta última, além de poder importar tudo muito mais barato sofrerá a tendência inevitável de ser a maior exportadora de capital como jamais se viu. Buscará comprar o controle acionário de empresas que estejam dentro da zona do dólar em razão da oferta barata destes ativos. No longo prazo, se gradativamente o dólar não reagir, através deste processo a Europa passará a sentir o seu alto custo social (sua política trabalhista e previdenciária) e um processo de deflação que conduzirão necessariamente a um futuro alinhamento com o dólar sob pena de se precipitar na maior crise social pois a Europa terá a sua cidadela, numa escala maior, semelhante ao problema do Brasil sob o plano Real I, de FHC, acossada sob o sobrevalorização do euro sobre o dólar. O problema monetário é semelhante ao efeito causado na física por dois corpos vizinhos e com temperaturas diversas. A tendência é a troca de energia, que levará ao equilíbrio térmico dos dois sistemas. Na outra banda do problema, os países alinhados com o dólar, entre os quais o Brasil, (está casado em comunhão de bens através do pacto ante-nupcial e fiduciário por conta da detenção de U$120 bilhões) deverão sofrer um verdadeiro “efeito chupa-cabra” na capacidade de investimento estatal, que será tragada de vez pelo investimento na compra de ativos em dólar e pelo processo gradativo e constante, por efeito do mercado, de flexibilização do trabalho, privatização do seguro social, enxugamento do Estado Nacional e todos os possíveis efeitos que levarão a implantação do Mercado Total nos termos das premissas Liberais Ortodoxas. Deste destino não escapará nem a atual cidadela da União Européia. Sob o assédio da desoneração social, sem capacidade competitiva e em razão da migração de seus capitais, ela será forçada a capitular perante o aríete invencível do cavalo de tróia do dólar que implantará, através deste portal, o mercado total, tanto aqui, como acolá e inclusive lá.(grifei)[42]
- Dos controles endógenos e exógenos sobre o problema originado pela Guerra das MoedasA partir de 2007 comecei a traçar planos ou alternativas para enfrentar a apreciação do real como o descrito no artigo “Como conviver com o dólar” que explicita-se da seguinte forma: O suave pouso do dólar a médio e longo prazo, buscando um alinhamento com o real, faz com que necessariamente se imagine os vetores de um novo cenário que começa a esboçar-se no futuro inarredável que virá através:b) A consciência de que a valorização do real, estimado em dólar, com a queda da inflação deverá, necessariamente, estabilizar os salários, sob pena de transferindo custos sociais para as mercadorias, perder-se a competitividade e consequentemente levar mais empresas a fecharem as portas; Manter o salário estabilizado, em razão de sua apreciação em dólar é a solução para a manutenção do emprego e a competitividade da empresa; (Aumento de salário regional é proselitismo político cujo custo demagógico em breve ficará demonstrado). e) A necessidade urgente de uma reforma tributária evitando a perda de competitividade. Desta forma evitar-se-á a fatalidade do aumento de falências e do sacrifício de mais postos de trabalho por força do custo tributário hoje embutido no custo das mercadorias. Aí está a luta por um novo Pacto Federativo.g) O incremento da importação com o conseqüente efeito da substituição de mercadorias do mercado interno que não tenham competitividade ( seus preços de custo trazem embutidos custos sociais irreais (demagogia salarial) + impostos + incompetência gerencial e tecnológica).i) A busca de novos mercados externos por aqueles setores que em face do dumping monetário brasileiro detinham competitividade que gradativamente, com a apreciação do real, passam a obter margens mais reduzidas de retorno; Estes são alguns pontos que serviriam para iniciar um amplo debate a fim de formalizar para o grande público o que hoje já é uma certeza íntima para grande número de práticos e especialistas.[43] O cenário acima é confirmado no artigo que segue este com o título “O Suave Pouso do Dólar”: “A Ciência Política, por sua característica eminentemente multidisciplinar que engloba uma visão plúrima das afetações jurídicas, econômicas, filosóficas, éticas, sociológicas, históricas e muitas outras sob determinados assuntos sujeitos ao seu crivo, permite uma melhor avaliação de determinados fenômenos sociais. Cada vez mais fica evidente que o aporte disciplinar, dado sob um único prisma, cria distorções próprias do contágio do viés unitário inerente ao seu universo reduzido. O mundo globalizado para ser bem entendido, mais e mais, necessita de um processo de interligações e conexões que se estabeleçam entre os vários campos do conhecimento humano. Se o século 20 foi o século da especialização, do sábio dentro de um poço, o século 21 necessita, cada vez mais daqueles que não se restrinjam a uma sala do edifício do conhecimento. Conhecer o espaço físico e funcional do entorno do prédio global, num processo interativo, possibilita chegar a conclusões também integrais sobre o processo de gestação do fenômeno social e político. Foi com base num aporte multidisciplinar entre situações endógenas, que afetam os estados nacionais, e interações exógenas, que afetam as relações internacionais, que no Natal de 2004 vaticinamos a queda do dólar. Os fundamentos estão devidamente documentados e expostos em artigo intitulado Câmbio, Juros e Política Econômica, publicado na grande imprensa e na Internet (http://www.direito.ufrgs.br/pessoais/sergioborja/2004/C%C3%82MBIO.htm). A expectativa geral, hoje, é a respeito da manutenção ou não desta tendência. Corroboro, mantendo a linha de razão e conclusão do artigo em epígrafe que, conservando-se a política do Banco Central, devidamente afiançada pelo Presidente Lula, como um todo, o dólar persistirá no seu pouso lento. Assim, através de uma “uma lenta e gradual distensão” da taxa Selic, com a manutenção da política de meta de inflação, o dólar buscará em prazo de médio a longo, na mesma proporção cronológica que vem descendo, um alinhamento com o real. A partir deste cenário estabilizado, lentamente, o capital especulativo será paulatinamente substituído pelo capital não volátil dos investimentos possibilitando ao Brasil retomar seu crescimento através de um processo similar ou análogo ao chamado “efeito China”. [44] Será que as autoridades ou o “governo” deixarão…
- h) A necessidade de reciclagem de postos de trabalho das atividades incompetentes para as atividades competentes mediante uma ação pró-ativa tipo Senac, Senai ou Sesc. Resgatar através do ensino técnico e da reciclagem das atividades.
- f) A necessidade de eficiência gerencial e tecnológica dos empreendimentos para estabelecer patamares mais baixos para os preços de custo.
- d) A percepção seletiva, do capital rentista, das atividades com vantagens comparativas ou não e o nível de risco envolvido, com reflexo nas taxas de remuneração dos juros comerciais. Uma conduta seletiva frente aos tomadores e à leitura das suas idiossincrasias poderia estabelecer taxas seletivas dos juros comerciais, apertando as atividades com risco cumulado e apetecendo atividades compatíveis com a nova realidade. Abre-se um novo cenário para que o marketing bancário, pressionado pela competitividade, possa criar novos escaninhos, com juros mais plausíveis, adaptados a pontuação de seus clientes evitando-se assim o viés do paradoxo que se aproxima.
- c) A necessidade lenta, gradual e segura de inversão do “efeito cavalo de pau” por uma descompressão na taxa de juro Selic, no aumento da liquidez bancária com a inversão da taxa de depósito compulsório no Banco Central e com uma fugaz, leve e gradativa oferta do aumento da base monetária. Todos estes atos são possíveis pela política do Banco Central aumentando a liquidez monetária e baixando o custo do capital para investimento através da maior oferta de dinheiro;
- a) Do total arrefecimento da inflação pela retração dos preços internos;
- Do retorno a pauta e da recidiva do conceito:
O FED – Banco Central Americano – (Federal Reserve System) a partir de novembro de 2010 expandiu o meio circulante ou base monetária americana injetando no mercado a não desprezível soma de R$600 bilhões de dólares. A partir daí o governo federal brasileiro capitaneado pelo Ministério da Fazenda, na voz do Ministro Guido Mantega, passou a se manifestar sobre a chamada Guerra das Moedas, Cambial ou das Divisas. Várias manchetes de vários jornais, relatando historicamente o acontecido, assim se manifestaram: Guerra Cambial – Pacote dos EUA será atacado no G-20[45]; Antecipando o assunto o Ministro Guido Mantega, já em 28 de setembro de 2010, em Londres, manifestara a seguinte opinião relatada pelo Financial Times na terça-feira e reproduzida pelo site Yahoo: “Depois das grandes potências ocidentais, o Brasil pede a vez na “guerra das moedas”, que ameaça as exportações em um contexto mundial mais competitivo do que nunca, onde a China é criticada por sua rejeição em valorizar sua moeda. O mundo está “em meio a uma guerra de divisas internacional”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citado nesta terça-feira pelo jornal econômico britânico Financial Times. Para Mantega, o real está entre as vítimas dessa batalha, porque sua apreciação em relação a outras moedas “ameaça a competitividade” do país, maior exportador mundial de café e açúcar, para citar apenas alguns produtos.”[46] Em 8 de outubro de 2010, já em Washington, na reunião do FMI, as jornalistas Luciana Coelho e Andrea Murta publicaram, como enviadas especial da Folha de São Paulo, um relato do acontecido perante aquele fórum: “O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta sexta-feira ser “desejável” um acordo global sobre o câmbio para evitar o que o ministro Guido Mantega (Fazenda) chamou de “guerra de moedas”, mas não vê possibilidade de tal cenário se consolidar no curto prazo. “Não acho isso tão provável no curto prazo, mas acho desejável, acho que se deve caminhar nessa direção. “Espero que aconteça”, afirmou Meirelles ao ser indagado sobre um acordo cambial após discursar em evento sobre o Brasil promovido pela Câmara de Comércio dos EUA, em Washington, onde está para a reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional).”[47] Mas não foram só os Ministros da Fazenda Guido Mantega e o Presidente do Banco Central, Ministro Henrique Meireles, as únicas autoridades a se manifestarem sobre a chamada guerra das moedas, das divisas ou cambial. Também a Presidenta eleita, Dilma Housseff, pronunciou-se neste sentido quando admitiu a existência de uma guerra cambial.[48] O Presidente Lula, da mesma forma, em 12 de novembro, conforme manchete do Correio do Povo desta data fazia “campanha contra o dólar” aventando inclusive a possibilidade de alternativas ao dólar.[49] em 19 de novembro de 2010, quando foi agraciado com o prêmio Personalidade França-Brasil 2010, no Rio de Janeiro, manifestou-se no seguinte sentido do a seguir relatado: “Outros assuntos tratados pelo presidente foram a guerra cambial provocada pelos Estados Unidos, que “não deve ofuscar a visão do amplo horizonte que se abre à nossa frente”, e a crise financeira mundial, que mostrou às nações que o fortalecimento da economia perpassa pelas economias emergentes, “sobre as quais estão depositadas as esperanças e as energias do comércio e do crescimento nos próximos anos”.[50]
Eis o relato cronológico e conceitual dos acontecimentos em face da reação governamental a intermitente apreciação do real frente ao dólar utilizando-se de conceito, que salvo melhor juízo e prova em contrário, foram criados e divisados por este autor, sem as referências devidas a que tem justo direito.
[1] – Correio do Povo – Dilma tenta tranquilizar empresários – Sábado – 10 de dezembro de 2005.
[2] – Cotações do Dólar e Risco Brasil – http://www.portalbrasil.net/2005/indices/dolar/dezembro.htm
[3][3][3] – Almeida – Paulo Roberto de – O Brasil e o Multilateralismo Econômico – Livraria do Advogado – 1999 – Porto Alegre – fl. 182.
[4] – Almeida – Paulo Roberto de – O Brasil e o Multilateralismo Econômico – Livraria do Advogado – 1999 – Porto Alegre – fl.93.
[5] – Columbia University – Mundell Robert – http://www.columbia.edu/~ram15/
[6] – Haffner, Jacqueline. CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina – Uma perspectiva sobre o desenvolvimento latino-americano. Porto Alegre: Edipuc, 1996, p.56.
[7] – Bielschowsky – Ricardo – Cinquenta anos do pensamento na CEPAL – ed. Record – Rio de Janeiro – ano 2000 – fls.69, 179, 217,239, 495;
[8] – Roett e González – Riordan e Francisco – O Papel da Política de Altas Apostas na Lacuna de Desenvolvimento da América Latina – Ficando para Trás – coordenação de Francis Fukuyama – original Explaining the Development Gap Between Latin American and United States – ano 2010 – Editora Rocco Ltda. – Rio de Janeiro – fl. 174/175;
[9] – Ovo de Colombo – Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ovo_de_Colombo
[10] – Goldsmith – Raymond W. – BRASIL 1850-1984 – Desenvolvimento Financeiro sob um século de Inflação – Editora Harper & Row do Brasil Ltda. – ano 1986 – São Paulo – SP –
[11] – Carta do governo brasileiro ao Fundo Monetário Internacional (28\9\1984)
[12] – Goldsmith – Raymond W. – Brasil – 1850-1984 – Desenvolvimento Financeiro sob um século de inflação – Editora Harper % Row do Brasil Ltda. – B.Bamerindus do Brasil – 1986 – São Paulo – SP – fl.510,
[13][13] – Modiano – Eduardo M. – El Primer Intento del Cruzado – INFLACIÓN Y ESTABILIZACIÓN – La experiência de Israel, Argentina, Brasil, Bolívia y México.- Fondo de Cultura Econômica – México – El Trimeste Económico – nº62 – 1987 – M. Bruno, G. Di Tella, R.Dornbusch y S.Fischer (compiladores);
[14] – Modiano – opus citae – fls. 265.
[15] – Modiano – opus citae – fls. 265.
[16] – Pastores – Affonso Celso – As Letras Financeiras do Tesouro…- Mercados de Capitais e Divida Pública – Edmar Lisboa Bacha – Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho – Contra Capa – Anbid – 2006 – Rio de Janeiro – fl. 261\262.
[17] – Pastore – Affonso Celso – opus citae – fls. 262.
[18] – Zini Júnior – Álvaro Antônio – Política Cambial com Liberdade de Câmbio – O Brasil e a Economia Global – Renato Baumann – organizador – Ed. Campus – ano 1996 – Rio de Janeiro – SOBEET – fl.125
[19] – Zini – Jr. – Álvaro Antônio – opus citae. Fls. 125;
[20] – Zini Jr – Álvaro Antônio – Opus Citae – fls. 126;
[21] – Belluzo & Almeida – Luiz Gonzaga e Júlio Gomes de – Depois da Queda – Civilização Brasileira – Rio de Janeiro – 2002 – fl.363;
[22] – Belluzo & Almeida – opus citae – fls. 363.
[23] – Belluzzo & Almeida – opus citae – fls. 365;
[24] – Borja – Sérgio – O Projeto Democrático – Lenz Editor – Porto Alegre – 2001 – Brasil um Perigo Real – fls. 67\69;
[25] – Borja – Sérgio – Folha de São Paulo – Zero-Hora – Opinião – 12.05.1997 – http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/brasil.htm
[26] – Borja – Sérgio – O Projeto Democrático – O efeito “Triffin” sobre as bolsas – Lenz Editor – 2001 – Porto Alegre – fls.232\234;
[27] – Borja – Sérgio – Porquê as Bolsas caem e continuarão a cair – Jornal do Comércio – Opinião – fl.16 – Quinta – 19.03.1998 – 2º Caderno. http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/bolsas.htm
[28][28] – Borja –Sérgio – O Projeto Democrático – Ricardo Lenz Editor – ano 2001 – Porto Alegre – fl232/234;
[29] – Borja – Sérgio – Efeito Triffin sobre as Bolsas de Valores – Gazeta Mercantil – Opinião – 16.06.1998.- http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/trifin.htm
[30] – Borja – Sérgio – A GUERRA DAS MOEDAS – Jornal do Comércio RS – Opinião – 15 de julho de 1998.
[31] – Ovo de Colombo – Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ovo_de_Colombo
[32] – Borja – Sérgio – O real, o dólar e o sudoeste asiático – Gazeta Mercantil do Rio Grande do Sul – 17 de agosto de 1998; http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/real.htm
[33] – Sérgio Borja – O real, o dólar e o sudoeste asiático – opus citae;
[34] – Roubini – Nouriel – http://www.roubini.com/
[35] – Borja – Sérgio – O Projeto Democrático – Editora Lenz – ano 2001 – Um novo ataque especulativo – fls. 345/348;
[36] – Borja – Sérgio – Um Novo Ataque Especulativo – Gazeta Mercantil- Opinião – 04.11.1999 – http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/UM%20NOVO%20ATAQUE%20ESPECULATIVO.htm
[37] – Borja – Sérgio – A Selic e a Bolha Pública – Cartas – Jornal Estado de São Paulo – http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100430/not_imp545057,0.php
[38] – Borja – Economia de escala, custos e direito agrário – publicado na Internet – http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/PESQUISAS/REFORMA%20AGRARIA%20-%20ECONOMIA%20DE%20ESCALA,%20CUSTOS%20E%20DIREITO%20AGRARIO.htm
[39] – Borja – Sérgio – Economia de escala, custos e direito agrário – http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/PESQUISAS/REFORMA%20AGRARIA%20-%20ECONOMIA%20DE%20ESCALA,%20CUSTOS%20E%20DIREITO%20AGRARIO.htm
[40] – Borja – Sérgio – O Projeto Democrático – Economia de escala, custos e direito agrário – Lenz Livreiro – 2001 – fls. 298\326 – 308;
[41] – Borja – Sérgio – “Câmbio, Juros e Política Econômica ou a Necessidade de um Plano Real III – http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/2004/C%C3%82MBIO.htm
[42] – Borja – Sérgio – Dólar: O Portal para o Mercado – http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/2007/dolar.htm
[43] – Borja – Sérgio – Como conviver com o dólar – http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/2007/conviver_dolar.htm
[44] – Borja – http://www6.ufrgs.br/direito/pessoais/sergioborja/2007/suave_pouso.htm
[45] – Zero Hora – Sábado – 06 de novembro de 2010 – ECONOMIA – pát.26;
[46] – Sep 27th, 2010 11:49 by News By Jonathan Wheatley
September 27 2010 (Financial Times) — Guido Mantega, Brazil’s finance minister, said on Monday the world was in an “international currency war”, in a further sign that Brazil is preparing measures to prevent further appreciation of its currency, the real. Mr Mantega, who has made increasingly aggressive comments recently about the need to control Brazil’s currency, said governments around the world were trying to weaken their currencies to promote competitiveness. “We’re in the midst of an international currency war, a general weakening of currency. This threatens us because it takes away our competitiveness,” he said, according to Reuters. The US dollar has fallen by about 25 per cent against the real since the beginning of last year, making the real the strongest performing currency in the world, according to Bloomberg.” http://www.usagold.com/cpmforum/2010/09/27/brazil-warns-of-currency-war/
[47] http://www1.folha.uol.com.br/mercado/811848-acordo-global-sobre-cambio-e-desejavel-mas-deve-demorar-diz-meirelles.shtml
[48] – Entrevista no Jornal Nacional – Primeiro Ato – Dilma convocará governadores – ZH – Política – terça-feira – 02.11.2010, fl.6;
[49] – Correio do Povo – Lula faz campanha contra dólar – sexta-feira – 12.11.2010 – capa do jornal;
[50] – Blog da Presidência da República Federal do Brasil – http://blog.planalto.gov.br/brasil-e-franca-juntos-para-alterar-o-%E2%80%9Ctabuleiro-da-industria-aeronautica-mundial/
BUCANEROS – POESIA DE AUTORIA DE SÉRGIO BORJA DECLAMADA PELO AUTOR
CAMINHONEIROS DO POVO!!! UNIVOS!!!!
A INCONSTITUCIONALIDADE DE CONVENIÊNCIA CONTRA OS CAMINHONEIROS DAS VEIAS FECHADAS DA AMÉRICA LATRINA!
CAMINHONEIROS UNIVOS!!!
(O POEMA LOUCO DA INCONSTITUCIONALIDADE LIBERTÁRIA DO POVO E DOS CAMINHONEIROS)
Sim, a Partidocracia Cleptocrática liderada nesta Ditadura Civil de Coalizão pode tudo em nome de sua sobrevivência mefistofélica;
Pode fazer todas as inconstitucionalidades absolutas que por ventura houver de haver para perseverar em seu intento de poder e permanência a frente deste;
Sim, o Presidencialismo de Coalizão, que absolveu FHC e Lula de Impeachments e agora, da mesma forma, absolve Dilma de suas iniquidades contra a constituição e o regime republicano pode tudo pois está acima da lei, da constituição, não por atos institucionais ou decretos, mas pela forma hedionda e capciosa de coonestar com suas maiorias urdidas o que concebem como lei e Constituição;
Para eles senhores do látego, da força e da hipocrisia;
Senhores da mentira e das urdiduras ladinas;
Podem transformar tudo que é inconstitucionalidade;
Mesmo as mais substanciais como o fizeram;
Como a reeleição da Presidência, dos Governos de Estado e dos Prefeitos;
Mesmo que o Poder Constituinte Originário, que fez e criou a Constituição determinasse que era impossível reeleger-se;
Mesmo que o Poder Originário Republicano manifestando-se num bloco constitucional de mais de 100 anos não permitisse nem aos militares se reelegerem os políticos da Nova República, contra a Constituição e contra todos e o Povo cometeram este crime;
NÃO FORAM OS CAMINHONEIROS DO POVO MAS FORAM ESTES DÉSPOTAS QUE PASSARAM COM UM CAMINHÃO POR CIMA DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 ATROPELANDO-A NO SEU DIA A DIA!!!!
SIM, PARA OS CAMINHONEIROS que contrariando Eduardo Galeano inverteram as VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA tornando-as VEIAS FECHADAS À USURA, AO PEDÁGIO E AO FRETE MAL PAGO DA AMÉRICA LATRINA, a PARTIDOCRACIA E DILMA não querem, não permitem e dizem: Uma lei assim, um decreto assim é INCONSTITUCIONAL!!!!!
Sim, para eles tabelar o frete no mínimo de sobrevivência dos que permitem a circulação da seiva viva, do sangue vivo, que oxigena e alimenta o Povo e todas as Cidades deste continente brasileiro é INCONSTITUCIONAL E NÃO PODE:
Mas para ELES auto-aumentar seus salários de forma desbragada, de forma ilegal recheando o PODER e loteando-o com seus lacaios em cargos em comissão; aparelhando todo o estado nacional a seu serviço eles podem e não é inconstitucional!
Para colocar uma força nacional em posição de intervenção federal, contra a constituição e de forma inconstitucional pode, fazendo intervenção federal sem decreta-la; quebrando o pacto federativo; sem decretar estado de sítio ou de defesa propiciando assim a morte de crianças que foram assassinadas por balas perdidas da força que era para defende-las, PARA ISTO PODE, PARA ISTO NÃO HÁ INCONSTITUCIONALIDADE onde manda quem pode e obedece quem precisa;
MAS PARA ABRIR AS VEIAS DA AMÉRICA LATINA, NÃO PARA OS OLIGOPÓLIOS E EXPLORADORES, mas para a circulação de mercadoria do POVO e daqueles que carregam a seiva e o sangue que alimenta o POVO NÃO PODE!!!
Assaltar as custas judiciais em depósito perante o Judiciário pode; qualquer depositário infiel do povo não pode nada pois tudo é ilegal ou inconstitucional para o povo mas para a PARTIDOCRACIA CLEPTOCRÁTICA E DITATORIAL PODE!!! O Color não podia assaltar, como assaltou, as poupanças do Povo mas a Partidocracia, que tudo pode, e é maior que as Leis e a Constituição PODEM e assim assaltam as verbas privadas e nenhum deles responde como VERDADEIROS DEPOSITÁRIOS INFIÉIS QUE SÃO!!! Mas os caminhoneiros do POVO NÃO PODEM!!!
Reeleger-se ETERNAMENTE PODE POIS A PARTIDOCRACIA É A CONSTITUIÇÃO E A LEI E NÃO NECESSITAM DE DECRETOS OU AOS INSTITUCIONAIS OU AINDA DECRETOS LEIS pois eles são a PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO MUTANTE E AMBULANTE AO SABOR DO VENTO E SEUS APETITES E FOME DESCOMUNAL!!!
Mas os CAMIONEIROS E O POVO NÃO PODEM!
A União interfere e quebra cláusula pétrea constitucional criando força pública nacional; sequestrando rendas dos Estados e Municípios através de absolvições de impostos, lei Kandir e tudo o mais; o Pacto Federativo implode e os Estados e Governadores não podendo pagar as dívidas, para assim quitar os salários dos funcionários, não pagam a UNIÃO IMPLODINDO A FEDERAÇÃO E TUDO NÃO PODE mas, PARADOXALMENTE E CONTRADITORIAMENTE, PODE pelo poder da RUÍNA HIPÓCRITA QUE A POLÍTICA DISSIMULA E DERRETE O DIREITO E A LEI DISSOLVENDO COM SEU GUANTE A COERÊNCIA E A RAZÃO e para eles tudo pode MAS, PARA O POVO E OS CAMINHONEIROS, NÃO PODE pois é inconstitucional!!!!
Criar incentivos e absolvições de impostos para a linha branca, para as fabricas de automóveis e caminhões PODE TUDO E NÃO É INCONSTITUCIONAL mas para atender a REIVINDICAÇÃO DO POVO DOS CAMINHONEIROS E DAS VEIAS QUE TRANSPORTAM A SEIVA DO CORPO DO POVO E DO BRASIL NÃO PODE!!!!
Para assaltar o BNDES, e investir, secretamente no exterior, em tudo que é DITADURA ALIADA, pode e não é inconstitucional mesmo que a Constituição determine que nos acordos legislativos em devida forma NÃO POSSA SER FEITO ISTO pois são atos que gravam o patrimônio público!!! Mas o Congresso formado pela Câmara e Senado ficam e quedam-se silentes ante os atos INCONSTITUCIONAIS da PRESIDANTA POIS PARA ELES TUDO PODE E SÓ PARA O POVO E OS CAMINHONEIROS QUE TRANSPORTAM TUDO DO POVO E PARA O POVO ELES NÃO PODEM FAZER POIS É INCOSTITUCIONAL!!!
Assaltar a Petrobrás e endivida-la no mais alto grau PODE e não é INCONSTITUCIONAL; pode comprar Pasadena por bilhões a mais; pode construir a refinaria Abreu Lima por muito mais distribuindo dinheiro do Povo pelos oligopólios corruptos mas para o POVO E OS CAMINHONEIROS DO POVO NÃO PODE!!
Dissolver a República, a Lei, a Constituição, fazendo normas regadas com o dinheiro espúrio do MENSALÃO PODE POIS TODAS AS LEIS ASSIM FEITAS E QUE TIRARAM DIREITOS DOS TRABALHADORES, COMO A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, ESTAS PODEM E PERMANECEM E NÃO TEM MÁCULA ALGUMA E NÃO SÃO INCONSTITUCIONAIS, MAS ATENDER aos caminhantes e caminhoneiros do POVO QUE transportam seus víveres e sua manutenção de vida NÃO PODE E É INCONSTITUCIONAL!!!!
Assim é que estamos sob a bota e jugo de uma figura impessoal; estamos vivendo a DITADURA de uma impessoalidade que disfarça-se assim sem ter pessoalidade mas, objetivamente, é mais hedionda e perniciosa do que a mais horrenda e hedionda das DITADURAS QUE PELO MENOS É SINCERA NA SUA OPRESSÃO;
NÃO, nós vivemos a OPRESSÃO HIPÓCRITA, DISSIMULADA, A OPRESSÃO DIFUSA, DISSEMINADA POR UMA HORDA IRRESPONSÁVEL DE ASSALTANTES DO POVO!!
Não, nós não temos a quem atingir; a quem responsabilizar; a quem nominar com nome de gente; pois a horda controla máfias e gangs e domina de forma difusa o poder impondo a lei do silêncio e do MEDO!!!!
O MEDO DE SE PERDER TUDO…O MEDO DA LEI QUE É SEMPRE A DO LOBO E NÃO A DO CORDEIRO….POIS VIVEMOS NO REGIME DO QUEM INDICA…E QUEM INDICA É DONO DA LEI, DO BASTÃO E DO GUANTE.
NÓS O POVO E NOSSOS CAMINHONEIROS
SÓ TEMOS UMA ESPERANÇA
AQUELA EM QUE CONTRARIANDO EDUARDO GALEANO
QUE LUTAVA PELA LIBERDADE
FECHARMOS TODAS AS VEIAS DESTE CONTINENTE CENTRAL
QUE MOLDA A AMÉRICA QUE HOJE É LATRINA
MAS QUE UM DIA, AO SOL POENTE DA LIBERDADE E DA VERDADE
SOBRE A LEI, A ORDEM, E UMA VERDADEIRA CONSTITUIÇÃO
RESPEITADA POR TODOS E PRINCIPALMENTE PELOS QUE MANDAM SERÁ O REGIME DAS CONSTITUCIONALIDADES
E NÃO DAS INIQUIDADES
E INCONSTITUCIONALIDADES CONTRA O POVO
E DAS INCONSTITUCIONALIDADES PERPÉTUAS
A FAVOR DE UMA CORJA
QUE SOB O MANTO DA LEI
ASSALTA OS COFRES DO POVO E GOVERNA
COM A SUA USURA FAMÉLICA
CONTRA A EXISTÊNCIA DO POVO!!
O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!!!
CAMINHONEIROS UNIVOS!!!
O IMPEACHMENT NÃO É MAIS UM PROCESSO JURÍDICO E SIM UM PROCESSO POLÍTICO!!!
SEM MAIORIA NA CÂMARA E NO SENADO NAO PASSA – SOU DOUTOR EM IMPEACHMENT – ALÉM DE TER ESCRITO UM LIVRO, SOU PROFESSOR HÁ 30 ANOS DA MATÉRIA JÁ FIZ NA PRÁTICA MAIS DE 6 IMPEACHMENTS…- O IMPEACHMENT TEM UM ESTARTE JURÍDICO MAS O SEU ANDAMENTO É POLÍTICO ASSIM COMO O SEU RESULTADO – PARA DAR CERTO TEM DE TER MAIORIA NA CÂMARA E CONTROLAR O PRESIDENTE DA CÂMARA POIS SENAO ELE ARQUIVA SEMPRE O PROCESSO – AQUI NO BRASIL, EMBORA A LEI DIGA QUE QUALQUER CIDADAO POSSA FAZE-LO É UM PROCESSO ELITISTA E SÓ UM GRANDE “ACERTO POR TRÁS DO BIOMBO” DO PODER PODE FAZER COM QUE PROSPERE….ELE É UM JOGO DE PODER DA ALTA PARTIDOCRACIA E ESTÁ LONGE DO POVO….A MÍDIA ALIADA AO PODER É QUE VAI ADORNA-LO E FORTIFICA-LO CONSEGUINDO MAIS APOIAMENTO POPULAR…..PARA A PARTIDOCRACIA HOJE NAO É CONVENIENTE AOS PARTIDOS POIS CADA MÁFIA ATIRARIA PEDRAS RECIPROCAMENTE NO TELHADO DO INIMIGO E ELES SE DESCOBRIRIAM NA FRENTE DO POVO OUTRA É QUE ESTAO TEMENDO UMA FORTIFICAÇAO DO ESTAMENTO MILITAR QUE ESTÁ BUSCANDO APOIAMENTO ENTRE O POVO E NA INTERNET PODENDO SUBSTITUI-LA POIS A PARTIDOCRACIA ESTÁ COMPLETAMENTE PODRE E O ESTADO NACIONAL QUE DOMINA CHEGOU AO FIM DE UM SICLO E ESTÁ SUCATEADO…ENTAO HÁ SUCATEAMENTO MORAL, ÉTICO, E MATERIAL….VIVEMOS UMA DITADURA CIVIL DISFARÇADA ONDE MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM PRECISA SOB O JUGO DE UMA PARTIDOCRACIA CORRUPTA NO MAIS ALTO GRAU…AGORA MESMO AUMENTARAM O FINANCIAMENTO PÚBLICO DAS CAMPANHAS EM MILHOES POIS NAO PODEM MAIS ACHACAR E TIRAR PROPINAS EM RAZAO DO ESCANDALO QUE ESTÁ MUITO PROXIMO….IMPEACHMENT É UM MECANISMO DE CONVENIÊNCIA DA PARTIDOCRACIA, CONVENIÊNCIA MERAMENTE POLÍTICA….É ISTO….ESTOU COM 65 ANOS SOU AINDA PROFESSOR DE DIREITO…FUI POR 30 ANOS DE DIREITO CONSTITUCIONAL E TEORIA GERAL DO ESTADO E AINDA CIÊNCIA POLÍTICA E RELAÇOES INTERNACIONAIS NAS MELHORES UNIVERSIDADES DO RIO GRANDE DO SUL….EM SUMA …VIVEMOS UM ESPETÁCULO TEATRAL EM QUE A PLATÉIA TEM DIREITO DE APUPAR…MAS SEU DIREITO NAO PASSA DISTO POIS ELA NAO DECIDIU AINDA SUBIR NO PALCO E ATIRAR TODOS OS “ARTISTAS”(VIGARISTAS) NA FOGUEIRA DESFENESTRANDO-OS DE SUAS OCUPAÇOES DELEGADAS….A PAZ E A TRADIÇAO DE PAZ DESTE POVO É QUE O SUBJUGAM PERANTE ESTES DÉSPOTAS ESCLARECIDOS….MATREIROS….LADINOS….ESPERTOS….E VIGARISTAS NO MAIS ALTO GRAU….UNS ROUBAM COM A MAO ESQUERDA…OUTROS PELO CENTRO E OUTROS PELA DIREITA SENDO QUE HÁ POLÍTICOS AMBIDESTROS…..IMPEACHMENT É UM JOGO DE EFEITO….UM INSTITUTO DEFRAUDADO POR ESTE ESTAMENTO QUE SE APOSSOU INDEBITAMENTE DO PODER DO POVO SOBERANO!!! O JOGO PARTIDÁRIO É AQUELE JOGO INFANTIL QUE DIZ QUE O OUTRO É O CULPADO DE TUDO, EM TUDO ANÁLOGO E SEMELHANTE AO FUTEBOL ONDE O INIMIGO O OUTRO DEVE SER ANIQUILADO, NÃO É UM JOGO DE RAZÃO OU, NO MÍNIMO, A ÚNICA RAZÃO QUE EXISTE É VENCER A QUALQUER CUSTO FORA DISTO NÃO HÁ MAIS RAZÃO NEM ISENÇÃO E SÃO TODOS SECTÁRIOS COMO ERAM AQUI NO RIO GRANDE DO SUL MARAGATOS E CHIMANGOS (OU COLORADOS E GREMISTAS) ENTAO É CONVENIENTE, DENTRO DESTA ÓTICA DO UNIVERSO A QUE ESTÃO INEXORAVELMENTE CONDICIONADOS, QUE ELES DEIXEM O PT NO PODER FRITANDO-O ATÉ O FINAL NO FOGO E NAS BRASAS QUE ELE MESMO ATEOU NO MENSALAO , NA PETROBRÁS E DE FORMA DISSIMINADA….SE TOMAREM O PODER AGORA VAO LEVAR A CULPA DA CRISE ECONÔMICA – ENTAO, COM A LÓGICA “DEMOCRATICA” DA POLITICA É CONVENIENTE DEIXAR O PT NO PODER E IR FRITANDO O MESMO ATÉ O FINAL, CALCINANDO-O LITERALMENTE, PARA GANHAR NAS ELEIÇOES FUTURAS – RESPEITADAS COMO PROCESSO DE DEPURAÇÃO E LEGITIMAÇÃO PELO QUE COGNOMINAM E PENSAM SER A “DEMOCRACIA” – PARA FICAREM SÓ ELES ROUBANDO COMO ESTES OUTROS O FAZIAM ATÉ O FINAL…EM 30 ANOS DE PODER SUCATEARAM O BRASIL – HÁ DE SE EXTINGUIR A REELEIÇAO, NAO SÓ DOS EXECUTIVOS – RESTAURANDO A CONSTITUIÇAO ROUBADA – MAS TAMBÉM MANTER A REPRESENTAÇAO POLÍTICA SÓ QUE EXTINGUINDO O PROCESSO INDEFINIDO E CONSTANTE DE REELEIÇOES BAIXANDO E POSSIBILITANDO O MENOS POSSIVEL O NUMERO DE REELEIÇOES…ASSIM IMPLANTAR-SE-IA A REPUBLICA. A REPUBLICA FOI PROCLAMADA EM 1891 MAS AINDA NAO FOI IMPLANTADA POIS COM AS REELEIÇOES DO LEGISLATIVO CRIAMOS UMA CASTA QUE SE APOSSA DO ESTADO E SAQUEIA A SOCIEDADE CIVIL ACHACANDO-A ATRAVÉS DE IMPOSTOS E PROPINAS E AINDA LOTEANDO O ESTADO NACIONAL COM SEU EXÉRCITO DE FUNCIONÁRIOS EM COMISSÃO SEM CONCURSO PÚBLICO E INDICANDO MEMBROS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES E DOS TRIBUNAIS DE CONTAS E OUTROS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA MANTENDO O ESTADO, SOCIEDADE CIVIL SOB SEU JUGO E A SEU SERVIÇO EXCLUSIVO E TAMBÉM SAQUEANDO O ESTADO E USANDO-O PARA INTERMEDIAÇÕES COM O PODER ECONÔMICO DA SOCIEDADE CIVIL QUE, SEM ALTERNATIVAS, FINANCIA ESTE ESTAMENTO PARASITA – A REPRESENTAÇAO POLÍTICA ESTÁ COM O MESMO PROBLEMA E A MESMA DOENÇA QUE ATACOU A REPRESENTAÇAO INSTITUCIONAL SOCIALISTA – ESTAMOS COM UMA NOMENCLATURA NO PODER – UMA MÁFIA CORRUPTA NO MAIS ALTO GRAU!!! PROF. SÉRGIO BORJA






